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Sobre o Blog

Conheci pessoas extraordinárias. Ouvi as suas histórias, os seus caminhos, as escolhas. Achei que talvez valesse a pena sistematizar esses encontros (que resultaram em entrevistas), e reuni-los num sítio onde estivessem sempre disponíveis, nas versões integrais (que, no essencial, coincidem com as versões publicadas em papel).

Há anos (são mais de 15 e menos de 20) que escrevo para jornais e revistas. Mais do que tudo, fiz entrevistas. Faço perguntas porque quero saber as respostas. Também porque é mais fácil a um jornalista freelance exercitar esse músculo. Mas pode ser que isto seja apenas uma parte, e não a mais significativa, da verdade. Talvez faça sobretudo entrevistas porque gosto de conhecer as pessoas num cenário de um para um, concentrar-me nelas, em quem são, ouvir a narrativa que fazem de si próprias.

Frequentemente perguntam-me qual foi a pessoa que mais gostei de entrevistar. Se foi um privilégio entrevistar o Plácido Domingo, por exemplo. Gostaria de citar o cirurgião plástico Ivo Pitanguy para responder a essa questão. “Algumas me decepcionaram, outras me enriqueceram, tudo isso faz parte da vida. Umas foram pacientes, outras foram amigas, outras foram circunstanciais... Mas estou sempre preparado para encontrar outra pessoa.”

Pitanguy, como é sabido, operou “todo o mundo”. Mas disse-me que num momento de vulnerabilidade, não importa que a Clarice seja a Clarice Lispector. “Essas pessoas que você diz que poderiam ser importantes, quando estão dependendo, elas são tão dependentes quanto qualquer outra.” Todo mundo é, por instantes, um menino perdido numa noite escura. O importante é manter essa disponibilidade para o encontro. Com curiosidade. Sem preconceitos, sem juízos. Todos temos zonas de sombra e de glória. E estima e admiração não são sinónimos.

Relendo o que fiz, dou-me conta de que o trabalho é desigual. Mais do que o carácter heteróclito da amostra, sou eu que não sou a mesma – não olho e não pergunto da mesma maneira. Gosto de pensar que há uma identidade profissional que foi sendo construída, errando e acertando, à vista de todos, e que conto com a benevolência dos leitores para eventuais imprecisões e desnivelamentos.

Agradeço, desde já, a todos os jornais e revistas que manifestaram (e manifestam) interesse no meu trabalho, aos meus colegas fotógrafos (Augusto Brázio, Clara Azevedo, Miguel Baltazar) que me cedem as imagens para publicação neste blog. Agradeço aos que me lêem e, muito especialmente, aos entrevistados que me confiaram as suas histórias e as suas palavras. Sou uma pessoa enriquecida por causa destes encontros. O privilégio não é conhecer o Plácido Domingo. O privilégio é conhecer pessoas. E todas são extraordinárias à sua maneira.

 

No meu blog disponibilizo o meu arquivo. Grande parte dele é constituído por entrevistas, mas há também guias de viagem, perfis, reportagem. Sempre que possível, será a actualidade a suscitar a revisitação do arquivo. 

Haverá sempre uma identificação à primeira publicação, em papel. Infelizmente não anotei as datas exactas em que isso aconteceu, mas farei um esforço para situar a entrevista no calendário. Muitos desses trabalhos, do tempo do papel – parece que foi há uma eternidade, mas não foi – vão ficar disponíveis na net pela primeira vez.

Quando saem de cena (i.e., da home page), os conteúdos ficam instalados numa série de categorias, identificadas no menu. É uma tentativa de arrumar todos os textos e facilitar a identificação dos mesmos. Há uma caixa de pesquisa que vai dar a todo o lado, a todos os nomes. 

Dado que os conteúdos são muito específicos, e não pretendo dedicar-me ao comentário e ao registo diarístico que caracterizam grande parte dos blogs, decidi que o meu blog não vai ter espaço para comentários.

Em última instância, se alguém o quiser fazer, há um endereço de email onde se pode dirigir.

Até 14 de Maio de 2013, nunca tinha tido um blog ou estado nas redes sociais. Foi por acreditar que os testemunhos dos entrevistados são valiosos, e que nos ajudam a conhecer o país e alguns dos seus protagonistas das últimas décadas, que decidi partilhá-los, neste espaço.

 

 

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