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Anabela Mota Ribeiro

Michael Biberstein

20.05.18

Os desenhos são desenhos; as coisas grandes são coisas francamente grandes, preenchem a totalidade do olhar (e do mundo que cabe nele); as médias, são médias. Em todas elas, se respiram paisagens, «Eu sou um pintor de paisagens».

Michael Biberstein chegou a Portugal em 1979 para fazer duas exposições. Meses antes, conhecera na Suíça o artista plástico Julião Sarmento, de quem se torna amigo. Em Portugal, fica na casa deste e aí conhece a escritora Ana Nobre de Gusmão, amiga íntima da mulher de Julião. «E o resto é amor, não é?», remata ele, quando conta a história da sua vinda.

Vivem no Alentejo, desde que o estúdio do Penedo, onde começaram por viver, deixou de suportar as dimensões das telas do pintor. O espaço no Alandroal é imenso. Ouve-se jazz.  As paredes estão revestidas pelas paisagens que habitam a cabeça de Michael Biberstein.  

  

Por amor?

Sim, foi e é por amor que fiquei e fico. Tinha vivido na Grécia, nos Estados Unidos, em vários sítios. Não gostei muito de viver na Suíça. Há muitas limitações.

 

Limitações de que tipo?

É um país de regras e ética tão restritivas que não deixa muito espaço para gente que pensa de maneira diferente. Pode ser sufocante.

 

A criatividade precisa de uma liberdade ilimitada.

A maioria dos artistas suíços, pelo menos durante uns anos, acabam por não viver na Suíça. Têm de viver num outro país para ver um mundo diferente. Portugal é um óptimo país para se viver.

 

A sua ascendência é suíça e americana.

Mãe americana, pai suíço. Vivi na Suíça até aos 13, 14 anos. Depois os meus pais divorciaram-se e a minha mãe voltou aos Estados Unidos. Acabei o liceu em Connecticut, a norte de Nova Iorque, e fiz a universidade em Filadélfia.

 

Qual é a sua primeira língua?

Inglês. Na Suíça, em casa, falávamos sempre em inglês; depois aprendi o alemão-suíço.

 

A língua materna é sempre a forma primeira de tradução da realidade. Ainda que a sua forma preferencial de expressão seja a pintura. 

Temos na família, da parte do meu pai, uma tradição de artistas; alguns tinham uma carreira sólida. Cresci com obras de arte em casa. O meu pai era um homem de negócios. A minha mãe era professora, começou a trabalhar depois do divórcio; com quarenta e poucos anos voltou aos Estados Unidos, acabou a universidade, e ensinou durante 15 anos.

 

O convívio com a arte, através da família ou da presença física de obras de arte, representa uma forte influência. O que se lembra dessa fase? Da contemplação, da observação?

Vivendo com quadros, crescendo com quadros, desenvolvemos uma relação específica com cada quadro. De vez em quando, há ainda sombras disso na minha pintura... São coisas muito profundas, imagens da infância.

 

Que é que me pode contar desses quadros?

São paisagens. Sobretudo quadros do meu tio-avô, que era um pintor de paisagens, como aliás eu também sou. Fiz uma coisa interessante. Há cinco anos visitei Milwaukee, nos Estados Unidos, para onde o meu tio-avô tinha emigrado com trinta anos. Descobri vários quadros dele, em restaurantes, em casas. O que é interessante é que vi coisas que eram mais próximas do meu trabalho, do trabalho que faço nos últimos 15 anos, do que dos quadros que tínhamos em casa na Suíça!, (feitos antes da partida para os Estados Unidos). Já pensei que fiz o mesmo percurso e continuei a evolução que ele (talvez) tivesse feito, porque de certa maneira fui programado para fazê-la através da presença desses quadros. Talvez esta ideia pareça forçada, mas gosto de especular quanto à origem dos nossos critérios pessoais...

 

Esses quadros descobertos nos Estados Unidos resultam de uma viagem. Como no seu caso. As paisagens acontecem na sua pintura depois de sair do seu sítio de origem. A sua primeira fase, ainda nos anos 70, era uma fase desconstrutivista. Só depois de se instalar em Portugal se centrou nas paisagens.

As paisagens sempre foram o foco da composição do meu trabalho, também na fase analítica; mas a imagem paisagística em si voltou em força na segunda metade da década 80.

 

Foi o amor que o fez ficar. Mas que tipo de coisa pensou que era possível fazer em Portugal e que não seria possível noutro sítio? Ou isso não pesou?

Não pesou na decisão de me radicar cá. Felizmente, cresci com a liberdade enorme de não me sentir particularmente ligado a nenhum sítio ou país.

 

Portugal era, como continua a ser, um país periférico no mundo das artes.

Isso não me interessava. Estou a viver aqui por causa da Nucha [Ana Nobre de Gusmão], gosto muito do país, de viver cá. A minha profissão permite-me executá-la onde quero. As outras coisas são secundárias. De qualquer maneira, não me falta nada...

 

O que é que o faz gostar do país?

Há uma qualidade de vida que não vejo na Suíça, ou na Europa Central, ou nos Estados Unidos. Há uma solidariedade entre as pessoas, um laisser faire, que eu penso que traduz qualidade de vida. Qualidade de vida mental.

 

Quando fala do laisser faire, eu, que sou portuguesa, penso no laxismo e no desenrascanço português.

Não. Trata-se de um respeito pelos outros. Não impor regras na vida dos outros.

 

Não lhe incomoda o facto de as coisas não funcionarem no país?

Bem, estamos a sobreviver, não é? Estive agora a reconstruir um moinho aqui no Alentejo. No início ia ser um ano, talvez um ano e meio; demorou uns quatro anos... 90% do atraso deve-se à falta de seriedade dos trabalhadores no que toca ao cumprimento de prazos. Foi um pesadelo! Mesmo assim, prefiro viver cá. Na Suíça a obra iria acabar na data prevista, claro, mas isso não é qualidade. Ou é uma qualidade que não me interessa tanto como a qualidade da liberdade.

 

A qualidade de vida que lhe interessa, que é a da liberdade, tem que ver com uma dilatação do tempo? O tempo escorre e não é estruturado ao segundo.

Com certeza. E isso permite pintura. A pintura é atemporal. Um quadro é uma imagem suspensa no tempo. Está lá tudo, está sempre tudo no quadro, mas viajar no quadro exige tempo, exige demora.

 

O filósofo grego Heraclito dizia que não podemos entrar duas vezes no mesmo rio; o movimento é contínuo, donde, será sempre um outro rio. Um quadro é uma cristalização de tempo, seja de uma paisagem, seja de uma situação.

Sim. Mas podemos inverter a proposição: não somos a mesma pessoa a entrar no mesmo quadro, nunca é a mesma pessoa que está a ver o mesmo quadro.

 

Uma paisagem pintada por si há 15 anos não resultaria da mesma maneira pintada hoje.

Com certeza.

 

Começou por fixar-se no Penedo, na Serra de Sintra. De que modo a paisagem idílica de Sintra marcou a sua pintura e o que produziu naquele período?

Este interesse pelas imagens românticas... O Romantismo é a maneira de pensar dominante dos últimos duzentos anos. Interessa-me sobretudo investigar o processo do que acontece quando olhamos para pinturas. Porque é que é diferente olhar para uma paisagem verdadeira?, qual é a diferença?, porque é que temos tanto esforço, tanto trabalho, para ter esta ideia de arte? Esta ideia de arte que não serve para nada!

 

Não?

Aparentemente. Mas não é assim, claro. Serve para coisas importantes. Tem sobretudo que ver com a auto-limpeza que cada um faz da memória recente e da memória a médio prazo. Limpar, limpar a cabeça. Arte, música, literatura, têm que ver com isso.

 

Estava a pensar numa paisagem verdadeira e numa paisagem que está num quadro. O quadro, a arte, é uma forma de o humano se transcender em relação ao real.

É, é. Essa transcendência liberta-nos de pensar, de ter associações livres.

 

Liberta-nos, em última instância, de pensar no que é fundamental e terrível: o sentido do ser, da morte. A arte não serve para nada, a não ser para nos libertar da angústia que isto nos provoca.

É exactamente isso.

 

Voltando ao Penedo. A escolha do sítio foi importante porque queria pintar paisagens impregnadas de romantismo? Ou foi aquele sítio que o fez pintar dessa maneira?

Não. O interesse é anterior. Tinha um interesse por este tipo de paisagem, e gostei, como ainda gosto, de Sintra. Não há outra paisagem assim na Europa, é rara e incrivelmente bonita. Eu estava à procura de um sítio para viver, e na altura era barato encontrar lá casa.

 

Fale-me do encontro com o Romantismo.

Foi através dos quadros que via nos museus, para além da literatura e da história, claro.

 

Os quadros dos Impressionistas, Renoir, Monet?

Também. Os últimos quadros do Monet são muito, muito importantes. Mas comecei pelo Turner e pelo Goya, que, para mim, são o início da pintura moderna e, logo no início, a essência da pintura romântica. O Romantismo, finalmente, é uma maneira de ver a morte através da beleza. No Romantismo, beauty, tem sempre essa ligação... Vou dizer em inglês: «When we recognize beauty, if we really recognize it, then we also recognize simultaneously our own death» [Quando reconhecemos a Beleza, se realmente a reconhecemos, reconhecemos simultaneamente, também, a nossa própria Morte]. Há uma relação muito estreita entre estas duas coisas.

 

Falou agora em inglês porque era uma coisa tão preciosa que não poderia tê-la dito em português?

Não tenho a mesma segurança na utilização das palavras portuguesas. Por isso, frases assim, é melhor dizer em inglês.

 

Na sua asserção, o Belo e a Morte olham-se intimamente. No Werther, de Goethe, o Belo, o Amor e a Morte tocam-se, e a presença da paisagem é significativa na vivência destes sentimentos. Vivendo com uma escritora, sente-me muito sugestionado por paisagens literárias?

Não há uma correlação directa entre a literatura e a pintura – a diferença entre to depict e to describe, em inglês. São registos diferentes. Nunca pinto paisagens que existem, são sempre invenções.

 

Mas são sempre derivações do que já viu.

Claro que entra e é utilizado tudo o que vejo, no mínimo subliminarmente. Mas o que me interessa são os elementos da pintura da paisagem, o modo como os vários elementos se conjugam. Estabelecer uma paisagem da pintura através da pintura da paisagem, portanto.

 

Consegue dissecar esses elementos românticos?

O Romantismo é um elemento em si próprio, dentro deste discurso. Como é atitude, entra na obra ao nível da esperança ideológica, não ao nível sintagmático. Mas trato o Romantismo como mais um elemento da pintura, sim.

 

Em última instância, isso é harmonia, numa conjugação de todas essas coisas.

Harmonia com o pensamento que temos, sim, harmonia entre mensagem e execução, sim. Não é necessariamente uma harmonia estética – nem tem de ser!

 

Depois da fase romântica, se podemos dividi-las e apelidá-las desse modo, aproximou-se da estética oriental. O que aqui está subjacente, de qualquer modo, é sempre a natureza.

É. Mas o que me interessa mais na pintura oriental é o sossego. A pintura oriental afasta o pintor, mas também o espectador, de si próprio de uma maneira completamente diferente da pintura europeia.

 

Como assim?

A pintura europeia é mais presente, mais narrativa, é um diálogo hermeticamente fechado, (da pintura consigo própria).

 

Na pintura oriental há uma deslocagem? Uma distância que provoca esse sossego?

É isso, pois. É um entendimento filosófico da pintura.

 

O lado filosófico fê-lo envolver-se com a corrente estética?

O meu interesse pela pintura oriental começou muito cedo, quando estava nos Estados Unidos, na universidade; aí, há colecções incríveis de pintura chinesa e japonesa.

 

Estudou filosofia Zen?

Bem, li alguns livros. Durante um tempo interessei-me muito pelo budismo, mas afinal, sou mesmo agnóstico militante! Ninguém vai me dizer que sabe do que é que tudo isto se trata!

 

Interessa-lhe o lado filosófico, mas não o religioso. A relação com a terra e a paisagem é a tradução da relação que temos com o sítio a que pertencemos. Que nos molda, nos influencia. Onde é que situa a sua pátria?

Na minha cabeça. Felizmente não tenho esse problema – o de sentir-me pertencer exclusivamente a um sítio. Sinto-me muito bem aqui, muito bem na Suíça, muito bem nos Estados Unidos. Tenho a certeza que amanhã posso emigrar para o Sri Lanka, Austrália, e posso viver lá.

 

O facto de ser um pintor de paisagens e de ser indiferente às paisagens é a confirmação de que a sua pátria está na sua cabeça?

Pois. Mas não sou de maneira nenhuma indiferente as paisagens! Só não tenho uma específica, que é minha porque cresci nela, e que na maioria dos casos é considerada a melhor do mundo!

 

A sua fase é agora mais abstracta; as paisagens estão muito mais diluídas.

Cada vez mais diluídas, sim. E com mais cor.

 

Numa relação mais distante percebemos sombras e movimentos, mas numa observação mais aproximada, tudo está diluído. Como chegou a este caminho?

Estou a criar mais espaço. Os quadros mais recentes têm mais espaço. Custa um bocadinho mais entrar neles, mas uma vez lá, têm muito mais espaço.

 

Respiram mais?

Exactamente. Isso interessa-me. Se posso fazer qualquer coisa, se posso fazer quadros que talvez dêem um minuto ou dois minutos de descanso, de respiração profunda... Já fico contente.

 

Há pouco dizia que a arte não serve para grande coisa, mas a verdade é que não poderíamos viver sem ela.

Esperemos que tenha razão! Quando começamos a olhar para a arte, aparentemente não há recuo. É uma one way road, um sentido único. Mas há muitas pessoas que só vêem o bloco de mármore, que não vêem a Pietà.

 

O que é que esse embrutecimento face a uma obra de arte lhe provoca? Revolta-o?

Ah, não, nada. Eu sou vegetariano, e há pessoas que comem carne. Não estou interessado em mudar isso nas outras pessoas.

 

A sua carreira é sobretudo sólida na Europa. Se vivesse num outro país, provavelmente teria uma outra projecção. É relevante para si?

Não, porque estou a viver bem. O que quero é viver bem para fazer o meu trabalho. E estou a fazê-lo. O resto é marketing.

 

Há esta dispersão geográfica, Suíça, Estados Unidos, Portugal. Qualquer artista pensaria concentrar-se no mercado americano, como se este, verdadeiramente, fosse o sintomático de uma carreira mundial.

Mas isso é totalmente ilusório. Se temos amigos no mundo da arte na América ou Suécia, tudo bem. Se temos exposições na América e na Suécia, tudo bem. Mas não muda o trabalho. Não, espere, não é verdade: porque se for mal feito, muda o trabalho. Há muitos artistas que estão sempre em viagem, sempre a estabelecer contactos, a fazer o próprio marketing. Isso é uma perda de energia incrível e nota-se no trabalho, que se torna superficial.

 

Em que pensa quando pinta?

Tudo, tudo. Pintar é também uma forma de meditação, de ioga, se assim se pode dizer. O corpo está a fazer coisas, está activo, e a cabeça está livre para pensar. Também funciona assim para o espectador, se ele/ela permitir!

 

 

Publicado originalmente na Revista Elle

Michael Biberstein morreu em 2013 

 

 

 

 

 

 

Festival Somos Douro | 1 a 17 Junho | 19 municípios

20.05.18

O meu diário do Somos Douro.

Dia 1

Somos Douro, dia 1! Com Tati a espreitar, Rita e euzinha orgulhosas da nossa Priscilla, rainha do Douro, a sair. Que emoção! Camané na abertura do Somos Douro, em Lamego (teatro lindo), com a participação de alunos do Conservatório de Música de Vila Real. Sei de um rio, sei de um rio... Obrigada pela presença, ministro Luís Filipe Castro Mendes, obrigada José Freire de Sousa pelo convite para ser comissária do festival, obrigada a todos. Vamos percorrer 19 municípios do Alto Douro Vinhateiro até 17 de Junho.
Organização: CCDR-N.

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Dia 2

Já começou o Fórum Somos Douro, com diversas mesas de trabalho e foco nos jovens durienses, nas suas ideias, potencialidades e projectos para o futuro. Os dinamizadores de cada mesa: Bárbara Reis, Capicua, Pedro Santos Guerreiro, Rita Ferro Rodrigues. Na Régua.

E aqui o Somos Douro no Expresso.

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A Secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Rosa Monteiro, que admiro tanto, esteve no encerramento do Fórum Jovem no Somos Douro (2 Junho, Régua). Foi muito interessante ouvir as conclusões de um dia de trabalho, com dezenas de jovens de toda a região duriense, e perceber que muitas das questões levantadas são comuns às preocupações e linhas de acção da Rosa, enquanto governante. Inclusão, comunicação, igualdade, trabalho em rede são algumas das palavras nucleares. Muito obrigada a todas e todos por terem estado, por nos ajudarem a auscultar os problemas e potencialidades desta região, património mundial da UNESCO. No final, foto de família no Museu do Douro.

 

Dia 3

Começámos em Mesão Frio com Pedro Mexia a falar de Agustina, às 11h da manhã. A biblioteca municipal estava cheia, cheia, com pessoas sentadas no chão e pelas escadas. O melhor de tudo foi ouvir alunos do 12º ano que tinham trabalhado com professores abordagens possíveis à obra da escritora (e relação com o património duriense), e relações com autores como Miguel Torga e Eça de Queirós. São alunos que vão ter exames em breve. Mesmo assim, com a persistência da vereadora da Educação e Cultura de Mesão Frio e o acompanhamento dos professores da escola local, inventaram tempo para pensar sobre isto e, com segurança, interpelar Pedro Mexia. Fiquei tão contente! Pensei: só por isto, já valeu a pena o Somos Douro. Muito obrigada.

 

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Dia 3

Canta porque canta, sente-se feliz! O Somos Douro foi recebido assim em Armamar, pelo orfeão da universidade sénior. Uma pessoa até chora.

Foi lindíssima, a sessão do Bernardo Pinto de Almeida na Régua (onde o professor, poeta e ensaísta nasceu), sobre a paisagem na História da Pintura. Começámos em Pompeia, chegámos a Pollock. Nunca mais vou ver o cão de Goya da mesma maneira. Relembro que todas as acções do Somos Douro são de acesso gratuito e dirigem-se a todos.

"Ninguém imita melhor do que eu uma bela vida": fim do "Vale Abraão" de Manoel de Oliveira e de Agustina Bessa Luís. Leonor Baldaque, actriz de Oliveira, neta de Agustina, escritora editada pela Gallimard fez um trabalho admirável de comentário do filme e do livro. Tantos ângulos de ataque, tantas possibilidades de entrar neste universo misterioso... Foi em Armamar, território agustiniano, no festival Somos Douro, ontem. Leonor começou por falar da importância das horas em que não acontece nada, ou seja, das horas mais importantes; é daí que brota um mundo. Ando a ouvir isso na minha cabeça desde então.

Álbum do fds Somos Douro: Capicua, Bárbara Reis e Rita Ferro Rodrigues (dinamizadoras das mesas de discussão com o Pedro Santos Guerreiro); José Freire de Sousa, presidente da CCDR-N, que me convidou para ser comissária deste festival; a equipa do Vítor Devesa da CCDR-N, com Joel, Zélia e Isabel (falta a Ana Magalhães); a máquina Julita Santos, produtora executiva, os amigos Vasco, Paula, Conceição, Rosarinho, Pedro, Zé António e Carlos, em Mesão Frio. Obrigada à Territórios Criativos, que participou na organização do Fórum Jovem.

Ainda houve tempo para saltar à corda numa pausa do Somos Douro. Com a Isabel Lopes Gomes e a Mariana, apanhadas pelo Bernardo Pinto de Almeida.

 

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Dia 4

Como filmar um beijo? Há o beijo do ET que cita o filme de Ford Americano Tranquilo. O beijo de Até à eternidade. O beijo com um gato no meio de Breakfast at Tiffany's. O filme em suspensão d' A Infância de Ivan de Tarkovski. Como surgem os personagens? Como se conta a história, como encontrar o nosso modo de narrar, o ritmo? Como se contaminam as linguagens verbal, visual e musical? Ana Margarida De Carvalho está a fazer uma residência artística em Santa Marta de Penaguião esta semana, no contexto do Somos Douro, e dirige duas oficinas de escrita: uma para adultos e outra para público escolar. Na primeira, ontem, aproximou-nos da literatura através de filmes e letras de canções. Falou, por exemplo, dessa peça fascinante que é A Rosa Púrpura do Cairo, entre a ficção e a realidade. Que maravilha, poder assistir. E que acolhimento! Obrigada a toda a equipa da Câmara de Santa Marta, que ainda nos levou a jantar ao restaurante da D. Hermínia do Marão (nem vos conto...).

Está a ser: oficina de escrita de Tatiana Salem Levy em Carrazeda de Ansiães. 20 alunos do 12º ano.

Câmara de Santa Marta de Penaguião: obrigada!

 

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Dia 6

Entre as centenas de entrevistas que fiz, a de Alberto Carneiro ocupa um lugar especial. Foi poucos anos antes da morte do artista. Ontem, em Carrazeda de Ansiães, dei com esta escultura lindíssima, Os Sete Livros da Vida, acompanhada de árvores e de verde. Que felicidade! Deixo-vos este excerto que me inspira muito: "Fiz a tropa, um ano em Lisboa; quando regressei levava uma decisão: não viver mais em São Mamede. Tinha feito o quarto ano nocturno do curso de escultura decorativa na [escola] Soares dos Reis, no Porto, e queria ir para as Belas Artes. Foi entre os 17 e os 20 anos. Ia de bicicleta de São Mamede para o Porto. Fazia 40 quilómetros diários. Depois de oito horas de trabalho. Cinco horas de aulas. Foi um bocado duro, não é? Mas realizou-se. Quando regressei da tropa não estava disposto a continuar com a mesma vida. Disse isso aos meus pais – que ia abandonar a actividade de santeiro. A minha mãe perguntou-me: “Vais viver como?” “Logo se arranja alguma coisa”. E arranjou-se."

Já em território aquiliniano! Bom dia, Sernancelhe. Somos Douro hoje aqui.

Nestes dias em que atravesso 19 municípios, para celebrar a região duriense, interrogo-me sobre o alcance de um programa que desenhei há meses, em casa, longe deste território, ainda que ele faça parte da minha biografia. Interrogo-me sobre o impacto efectivo que o Somos Douro pode ter na vida das pessoas. Acho que encontro algumas respostas quando olho para estas imagens de Santa Marta de Penaguião, onde a Ana Margarida De Carvalho orientou oficinas de escrita

Tatiana Salem Levy partiu destas duas imagens para a oficina de escrita na biblioteca de Carrazeda de Ansiães. Uma pintura de Hopper e uma fotografia de Pedro Loureiro. Esta diz respeito à geografia da região, a outra representa a evasão e um sonho distante. Foi também esta dicotomia, entre o desejo de sair e a sensação de pertença àquele lugar, que apareceu nos textos dos alunos de 12º ano. Curiosamente quase todos escolheram trabalhar a partir da fotografia; mas um aluno que escolheu Hopper fantasiou a existência de um empregado de mesa naquele quadro (afinal, se é um espaço de refeição, tem de haver um empregado de mesa, mesmo que ele não se veja...). Que maravilha. 

Tatiana disse-lhes também que eles já têm um património importante, aquilo que nutre um escritor: a sua infância, uma identidade.

Uma pessoa chega a Sernancelhe e sente-se em casa! Não há palavras para agradecer o acolhimento. Terra natal de Aquilino Ribeiro, partimos da obra e imaginário do escritor para este dia do Somos Douro, com os especialistas Alberto Correia e Serafina Martins e o neto, Aquilino Machado. No final, comemos fálgaros e outras comidas aquilinianas com espumante das Terras do Demo.

Agora pensem. Somos Douro no município de Sernancelhe.

 

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Dia 7

Maria Mota, cientista brilhante, a partilhar a sua paixão pela ciência, a ensinar-nos tanto sobre a doença da malária. Terminou dizendo: no IMM procuramos perguntas! Não é respostas, é perguntas. Tanta coisa a dizer a partir daqui... Fomos recebidos em Vila Real pela vereadora do ambiente Mafalda Vaz de Carvalho. Obrigada a todos, em especial à vice-presidente da câmara Eugénia Almeida.

António Feijó no Palácio de Mateus: de uma famosa carta de Pessoa no seu dia triunfal ao verso do fim (I know not what tomorrow may bring), tradução inglesa de um verso de Horácio. Somos Douro a celebrar os 130 anos do nascimento de Fernando Pessoa. Ah, e Ofélia detesta o histérico do Álvaro de Campos...

 

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Dia 8

Torre de Moncorvo: já cá estamos!

O Somos Douro e a Ordem dos Arquitectos (secção regional norte) promovem um roteiro de arquitectura na região. Começámos hoje com a visita ao Museu da Vila Velha de António Belém Lima em Vila Real. Visita conduzida pelo autor e por Ana Vaz Milheiro. Obrigada a todos, em especial à Cláudia Da Costa Santos. Prosseguimos na segunda feira e dias 15 e 16.

Uma igreja cheia, num sábado chuvoso e frio, para ouvir Richard Zimlersobre judaísmo (algumas ideias falsas: que todos os judeus são ricos e instruídos; no século XVI, em Belmonte, havia 77% de mulheres analfabetas, os homens, 23%). Zimler falou de um Portugal multicultural, muito antes de a palavra se usar. Interessantíssimo. E que dizer da Câmara de Torre de Moncorvo que ofereceu à população dezenas de exemplares de O Último Cabalista de Lisboa? O escritor, que disse que em 22 anos nunca viu um gesto assim, autografou livros pela tarde fora. Somos Douro: acompanhe a nossa viagem.

 

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Dia 9

Domingo de manhã no concelho de Tarouca. Somos Douro.

De como um astrónomo foi desconsiderado por ser diferente. Da importância vital de limparmos os nossos vulcões-raiva, adormecidos ou activos. Do cuidado com a nossa rosa, mesmo que vaidosa, birrenta, esquisita. E aquele homem de negócios que só queria ter coisas para as ter, mas que não tinha nenhuma curiosidade acerca delas... E como conservar a imaginação e manter por perto a criança que há em nós? E como enfrentar o medo? Ohh, façamos como O Principezinho: perguntas, sempre perguntas. Curiosidade para o mundo e para o outro. E preparemos o coração para o que mesmo importa. Que isso nos permita criar laços.

Foi simplesmente mágica, esta tarde, em Parada do Pinhão: a psiquiatra Manuela Correia, na casa onde viveu o seu marido, o mítico editor da Assírio e Alvim Manuel Hermínio Monteiro, falou com dez meninos sobre o clássico de Exupéry, editado há 75 anos. Os pais assistiram, mas não intervieram. Juntos, preparando-se para a conversa-oficina, leram o livro. Agora, é saber como vão florescer as rosas hoje plantadas.
O Somos Douro no concelho de Sabrosa. 

 

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Dia 10

Esta é a imagem de segunda-feira do Somos Douro (há tantas mais, já partilho...). Eduardo Souto Moura e José Freire de Sousa são amigos há 50 anos (e há 50 kg, gracejou o arquitecto), foram colegas de liceu. O presidente da CCDR-N, que promove o Somos Douro, levou fotografias desse tempo. Souto Moura esteve no Espaço Miguel Torga, de que é autor, em Sabrosa.

Joel Cleto nos concelhos de Tarouca e Penedono: Somos Douro no domingo. Organização da CCDR-N, programa actualizado em www.anabelamotaribeiro.pt. Sigam viagem connosco! Fotografias do Egídio Santos.

O Somos Douro na adega do Portal de Siza Vieira. Visita guiada por Álvaro Fonseca, do atelier de Siza, e Cláudia Da Costa Santos, presidente da Ordem dos Arquitectos, secção regional norte.

Quando o Somos Douro recebe o galardoado com o Leão d’ Ouro em Veneza... Obrigada, Eduardo Souto Moura, pela visita e partilha no Espaço Miguel Torga, em Sabrosa. Obrigada à arquitecta Graça Correia Ragazzique fez uma interpretação do espaço e desencadeou uma conversa interessantíssima com Souto Moura. Obrigada à equipa de Sabrosa pelo modo como nos receberam. 

"Torga é um poeta em quem um país se diz", disse Sophia. Torga é aquele que põe no existir a razão absoluta do escrever, sintetizou Carlos Mendes de Sousa. Que imersão no imaginário do autor! E ficámos tão contentes com a presença (surpresa) da Clara Crabbé Rocha, a filha de Torga. Mais um motivo de celebração no Somos Douro (dia inteiro passado em Sabrosa). Uma última frase, inspiradora: "Faz sempre tudo a sério, mas nunca te leves a sério". 

 

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Dia 11

O Somos Douro inclui conversas, espectáculos, roteiros e oficinas, percorremos os 19 municípios da região duriense que recebeu o selo da UNESCO há 16 anos; seguimos viagem até dia 17. Em Freixo de Espada à Cinta a oficina de fotografia foi conduzida por António Sá. Claro que nem a chuva os deteve, a ele e aos participantes!

Palavra de Sophia: "irremediável", a vida "suja, hostil, inutilmente gasta" que está no poema "Cidade" de 1944, que está nos contos para a infância, por exemplo na Fada Oriana (porque o belo, a harmonia, o equilíbrio têm sempre em si um monstro suspenso). Sophia, a transparente, a que traz a palavra "aliança" (que o nosso ser coincida com os outros seres), a do louvor e protesto, a da parede branca, nua e lusa. Ana Luisa Amaral deu a ler esta Sophia numa sessão verdadeiramente mágica em São João da Pesqueira. Havia dezenas de meninos do 5º ano, havia adultos, biblioteca a abarrotar e uma sensação de felicidade no ar. Sinto gratidão às gentes que ali foram. Sinto-me realizada como comissária do Somos Douro.

Somos Douro em Moimenta da Beira a celebrar Aquilino Ribeiro. Com Aquilino Machado, o neto do escritor, a conduzir uma visita à Casa-Museu, e Irene Flunser Pimentel a traçar o tempo histórico de Aquilino, em especial o de “Quando os lobos uivam”, editado há 60 anos.

“Estou no crasto de Palheiros, em Murça.”

Uma porca que não é uma porca e um crasto que não é um castro: a linha de que partimos ontem, em Murça, com António Carvalho, director do Museu Nacional de Arqueologia, e Maria de Jesus Sanches, professora da faculdade de Letras do Porto. Visitámos a porca de Murça e o crasto de Palheiros, havia alunos da universidade sénior de Murça e alunos de arqueologia do Porto! Foi maravilhoso vê-los juntos. Continuámos, já à noite, com o historiador Fernando Rosas a apontar os vários desenhos que a Europa conheceu nos últimos 100 anos. Curioso pensar que estamos agora, 2018, perto da configuração que a Europa assumiu no pós-tratado de Versalhes. Nota quiçá pessimista e final: a Europa não tem a centralidade no mapa mundi que sempre teve. Como vai lidar com a nova disposição das peças no tabuleiro?

 

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Dia 12

Em Torre de Moncorvo.

Sem estas miúdas, o Somos Douro não se fazia! Obrigada, Julita Santos, mega produtora executiva, e Helena Teles, responsável da CCDR-N em Vila Real.

"Quando o viajante entra em Torre de Moncorvo, já há muito tempo que é noite fechada", escreveu José Saramago na sua Viagem a Portugal. Quando ontem o Somos Douro entrou em Torre de Moncorvo, o sol ia adiantado, a biblioteca estava cheia. Dias antes, era um frio de Inverno. Estações trocadas, o mesmo calor da recepção. Comecei por ler este fragmento de uma entrevista que fiz ao prémio Nobel português: "Os meus pais sacrificaram-se muito e deram-me estudos para ir para a universidade? Não, tive estudos que estavam ao meu alcance e ao alcance da bolsa da família: estudei para ser serralheiro mecânico. Fui serralheiro mecânico. Depois fui várias coisas ao longo da vida. Li muito. Livros meus só os tive quando tinha 19 anos, quando pude comprar, com dinheiro que um amigo me emprestou." Jose Luis Peixoto, que recebeu o prémio Saramago com apenas 26 anos, falou do legado do escritor, da importância de encontrar um espaço próprio, do lugar da literatura, da pergunta contínua que é feita na escrita: quem somos?, da força planetária de Saramago, do prazer impermanente que é escrever, da diferença entre obra e carreira (obra é o que fica e o que justifica tudo), do seu começo com uma edição de autor de Morreste-me, do envelope que chegou pelo correio a Maria do Rosário Pedreira com o romance que mudou tudo, dos cinco mil contos do prémio que mudaram a vida de um professor (que era o que Peixoto era) que vivia na angústia dos mini-concursos e de colaborações esparsas para jornais. Que tarde. Obrigada a todos, também à Fundação José Saramago

António Jorge Gonçalves em São João da Pesqueira numa das oficinas do Somos Douro (tivemos duas de escrita, uma de fotografia e uma de desenho, além de conversas-oficinas ao longo de todo o programa). 

 

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Dia 13

O que pode resultar do InCode.2030? Uma coisa tão simples e significativa na vida de todos os dias como ensinar a população idosa a ligar o skype (e assim falar com familiares emigrados) ou abrir conta de email, ou como capacitar jovens ou minorias para a literacia digital. No Somos Douro, vamos ter dois programas piloto, um deles a decorrer em Tabuaço. Na imagem, Sofia Marques Da Silva, que coordena o eixo Inclusão, em Tabuaço. O programa é promovido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e pelo Ministério da Presidência e da Modernização Administrativa. 

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Dia 14

Vamos!!! Somos Douro a enlouquecer com o terceiro de Ronaldo! Na Taberna da Julinha (que sabe que o seu leite creme é como o Cristiano: o melhor do mundo) no Pocinho, a dois passos de Foz Côa. Com Rita Ferro Rodrigues, super arquitecto do CAR Álvaro Fernandes Andrade, as presidentes da Ordem dos Arquitectos, secção regional norte e sul, Cláudia Da Costa Santos e Paula Torgal, tantos arquitectos, presidente da câmara de Foz Côa, gabinete da câmara (incrível Andreia), Eng. Ricardo Magalhães e equipa CCDR-N, amigos, e o Zé António. Obrigada por esta alegria.

Ponha o Douro no Mapa: concurso para jovens youtubers (sobretudo durienses) entre os 13 e os 30 anos, com a coordenação de Rita Ferro Rodrigues. Organização do Somos Douro: CCDR-N. Esta iniciativa tem o apoio do Turismo de Portugal, da Câmara de Foz Côa e da Glymt.

Centro de Alto Rendimento do Pocinho do arquitecto Álvaro Fernandes Andrade. Visita integrada no roteiro de arquitectura do Somos Douro, organização da CCDR-N e da Ordem dos Arquitectos, secção regional norte.

Puro encantamento: António Jorge Gonçalves, Filipe Raposo e Ana Brandão ontem à noite em Foz Côa. Desenho efémero na fachada do museu, piano e voz. Organização do Somos Douro: CCDR-N. Co-produção do Museu do Côa (obrigada, Bruno Navarro).

A elegância do traço. O movimento ("estão a ver estas três cabeças?"). O espanto de ver qualquer coisa que, como um rumor fundo e persistente, vem de um tempo que nem conseguimos imaginar quando foi, mas que se manifesta num código que é também o nosso. O escritor João Pinto Coelho, arquitecto de formação, último vencedor do prémio Leya, partiu para a visita ao parque arqueológico do Côa com mais perguntas que respostas, e com a ideia de que todos faríamos ainda mais perguntas no fim da visita. Por exemplo, porque é que se faziam desenhos em sobreposição quando havia, ao lado, uma superfície limpa, intocada? Que coisas diriam aqueles nómadas do Paleolítico a outros nómadas do Paleolítico através daquelas gravuras? Temos hipóteses interpretativas, claro, mas, pessoalmente, como o João, gosto sobretudo das perguntas que ficam no ar e nos acompanham pelos dias. 

O Somos Douro esteve no Côa este sábado, com um calor imenso (mais cinco graus lá no fundo do xisto, apesar do rio ao alcance da mão); só de pensar que uma semana antes estávamos de botas e debaixo de chuva... Éramos mais de 60, na visita.

Camilo Rebelo e Tiago Pimentel andavam pelos 30 quando desenharam o Museu do Côa. Passaram 10 anos (pouco mais) e os arquitectos conduziram uma visita ao edifício, no Somos Douro. Com eles estava a engenheira Ângela Nunes, uma das responsáveis pela obra (que, por exemplo, encontrou a cor da pedra, procurada meses, essencial para a inserção do objecto-museu na paisagem, sem agressões). Que projecto incrivelmente belo, harmonioso, fulgurante; e foi lá que vi uma das peças mais impressionantes destes dias: uma instalação de Ângelo de Sousa, feita de espelhos, ângulos obtusos, linhas de fuga que dão para todo o lado. Este roteiro foi co-organizado pela Ordem dos Arquitectos, secção regional norte. Obrigada à Cláudia Da Costa SantosBruno J. Navarro, Câmara de Foz Côa.

 

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Dia 15

Adeus, ó meus amores, que me vou. Somos Douro, quase fim, no Pinhão.

No Pinhão, chegámos ao fim do Somos Douro, com bandas de música da região. Uma delas tem 150 anos, outra 110. Os elementos vão dos 80 aos (talvez) quatro anos. As bandas têm um lugar tão importante na vida da comunidade... Obrigada a todos os que foram e nos ajudaram a fazer a festa. Estavam 35 graus, fizemos um piquenique junto ao rio e aos vinhedos, paisagem de beleza irreal. E quatro harpistas galegas sintonizaram-nos com um sonho lindo no fim-fim. Grata.

Senti-me entre político em campanha eleitoral e vocalista de banda rock. Percorri um território vasto, belo, com pertenças e realidades distintas, distinguido pela UNESCO há 16 anos como património mundial. A convite do presidente da CCDR-N, desenhei um festival, o Somos Douro, que decorreu entre 1 e 17 de Junho em 19 municípios, e que me permitiu reviver a minha geografia (cresci em Vila Real), conhecer pessoas, viver intensamente, aprender tanto. Houve dias em que acordei em Vila Real, acompanhei uma conversa sobre Sophia em São João da Pesqueira, segui para Moimenta da Beira com Aquilino e Irene Flunser Pimentel. Foi muito intenso, fisicamente desgastante, mala às costas, frio e calor, as minhas orquídeas para que olho agora e as rotinas de casa como uma lembrança longínqua, uma compreensão do tempo elástica, alterada. O fôlego era retomado com a alegria e a gratificação de perceber que o festival era acolhido; talvez pela primeira vez, acontecia qualquer coisa que dava uma unidade àquele extenso mapa, que não deixava ninguém de fora. A inclusão foi uma ideia capital: em todos os municípios havia, pelo menos, um evento. Agora escrevo de casa, ainda atoada, exausta, com a certeza de que preciso de tempo para integrar o que ali vivi. Sou profundamente grata às dezenas de pessoas que nos últimos meses se envolveram para que o festival acontecesse, cada pessoa de cada câmara e cada equipamento local, àqueles que assistiram e nos dirigiram palavras tão encorajadoras, à equipa da CCDR-N, à produtora executiva Julita Santos, ao prof. Freire de Sousa pela contínua confiança em mim e pela total liberdade para desenhar um projecto como este. Fui a comissária, mas claro está que, sem estes todos, nada teria acontecido. 

Muito obrigada aos participantes (pela ordem de entrada no festival): Camané, Orquestra de Câmara do Conservatório Regional de Música de Vila Real, Bárbara Reis, Capicua, Pedro Santos Guerreiro, Rita Ferro Rodrigues, Pedro Mexia, Leonor Baldaque, Bernardo Pinto de Almeida, Ana Margarida De Carvalho, Tatiana Salem Levy, Alberto Correia, Aquilino Machado, Serafina Martins, Maria Manuel Mota, María Salgado, António Feijó, Cláudia Da Costa Santos, António Belém Lima, Ana Vaz Milheiro, Eduardo Souto Moura, Graça Correia Ragazzi, Richard Zimler, António Sá, Manuela Correia, Joel Cleto, Carlos Mendes de Sousa, Carlos Pazos, Ana Luísa Amaral, Irene Flunser Pimentel, António Carvalho, Maria de Jesus Sanches, Fernando Rosas, António Jorge Gonçalves, Sofia Marques Da Silva, José Luís Peixoto, Álvaro Fernandes Andrade, Camilo Rebelo, Tiago Pimentel, Ângela Nunes, João Pinto Coelho, Filipe Raposo, Ana Brandão, Bandas Filarmónicas da Região, Patrício Costa, Chef Rui Paula. 
Obrigada às populações e câmaras de (e por ordem alfabética): Alijó, Armamar, Carrazeda de Ansiães, Freixo de Espada à Cinta, Lamego, Mesão Frio, Moimenta da Beira, Murça, Penedono, Peso da Régua, Sabrosa, Santa Marta de Penaguião, São João da Pesqueira, Sernancelhe, Tabuaço, Tarouca, Torre de Moncorvo, Vila Nova de Foz Côa, Vila Real. 
Que bom foi viver convosco este Somos Douro. 
A fotografia é do Egídio Santos, que registou estes dias, com profissionalismo e talento, e me apanhou em 10 minutos de recolhimento, no Pocinho.

 

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Somos Douro é um festival de carácter multi-disciplinar, especialmente dirigido aos jovens da região duriense, que acontecerá entre 1 e 17 de Junho, nos 19 municípios que fazem parte da CIM Douro. É uma iniciativa promovida pela CCDR-N, pelos 16 anos da atribuição do selo da UNESCO ao Alto Douro Vinhateiro, com a Liga dos Amigos do Douro e a CIM Douro, que tem Anabela Mota Ribeiro como comissária.

Os verbos que servem de motor a todo o programa são:

Ser / Pertencer

Aprender / Fazer

Descobrir / Partilhar

Pretende-se, tanto quanto possível, envolver a comunidade local nas oficinas, passeios, espectáculos e conversas que compõem o programa e promover a relação (e estima) com o seu património. Todas as iniciativas são gratuitas. Teremos um autocarro a circular entre os 19 municípios e todos, todos eles têm pelo menos um evento (nenhum concelho ficará de fora desta celebração). 

O balanço das iniciativas far-se-á a 14 de Dezembro, um ano depois do anúncio deste projecto, e pelos 17 anos da distinção da UNESCO.

Inscrições e mais informações em http://www.ccdrn.pt/somosdouro/ 

 

SEXTA-FEIRA - 1 JUNHO

21.30h

Iniciativa: Concerto 

Convidado: Camané

Com a participação especial da Orquestra de Câmara do Conservatório Regional de Música de Vila Real

Local: Lamego (Teatro Ribeiro Conceição)

O clássico de Camané Sei de um Rio abre o festival Somos Douro e propõe uma viagem que se vai estender pelos 19 municípios do CIM Douro, entre 1 e 17 de Junho. O espectáculo condensa uma ideia capital no desenho do programa: envolver tanto quanto possível a comunidade local nas suas acções. Assim, convidámos a Orquestra de Câmara do Conservatório de Vila Real a interpretar este tema e outro com Camané.

  

SÁBADO - 2 JUNHO

10h - 18h

Iniciativa: Fórum  

Convidado: Vários

Local: Peso da Régua (Museu do Douro e Teatrinho da Régua)

O Fórum é especialmente dirigido a jovens e vai ouvir, em diferentes mesas de trabalho, pessoas de todos os municípios, escutar as suas preocupações, anotar as potencialidades, promover o diálogo também com aqueles que, sendo dali, estão na diáspora. Serão de vários escalões etários e áreas de intervenção, desde estudantes do secundário a empreendedores.Os dinamizadores das mesas de trabalho serão: Bárbara Reis, jornalista e ex-directora do Público, Capicua, rapper e doutorada em Sociologia, Pedro Santos Guerreiro, jornalista e director do Expresso, e Rita Ferro Rodrigues, apresentadora de televisão e fundadora da associação feminista Capazes. O Fórum, de uma maneira directa, responde a um repto lançado em 2015 por Miguel Cadilhe, um dos promotores da candidatura do Douro a Património Mundial, para que se fizesse um programa dirigido aos jovens desta região.

 

DOMINGO - 3 JUNHO

11h

Iniciativa: À Conversa Com

Convidado: Pedro Mexia

Local: Mesão Frio (Biblioteca Municipal)

Pedro Mexia é assessor para a cultura do Presidente da República, poeta e crítico literário. Grande conhecedor do universo de Agustina Bessa-Luís, vai dirigir o olhar para a força do território duriense nas obras da autora. Em 2018 passam 70 anos sobre a edição do primeiro livro de Agustina, Mundo Fechado.

 

15h

Iniciativa: À Conversa Com

Convidada: Leonor Baldaque 

Local: Armamar

Leonor Baldaque tem múltiplas ligações no Douro. É neta de Agustina, foi actriz nos filmes de Manoel de Oliveira. É escritora e publicou o seu primeiro romance na prestigiada editora francesa Gallimard. Vai fazer uma conversa a partir do filme e do livro Vale Abraão, não longe do local onde passou férias e aprendeu o que é ser do Douro. Vão ser exibidos excertos do filme.

 

18h

Iniciativa: À Conversa Com

Convidado: Bernardo Pinto de Almeida

Local: Peso da Régua (Museu do Douro)

Bernardo Pinto de Almeida nasceu no Peso da Régua. É professor catedrático da Faculdade de Belas Artes do Porto. É também poeta e ensaísta. Propõe-se dar a ver a Paisagem como tema dominante na História da Pintura. 

 

SEGUNDA-FEIRA - 4 JUNHO

18.30 - 20.30

Iniciativa: Oficina de Escrita (+ residência de uma semana) 

Convidada: Ana Margarida de Carvalho

Local: Santa Marta de Penaguião

Ana Margarida de Carvalho publicou apenas dois romances e com os dois venceu o mais prestigiado prémio literário português, o Grande Prémio de Romance APE. Respondeu com entusiasmo a dois desafios: viver uma semana em Santa Marta de Penaguião e fazer uma oficina de escrita na localidade, dirigida àqueles que gostam de escrever.

 

TERÇA-FEIRA - 5 JUNHO

10h - 13h

Iniciativa: Oficina de Escrita (+ residência de uma semana) 

Convidada: Tatiana Salem Levy

Local: Carrazeda de Ansiães

Tatiana Salem Levy é brasileira. Foi considerada pelo jornal inglês The Independent uma das mais importantes escritoras brasileiras de sempre. Além de fazer uma residência artística de uma semana, vai coordenar uma oficina de escrita, jogando com as potencialidades da língua portuguesa, falada do lado de cá e do lado de lá do Atlântico.

 

QUARTA-FEIRA - 6 JUNHO

15h30

Iniciativa: Roteiro

Convidados: Alberto Correia e Aquilino Machado

Local: Sernancelhe (Ponto de Encontro: Loja Interactiva de Turismo de Sernancelhe; chegada: Pátio Aquilino Ribeiro, Carregal)

Alberto Correia é historiador, antropólogo e um estudioso empenhado da obra de Aquilino Ribeiro. É também da confraria da castanha. O que lhe pedimos? Que celebrasse a geografia física, literária e gastronómica do escritor, que falasse a partir dos seus lugares: o Carregal onde nasceu, as ruínas do mosteiro de Tabosa e a magnífica Lapa. O neto do autor, Aquilino Machado, acompanhará o passeio e entrará em diálogo com Alberto Correia.   

 

18.30h

Iniciativa: À Conversa Com

Convidada: Serafina Martins

Local: Carregal - Sernancelhe (Pátio Aquilino Ribeiro)

A Prof. da Faculdade de Letras de Lisboa Serafina Martins estudou “Saber Viver para saber morrer. A imagem ficcional do amor em Aquilino Ribeiro” no seu doutoramento. Nas Terras do Demo fará uma leitura da sua obra, indo ao encontro dos seus temas centrais. A conversa acontecerá no Pátio Aquilino Ribeiro, à chegada do roteiro. Haverá depois um beberete aquiliniano.  

 

QUINTA-FEIRA - 7 JUNHO

15h

Iniciativa: À Conversa Com 

Convidada: Maria Manuel Mota

Local: Vila Real (Agência de Ecologia Urbana)

Nasceu em 1971 no norte, é cientista, directora do iMM, prémio Pessoa em 2013, apontada como uma das maiores especialistas do mundo em malária. Maria Mota tem paixão pela ciência e gosta de contagiar outros para a sua paixão. 

 

21.30h

Iniciativa: Concerto Abrazo-Abraço

Convidada: María Salgado

Local: Vila Real (Conservatório Regional de Música de Vila Real)

 A voz de María Salgado é apontada como uma peça-chave para entender a música castelhana. No centro do seu repertório está a herança cultural e musical de Castela e Leão. Em Vila Real, María far-se-á acompanhar de músicos espanhóis e de um músico português: Cesar Diaz, Amadeu Magalhães e María Alba. Esta iniciativa é feita em parceria com o Instituto Cervantes.

 

SEXTA-FEIRA - 8 JUNHO

18h

Iniciativa: À Conversa Com 

Convidado: António Feijó

Local: Vila Real (Palácio de Mateus) 

Professor de Literatura, António Feijó, com raízes nortenhas, é também vice-reitor da Universidade de Lisboa. Uma das suas áreas de investigação tem que ver com o Modernismo português. Evocando os 130 anos do nascimento de Fernando Pessoa (13 Junho), Feijó faz uma introdução à obra do poeta, figura maior da cultura portuguesa.

 

SÁBADO - 9 JUNHO

10h – 18h

Iniciativa: Roteiro - Prémios Arquitectura do Douro

Convidado: Acção levada a cabo com a Ordem dos Arquitectos – Secção Regional Norte.

Local: Região do Alto Douro Vinhateiro

Este roteiro tem cinco paragens, cinco edifícios assinados por nomes importantes da arquitectura portuguesa, e premiados. São eles: o Museu da Vila Velha (Belém Lima), a Adega Quinta do Portal (Siza Vieira), o Centro Cultural Miguel Torga (Souto Moura), o Museu do Côa (Camilo Rebelo e Tiago Pimentel) e Centro de Alto Rendimento do Pocinho (Álvaro Andrade). O programa será efectuado em três partes. No dia 9, a visita é ao museu da Vila Velha. No dia 11, estaremos em Sabrosa, na adega de Siza e no espaço Miguel Torga, onde o autor, Souto Moura, nos guia. Os últimos dois edificíos são visitados dias 15 e 16. As arquitectas Ana Vaz Milheiro, Álvaro Fonseca, Cláudia Costa Santos, Graça Correia e a engenheira Ângela Nunes conduzem visitas guiadas, propõem uma leitura destes edifícios. 

 

16h

Iniciativa: À Conversa Com 

Convidado: Richard Zimler 

Local: Torre de Moncorvo (Igreja da Misericórdia)

O escritor Richard Zimler nasceu nos Estados Unidos, é judeu, licenciou-se em Religiões Comparadas. Mudou-se para o Porto em 1990. O tema das religiões é central no seu universo literário (basta pensar n’ O Último Cabalista de Lisboa, que vendeu milhares de exemplares no mundo todo). Na localidade onde existiu uma importante judiaria, Zimler falará da cultura e religião judaica.

 

Dia todo

Iniciativa: Oficina Fotografia - parte I

Convidado: António Sá 

Local: Freixo de Espada à Cinta

Radicado no nordeste transmontano há anos, António Sá é um fotógrafo que tem publicado com regularidade na revista National Geographic. A paisagem está muitas vezes no centro da sua objectiva. Numa oficina de dois dias, vai ensinar coisas básicas, como olhar, elaborar uma narrativa visual, além das questões técnicas que dizem respeito à fotografia.

 

DOMINGO - 10 JUNHO

15h

Iniciativa: À Conversa Com

Convidada: Manuela Correia

Local: Sabrosa (Casa Aires Torres - Parada do Pinhão)

Um dos livros mais lidos em todo o mundo foi escrito por Saint-Exupéry há 75 anos. O Principezinho é uma obra de arte com várias camadas de leitura, dirigido a adultos e crianças. A psiquiatra Manuela Correia, viúva do editor Manuel Hermínio Monteiro, de Parada do Pinhão, conhece bem a região duriense por causa desta convivência familiar. Vai fazer uma conversa sobre os mitos do livro, discutir as razões porque ele continua a fascinar geração atrás de geração.

 

Dia todo

Iniciativa: Oficina Fotografia - parte II

Convidado: António Sá 

Local: Freixo de Espada à Cinta

 

10h - 13h e 15h - 18h

Iniciativa: Roteiro

Convidado: Joel Cleto

Local:  Tarouca e Penedono

Toda a gente conhece o extraordinário comunicador que é Joel Cleto e os seus programas do Porto Canal, que promovem um conhecimento e relação directa com o património. Durante um dia inteiro, este historiador e divulgador vai revelar tesouros e contar histórias de Tarouca (10h - 13h) e Penedono (15h - 18h).

  

SEGUNDA-FEIRA - 11 JUNHO

11h

Iniciativa: Roteiro - Prémios Arquitectura do Douro

Convidado: Álvaro Fonseca e Cláudia Costa Santos

Local: Adega Quinta do Portal - Sabrosa

Acção levada a cabo com a Ordem dos Arquitectos – Secção Regional Norte

 

16h

Iniciativa: Roteiro - Prémios Arquitectura do Douro

Convidado: Eduardo Souto Moura e Graça Correia

Local: Sabrosa (Espaço Miguel Torga - S. Martinho de Anta)

Acção levada a cabo com a Ordem dos Arquitectos – Secção Regional Norte

 

18h

Iniciativa: À Conversa Com

Convidado: Carlos Mendes de Sousa

Local: Sabrosa (Espaço Miguel Torga - S. Martinho de Anta)

Carlos Mendes de Sousa é professor da Universidade do Minho, especialista em literatura brasileira e em autores portugueses como Miguel Torga. Numa conversa acessível a todos, fará uma incursão na obra e no imaginário do autor dos Novos Contos da Montanha. Na terra e na "casa" do escritor, como não podia deixar de ser.

 

21h30

Iniciativa: À Conversa Com

Convidado: Carlos Pazos

Local: Sabrosa (Espaço Miguel Torga - S. Martinho de Anta)

Através de uma parceria com o Instituto Cervantes em Lisboa, pretende-se abordar o tema das relações entre Portugal e Espanha, o rio que nos une, e revelar identidades e talentos de um lado e outro da fronteira. O escritor espanhol Carlos Pazos vai falar de Galegos em Portugal: Lisboa, Douro. Vai abordar a presença histórica de galegos em Lisboa (entre eles, Alfredo Guisado, que se deu com Pessoa e o movimento de Orpheu). Estará à conversa no espaço Miguel Torga, autor marcado pela influência de Cervantes.

 

TERÇA-FEIRA - 12 JUNHO

11h

Iniciativa: À Conversa Com

Convidada: Ana Luísa Amaral

Local: São João da Pesqueira

Ana Luísa Amaral é professora da Faculdade de Letras do Porto. É também poeta e uma grande estudiosa da obra de Sophia de Mello Breyner Andresen. A produção de Sophia para a infância é o ponto de partida par