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Madrid

Tudo, ou quase tudo sobre Madrid, está nos filmes de Pedro Almodovar. Estão lá prostitutas de nome “Agrado”, freiras toxicodependentes, escritoras de romances cor de rosa que são trocadas pela melhor amiga, mães que se julgam mortas e que afinal não estão, António Banderas antes do salto para Hollywood, Penélope Cruz antes e depois do Óscar da Academia, uma mulher que toureia e que é membro da famosa família Flores (o Quique que passou pelo Benfica é primo). Tudo a “cores de Almodovar”, como lhes chama Adriana Calcanhotto.

Estão lá mulheres, à beira de um ataque de nervos e outras, muitas mulheres, estão travestis, estão homens ausentes e canalhas. Está uma certa movida madrileña, pelo menos desde os anos 80.

Almodovar faz o retrato do país contemporâneo, do país que delira com flamenco, touradas, tortilhas, do país das mulheres que passam o domingo a limpar a campa dos antepassados.

Indispensável para perceber a cidade e o país. 

 

Há quem vá a Madrid de propósito para ver As Meninas, de Velásquez. A tela, gigante, está disposta no museu do Prado e não é raro ver pessoas comovidas até às lágrimas perante a intensidade dramática da obra maior de Velásquez. Mas As Meninas são apenas uma entre muitas e poderosas razões para visitar esta jóia da coroa. A colecção permanente integra uma série imbatível de obras dos grandes mestres espanhóis. Ver uma reprodução de Goya não se assemelha a ver uma tela ao vivo – o impacto é imenso. Ou as já citadas Meninas. Ou os quadros magníficos de Ribera, Murillo ou El Greco. Como é que tamanha concentração de talento aconteceu em Espanha? São séculos de ouro da pintura num museu que Paula Rego disse estar entre os seus preferidos.

 

Quase tudo se passa entre as calles Serrano (onde está a YSL e a Prada), Ortega y Gasset (Chanel, Dior, Bottega), a Claudio Coelho (Miu Miu e Louboutin) ou o callejon Jorge Juan (onde está, por exemplo, a nova coqueluche da moda francesa, Isabel Marant).

O bairro de Salamanca é um bairro de luxo, per supuesto, por onde apetece passear sem pressas. Não se espante se se cruzar com Matilde Mourinho ou com Isabel Presley. Dress code: bailarinas, Birkin ou Chanel no braço, cabelo bem tratado e maquilhagem qb. Não se esqueça que fecham para a siesta, entre as duas e as quatro. Aproveite também para descansar. Vai precisar de energia para continuar…

 

O Mercado de San Miguel é uma espécie de monumento nacional, onde se compram vitualhas para o jantar, fruta e legumes viçosos, bares onde se come tapas e bebe cerveja, bancas com produtos gourmet, vendedores que dão sábios conselhos, e cantos onde uma dona de casa desesperada de nome Eva Longoria dá entrevistas junto a uma marca de frigoríficos (aconteceu recentemente). A dois passos da Plaza Mayor. Diz-me o que comes (e o que compras), dir-te-ei quem és: o mercado é uma maneira fantástica de vislumbrar o quotidiano dos madrilenos.

www.mercadodesanmiguel.es

 

 

As Pretty Ballerinas não podem estar mais na moda. Foi aberta recentemente a primeira loja em NY. Vendem-se também, por exemplo, no elegante bairro de Belgravia, em Londres. A marca é desenhada pelo espanhol Jaime Mascaró, que assina também uma linha com o seu nome. Um dos modelos mais famosos tem uma espécie de flor de camurça à frente; também as há de verniz ou leopardo. E outras, menos bem comportadas, com uma boca desenhada a baton ou o pequeno bolso onde cabe um preservativo (que é que lhes passou pela cabeça?)! São confortáveis e mais resistente do que parecem.

A Castañer é uma velha marca espanhola (a empresa foi fundada em 1927, ainda que as primeiras alpergatas com o nome Castañer datem de 1776). Foi reeditada à conta das plataformas de corda, tão em voga nas últimas estações. Também é verdade que o facto de Letizia Ortiz as usar no verão de Marbella ajudou à festa… O estilo é artesanal, os materiais são de boa qualidade. As velhas alpercatas transformaram-se num produto sofisticado. A loja do bairro de Salamanca tem uma diversidade enorme de produtos, mesmo de Inverno.

www.castaner.com/

www.prettyballerinas.com/

 

 

 

Imperdíveis de Madrid:

1 – O melhor chocolate quente da cidade está na Chocolateria de San Ginés. Espesso, óptimo. Uma bomba, mas uma vez não são vezes.

2 – Tortilhas há muitas, mas a da La Penela é a mais famosa. Experimente a tortilha betanzos. www.lapenela.com

3 – Leia Javier Marías, um dos grandes escritores da actualidade. Comece pelo belíssimo romance Coração tão Branco. Ou então pelos contos. Pode ainda lê-lo todos os domingos na revista do El País.

4 – Veja, fotografe, perca-se, confunda, ande de olhos no céu para ver os magníficos balcones de Madrid. Um mais bonito do que o outro. Não espere ver, como noutros tempos, meninas à janela.

5 – Visite o Grand Café de Gijón, espaço mítico da cidade. Centro de acesa discussão política, frequentado por opositores de Franco e literatos de várias gerações. O perfume de outros tempos continua no ar. Experimente ler o jornal.

6 – A Isolée é uma loja que tem perfumes Acqua di Parma, casacos Comme des Garçon, bules da Bodum, massas da De Cecco, livros da Taschen. Uma selecção primorosa. Há várias na cidade, mas a maior fica na calle Claudio Coelho. www.isolee.com

7 – Coma as tapas no Restaurante Teatriz (numa pausa entre compras), um antigo teatro transformado em restaurante por Philippe Starck. Fica na Calle Hermosilla.

8 – Uma loja que na verdade são duas: a Eks e a Ekseption têm uma oferta de cortar a respiração na calle Velasquez. Dries van Noten, Lanvin, Proenza Scholder ou Marc Jacobs estão entre as marcas disponíveis. Uma ao lado da outra, uma com as primeiras linhas, a outra com as linhas mais acessíveis.

www.ekseption.es

9 – O Museu Thyssen-Bornemisza, a dois passos do Prado, bem como o Centro de Arte Reina Sofía, são dois museus imperdíveis. No primeiro, está um dos quadros mais belos de Hopper (a menina sobre a cama, a ler); o segundo tem uma poderosa colecção de arte contemporânea. A não perder, também, a colecção da Telefoníca. Compre o Guia del Ócio para ficar a par das exposições temporárias e horários.

 10 – Felipe Varela é um dos criadores mais usados por Letizia. Mas se falamos da princesa das Astúrias, é preciso ainda falar dos “letízios”: sapatos de cunha, altíssimo, de criadores espanhóis (como Sara Navarro ou Pura Lopez) e não só. 

 

Publicado originalmente na revista Máxima

 

 

 

 

 

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