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Curso de Cultura Geral (22 Jan 2017)

Pensar em objectos e experiências de cultura que nos tocaram, que nos formaram, é uma maneira de pensar nas nossas coisas preferidas, nas nossas favorite things, como no filme "Música no Coração". São essas que aparecem quando precisamos de nos confortar, salvar. Matilde Campilho, uma das convidadas deste programa, falou-me deste título e desta relação entre as coisas que cultivam e as coisas que salvam. A cultura salva? Pedro Mexia, outro poeta, apontou na sua lista de 10 favorite things mundos aparentemente inconciliáveis: o dos The Smiths e o de Holderlin. Frederico Lourenço considera que toda a música de Bach é sobre Deus, e agora que se dedica à tarefa de tradução da Bíblia, e está cada vez mais envolvido com aquelas palavras, pessoas, enredos, a Bíblia surge-lhe como o livro dos livros. 

 

A lista de Frederico Lourenço, tradutor e professor universitário:

1. O primeiro objecto de cultura da minha vida foi o piano;

2. A seguir ao piano veio o cravo, que ainda hoje é o meu instrumento;

3. O meu artefacto cultural de eleição é o «Cravo Bem Temperado» de Bach. Acho que toda a música de Bach é sobre Deus;

4. O estudo do Grego, há 32 anos. Sou professor de Grego há 27 anos. O Grego é a minha vida;

5. Homero, Platão;

6. Obra poética de Sophia de Mello Breyner Andresen;

7. Obra poética de António Franco Alexandre;

8. Nicolas Poussin e Claude Lorrain: dois pintores franceses que desenvolveram a sua estética em Itália;

9. O trabalho que estou actualmente a fazer - a tradução do Antigo Testamento - fez nascer uma nova paixão: a língua hebraica;

10. A Bíblia: trata-se do Livro dos Livros.

 

A lista de Matilde Campilho, poeta:

1. O discurso do Leonard Cohen em 2011, quando foi receber o prémio Príncipe de Asturias de Las Letras;

2. As fotografias do italiano Luigi Ghirri, em especial a série Kodachrome;

3. O filme Paris, Texas do Wim Wenders;

4. Um dos poemas que mais repito é do Arsenii Tarkovsky: “Nenhum mal se perdeu,/ Nenhum bem foi em vão,/ À luz clara tudo arde/ Mas não pode ser só isto.”;

5. A canção “Thunder Road” do Bruce Springsteen;

6. A primeira vez que vi uma pintura do Jackson Pollock, devia ter uns 12 ou 13 anos. Foi em Londres e foi a minha avó quem me deixou ir à rua sozinha;

7. A minha avó. Tudo o que ela me contou durante 32 anos:

8. Aquele excerto dos “Cuadernos de Africa” do pintor Miquel Barceló em que ele diz: 'Qué fácil es vivir sin críticos de arte. Ni fútbol los domingos. Ni misas, ni periódicos. Solo con la vida mismo’;

9. A pintura do Cy Twombly. O poema e a pintura como uma coisa só: que beleza;

10. A rua. A vida lá fora. Os passeios que faço sozinha. Ou que fiz com o poeta Carlito Azevedo pelas ruas do centro do Rio de Janeiro.

 

A lista de Pedro Mexia, poeta e crítico literário: 

1. Paris, Texas, Wim Wenders;

2. A integral Robert Bresson na Cinemateca;

3. Brideshead Revisited na TV;

4. O diário de Pavese;

5. A poesia de Holderlin;

6. Krapp's Last Tape, de Samuel Beckett, com Michael Gambon;

7. Songs of Love and Hate, Leonard Cohen;

8. The Smiths, a discografia completa;

9. A Viagem de Inverno, Schubert; 

10. Mark Rothko na Tate Modern.

 

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