Anabela Mota Ribeiro

 

Itália low-cost (Veneza, Florença e Bolonha)

A experiência de visitar Veneza tem qualquer coisa de A Rosa Púrpura do Cairo. Há um cenário de beleza idílica, com a espessura de um cartão-postal, e de repente ele ganha forma, profundidade, temperatura, e nós cabemos nele. No filme de Woody Allen, o impossível também acontece: Cecilia, a empregada de mesa que se refugia nos filmes da vida atroz que leva com o marido, recebe, do lado de cá do ecrã – do lado da vida –, o seu herói do cinema, qual príncipe sem cavalo branco, que a resgata para o plano da felicidade. Ela recebe-o como quem recebe um presente. E nós entramos em Veneza como quem entra num sonho.  

Entre este parágrafo e o filme de Woody Allen deve estar uma frase de Goethe: “Veneza deixa de ser para mim mais uma palavra apenas”, escrita quando o poeta alemão chegou a Veneza em Setembro de 1786. Depois de ter sublinhado esta frase, e de ter anotado “30 Agosto de 2013; a quarta vez em Veneza, creio”, pensei que “uma frase apenas” é uma folha de papel. Lisa, em branco, anódina. O que muda tudo é a vida que fica inscrita na folha, na frase, que salta do ecrã e nos leva para o paraíso da infância. Só aí é que acontecem as coisas fantásticas que acontecem nos filmes e em Veneza – como ver uma mulher com um ramo de flores no vaporetto e perceber que vai visitar um ente querido ao cemitério de San Michele, pequena ilha em frente a San Marco. Visitar um ente querido de barco?, um cemitério numa ilha?

O encanto de Veneza talvez esteja em transportar-nos para esse território onde tudo é possível. A cidade, ela mesma, parece impossível (perguntamo-nos: Veneza existe, deveras?). No filme de Woody Allen, Cecilia acaba mais ou menos como começou: a apanhar do marido, a ouvir do chefe, fascinada pelo cinema. Mas enquanto dura o mistério, enquanto, de facto, o herói a leva a jantar (não importa que o dinheiro que usa para pagar a conta seja falso), nada mais é preciso.

Era, portanto, a quarta vez que eu estava em Veneza, e estava fascinada como se fosse a primeira. De certa maneira, é sempre a primeira vez que se vai a Veneza por causa deste carácter exorbitante da cidade.

Um parêntesis para contar a minha efectiva primeira vez em Veneza: aterrei no dia 24 de Dezembro, frio de neve, cidade deserta. Percebi mais tarde que os dias 24 e 25 de Dezembro são os únicos dias do ano em que a cidade está vazia. Os enxames de turistas começam a chegar no dia 26. E como a população de Veneza se fica pelas 58 mil pessoas, eram pouquíssimos os que se encontravam no labirinto de ruas, atarefados a resolver compras de última hora. Diziam uns aos outros, como uma senha: auguri! Eram pessoas com um ar burguês (quem mais tem dinheiro para ter casa em Veneza?), ligeiramente envelhecido ou completamente envelhecido. Devem ter encontrado um modo de coabitar com os 13 milhões de turistas que invadem Veneza todos os anos. Pouco mais de um milhão por mês.

Nesse 24 de Dezembro a cidade estava silenciosa como nunca mais a encontrei. A acústica (tão particular em Veneza, por causa dos canais) permitia ouvir passos distantes, o rumor das águas, o deslizar de duas gôndolas. Comprei no mercado de Rialto iguarias para a ceia de Natal. Mais prosecco e panetone.

No dia de Natal havia o silêncio das manhãs de Natal (das casas onde não há crianças). Um silêncio que se prolonga pelo dia, quando as pessoas ficam mergulhadas no torpor que sucede aos grandes encontros. Foi no dia de Natal que percorri as ruas estreitas, transpus centenas de pontes, resisti à chuva de neve. Lembro-me de ter encontrado um café, um dos únicos abertos, e de ter tomado um expresso. Muito torrado e curto. Uma italiana é um café muito curto, não é? Pois então. Eu estava em Itália.

Ofereci-me de presente 20 minutos de gôndola. Um presente caro, mágico e triste. Triste porque sublinhou a impressão de que passeava por um cenário, como o de Morte em Veneza de Visconti. O gondoleiro estava, como eu, cheio de frio, e não cantou.

Mas Fábio, o gondoleiro desta quarta vez em Veneza, correspondia à imagem estereotipada do gondoleiro. Cantava O Sole Mio, apontava a casa de Marco Polo, a de Casanova, falava em português com sotaque do Brasil; é casado com uma brasileira, e esta “valência”, como se diz nos cursos de Gestão, tem sido muito útil para passear os milhares de brasileiros que, cheios de nota, aterram em Veneza. Eu não tinha muita nota, pelo contrário, e regateei o preço. Um passeio de 45 minutos, para quatro pessoas, custou 80 euros.

Talvez seja altura de dizer que o propósito desta viagem era adaptar a promessa de felicidade que Itália representa para mim ao orçamento low, mas mesmo low de que dispunha. E também é importante dizer que viajei com uma família que vive no norte, com uma criança de nove anos, e que todos os gastos, mas mesmo todos, foram objecto de discussão.

Estive quase a desistir da viagem quando choquei de frente com os preços dos voos. Veneza é capaz de ser a mais cara das cidades italianas (de todas as que visitei, é, sem dúvida), e o voo custava uma pequena fortuna. Mesmo comprando com um mês e meio de antecedência. Tive então a ideia de voar para Bolonha e fazer o resto da distância de comboio. Para terem uma ideia do quanto se poupou com esta manobra, passo a explicitar: numa companhia low cost, a partir do Porto, o bilhete para Bolonha andava pelos 140 euros (tudo incluído); na Tap, para Veneza, o preço era de 400 euros, também a partir do Porto. Acabei por voar na Tap, para Bolonha (opção muito acessível), a partir de Lisboa; e a família viajou com a RyanAir, do Porto.

Este impulso fez-me estender um mapa de Itália sobre a mesa e alargar horizontes. Se a opção era voar para Bolonha, talvez pudesse não me ficar por Veneza, que fica a uma hora e meia de comboio. Florença fica a meia hora de Bolonha (35 minutos, para ser exacta) e eu tinha muita vontade de ver o David de Miguel Ângelo, entre outras coisas.

Outro excurso para contar a primeira vez que fui a Florença. Eu era uma menina de 23 anos, fazia programas na televisão, o que me dava, facto novo, o conforto de não ter de esticar até ao fio o dinheiro do mês. Era um tempo em que se ganhava bem na televisão. Decidi ir sozinha para Florença. Não sei o que me passou pela cabeça para escolher Florença, e não Roma ou Veneza, para primeira cidade italiana. E sozinha, sim, porque gosto muito de viajar sozinha, do encontro a sós com uma cidade. É um diálogo íntimo como os diálogos íntimos que se têm com pessoas. Gosto de estabelecer um enredo e cumpri-lo com liberdade; é mais difícil consegui-lo quando temos de articular as nossas prioridades, ritmos e neuras com outras pessoas. Uma boa parte dos meus amigos não compreende o meu gosto de viajar sozinha. “E não tens pena de não partilhar o que estás a ver?” Não. Partilho de outra maneira, a posteriori, e depois de as coisas se sedimentarem em mim.

Nunca mais estive em Florença sozinha. Nem voltei a Siena, àquela magnífica praça onde me sentei e tive uma sensação de plenitude que ainda recordo. Achei que não precisava de mais nada para ser feliz. Olhava, sentada no chão, era tudo. Em Junho. Não tenho ideia do que comi (devo ter comido bem, porque só se come bem em Itália), mas não esqueço uma fachada amarela, da cor dos girassóis, que me apontaram como sendo a casa dos Médici. É a cor que não esqueço, mais do que a casa, porque tudo ficou guardado nessa tonalidade dourada e sonhadora.

Na viagem deste Verão, fim de Verão, não tive tempo para visitar Siena ou San Gimignano, a aldeia medieval que fica a dois passos de Florença. O dinheiro estava contado e o tempo também. Resumindo: a viagem durou de sexta à tarde a quarta. Apanhámos o comboio em Bolonha às seis da tarde. Assistimos ao cair da noite no vaporetto, ainda não eram oito da noite. Primeira imagem do que aquilo ia ser: águas azul indigo, reflexo pirilampo das luzes, casas terracota ou marmóreas nas margens.

Para a criança que estava comigo, além do deslumbramento de Veneza, havia a coincidência de num só dia andar de carro até ao aeroporto, de avião até Itália, de comboio até Veneza, de barco até ao centro de Veneza. Ela acrescentava, atenta: “E de táxi entre o aeroporto e a estação de comboio, em Bolonha. E de autocarro entre o avião e o aeroporto”. Os adultos não reparam nestas coisas. Mas uma criança olha para o que não foi ainda olhado, e essa foi uma das coisas mais extra-ordinárias de visitar Veneza com a Vitória. Ela transportou-me para o encantamento que é próprio da infância, sem reservas e sem medos, e que Veneza potencia por ser a tal cidade cenário de cartão.

Mas não é fácil ser criança em Veneza, vêem-se poucas crianças em Veneza, dou por mim a pensar que não vi nenhuma escola em Veneza – onde estão as crianças de Veneza? Não se vive em Veneza. Visita-se Veneza. Porém, e voltando ao meu ponto, todos somos crianças quando pomos o pé em Veneza. Não é preciso que esteja acqua alta, e que São Marco tenha água pelo joelho. O tempo estava glorioso.

Volto a Goethe. “A largura das vielas pode em muitos casos medir-se de braços estendidos, ou quase, e nas mais estreitas bate-se com os cotovelos nas paredes quando estendemos as mãos para os lados; há outras mais largas, aqui e ali também uma pracetazinha, mas em geral pode dizer-se que tudo é acanhado”. Desde a primeira viagem a Veneza que procuro estas vielas onde os meus cotovelos possam bater. Não as encontrei ainda. Mas desta vez encontrei uma onde os braços curtos da Vitória tocavam, sem dificuldade. Ficava perto da “nossa” casa, a dois passos da igreja e da ponte della Crocre, entre o Arsenale e São Marco. 

Era um piso térreo, construído à volta de um saguão, com um bom quarto de casal, casa de banho, cozinha, sala ampla (com sofá cama). Tinha também um pequeno jardim, impossível de usar por causa dos insectos. Bed and Breakfast, evidentemente, 200 euros por noite. Apesar de ser a parcela mais cara desta viagem, o preço não era absurdo se pensarmos que aí dormiam quatro pessoas. Se compararmos com os preços de Florença e Bolonha, era uma careza.

Em Florença o preço era 140, em Bolonha 109. Sempre para quatro pessoas, no centro da cidade, opções confortáveis. Encontrei-os no Booking.com. Só é preciso procurar com paciência e prestar atenção aos comentários que outros hóspedes fazem. Durmo frequentemente em B&B e posso dizer que estes eram melhores do que outros onde fiquei em Roma, em Paris ou em Madrid. E pela primeira vez os móveis não eram Ikea, ou desengonçados.

É fácil ser feliz em Itália. Tudo é superlativo em Itália. (“Boa noite é o que nós, gente do norte, dizemos sempre que nos separamos depois de escurecer; o italiano diz felicissima notte uma única vez, e no momento de nos trazerem a luz ao quarto, quando dia a noite se separam, e nessas circunstâncias a expressão tem um sentido completamente diferente”.)  Felicissima notte em vez de boa noite. Felicíssimo dia. Uma praça onde se encontram Neptuno, Hércules, David. As galerias Uffizi ao lado. Os tectos abobadados, pintados com esmero, no palazzo vecchio.  Ao dobrar da esquina, casas, igrejas, jardins, estátuas. Estupefacção permanente.

“Ali” morava Dante. O Dante (que estudei) e que começou um longuíssimo poema da seguinte forma: Nel mezzo del cammin di nostra vita mi ritrovai per una selva oscura. Todos nos encontrámos já numa selva escura, interrogando-nos sobre o caminho que fazemos, quando vamos a meio. Então “o meio” eram os 30 anos. Dante escolheu o poeta Virgílio para o acompanhar na viagem. Mas Dante, que amava muitíssimo os poetas, pôs Homero ou Horácio nos primeiros círculos do Inferno, e pôs um suicida, Catão, a guardar as portas do Purgatório. Porquê, que quer isto dizer? Porque é que os poetas não estão no Purgatório, ou mesmo no Paraíso?

Continuo a pensar nos enigmas de Dante, nos nossos enigmas – como não amar Dante? “Ali” é a ponte onde pela primeira vez Dante viu Beatriz.

Poderia visitar Florença apenas para seguir o seu rasto. E teria, a dois passos, o baptistério, com as portas do Paraíso esculpidas numa folha de ouro muito amarelo; a catedral de mármore verde e rosa, que naquele começo de Setembro tinha uma fila de centenas de pessoas para entrar. “Aqui” tudo é extático e de certo modo irreal. Mas muito diferente de Veneza. Em Veneza é o cenário que parece fictício e nos atrai. Em Florença estamos já dentro do labirinto e tropeçamos em tesouros, uns a seguir aos outros. Não queremos sair.

Dois tesouros: a biblioteca dos Médici (Biblioteca Medicea Laurenziana) e o David (Dávideee, chamam-lhe os florentinos) na Accademia (é melhor pagar quatro euros extra e marcar entrada na Accademia – ficam a ser 15 euros; de outro modo, perde-se uma manhã na fila. Porque é que é diferente da réplica que está na praça principal? Porque é o original, e porque, por sabermos disso, nos parece maior, e mais brilhante, e mais gracioso).

Não chegámos a estar dois dias completos em Florença. Eu gostaria de ter estado mais tempo, é claro; sobretudo quando se vai pela primeira vez, dois dias é pouco. Mas de repente pareceu-me que Veneza tinha sido há uma eternidade, e isso deu-me a noção de que a marca de Florença já se sobrepunha, e que tinha visto muitíssimo naquelas poucas horas. O tempo permitiria que as impressões se sedimentassem. Era terça-feira à tarde e era preciso apanhar o comboio de regresso a Bolonha.

Como já escrevi, a viagem tinha o dinheiro contado. Imaginem o meu horror quando percebi que comprei bilhetes de comboio de primeira classe e não de segunda! Os bilhetes já não eram propriamente baratos. Andavam pelos 25 euros (entre Bolonha e Florença) e os 40 euros (entre Veneza e Florença, duas horas de distância). Felizmente a Trenitalia estava com uma promoção para famílias e as crianças não pagavam (a CP não quer fazer o mesmo?). Em todo o caso, tanta poupança e de repente eram malbaratados uns 15 euros, em média, por bilhete. Disse entre dentes, danada: “Ao menos um prosecco, para afogar as mágoas”. Alguém ouviu as minhas preces. A CP oferece um café de termos e um biscoito. A Trenitalia oferece um prosecco e uns frutos secos. Faço daqui um brinde à Trinitalia!, e deixo um recado: a CP não quer fazer o mesmo?

Bolonha é uma cidade surpreendente. Era a única das três que não conhecia, e se não fosse este estratagema para poupar massas no bilhete de avião para Veneza, provavelmente não a visitaria. O que eu perderia... Foi em Bolonha que vi uma das homenagens mais tocantes de uma cidade aos seus heróis.

Está na praça principal. São três painéis com as fotografias e os nomes dos bolonheses que combateram na Segunda Guerra Mundial. Uma fotografia especifica: partigiani combatentes: 14425, dos quais mulheres: 2212. Partigiani mortos: 2059. Feridos: 945. Presos: 6543. Fuzilados por represálias: 2350. Mortos nos campos nazis: 829. O que é que revelam as fotografias: que eram pessoas como nós. Nem mais pobres, nem mais ricas, nem mais desesperadas, nem mais destemidas. Eram caras como as nossas, anónimas. E contudo, heróis. Que morreram a lutar. É muito inspirador, em tempos de crise, passar pela praça e ver aquelas fotografias. As circunstâncias são outras, bem entendido. Mas aquelas pessoas dão-nos ânimo para continuar, ajudam-nos a não baixar os braços. Grazie.    

Que mais há para ver em Bolonha? O museu arqueológico (é muito gabada a colecção de artefactos etruscos e egípcios, mas só tive tempo para ver a ala greco-romana). A biblioteca, o teatro anatómico onde se fazia dissecação de cadáveres. Um centro histórico onde se come genialmente. No Tamburini come-se salame, presunto de Parma, mortadela, carpaccio..., a dez euros a tábua; uma tábua dá, à vontade, para duas pessoas. Na taberna Il Sole só servem bebidas; é suposto que se comprem fatias de pizza e paninis nas lojas vizinhas e que se peça álcool ao balcão. Não é exactamente o sítio mais limpo do mundo, apesar de ter uma tabuleta que diz: é vietati sputare sul pavimento. Mas o ambiente é divertido, muito local a marimbar-se para o turista, e gostei mais desse prosecco, a dois euros a flute, do que daquele que bebi em Veneza ou Florença.

Goethe não gostou especialmente de Bolonha. Refere-se à cidade apenas em três entradas no seu livro-diário Viagem a Itália. O seu anseio era chegar a Roma. “O meu desejo é mais forte do que os meus pensamentos. Sinto-me irresistivelmente atraído para diante, e tenho dificuldade em me concentrar no momento presente”. Mas fala de pedras maravilhosas, que viu nos arredores da cidade, e de um sonho que tivera um ano antes e que lhe ocorreu nesses dias que passou em Bolonha. Sonho perturbador. Eu tive pena de não poder demorar-me no presente, naquele meu presente, que era Bolonha. Tenho de voltar. Quanto à pequena Vitória, depois de Veneza e Florença, Bolonha pareceu-lhe secundário. Ou então era só o cansaço. Nós, os adultos, esquecemo-nos de que uma criança, mesmo que seja muito curiosa e bem comportada, não tem pernas para andar de manhã à noite. E a única maneira de ver três cidades em seis dias (nem isso) é não parar. Parar? Parada estou eu agora.

 

 

Como chegar:

Viajar de comboio, em Itália, é uma bela experiência. É confortável, pontual, há espaço para as pernas. A informação horária que está no site é rigorosa: http://www.trenitalia.com

Mesmo que viaje em segunda classe e não tenha direito a prosecco, recomenda-se. Ao meu lado, numa das viagens estava um cão labrador. A passageira contava que o preço do bilhete do cão era carote, mas só num pequeno troço da viagem exigiram que pusesse açaimo.

É possível comprar bilhete em máquinas na estação ou em guichets próprios. Nestes últimos, as filas são exasperantes. Comprar na máquina é fácil. Pense duas vezes antes de alugar um carro. Caos absoluto na estrada, mesmo a auto-estrada para uma estrada nacional.

 

Onde comer:

Esta é a secção mais fácil de escrever. Come-se tão bem em Itália, e em especial em Bolonha, que o difícil é que corra mal. Veneza, sendo tão turística e cara, exige escolha mais cuidadosa. No nosso caso, acertámos no primeiro dia com o restaurante e repetimo-lo todos os dias. Não fiquem horrorizados os gourmets: o propósito da viagem não era gastar fortunas à mesa. O restaurante, muito perto de São Marco, é uma extensão de um restaurante napolitano (bom argumento para nos fazer decidir): www.rossopomodoro.com. O preço médio das refeições: 15 euros por pessoa. Uma garrafa de prosecco honesto custa 10 euros. 

Em Florença, a média de preços manteve-se mas a qualidade subiu significativamente. http://www.trattorialemossacce.it tem pratos geniais, num ambiente só aparentemente modesto. É relativamente acanhado, por isso é preciso reservar. Mergulhar o biscoito em vin santo, um vinho entre o aguardente e o licor, que é bom demais!, é obrigatório.

Bolonha tem como alcunha a grassa. Os bolonheses levam muito a sério a relação com a comida. Por mim, continuava à mesa do Tamburini, a pedir carnes frias e queijos da charcutaria contígua. Cada prato, abundante, custa 10 euros. O serviço é um desastre absoluto. Desorganização que choca, até, um português (que tem fama de ser desorganizado, mas que ao pé de um italiano é um alemão). A qualidade compensa a espera de 45 minutos por um copo. Espreite no site http://www.tamburini.com

 

Onde ficar:

Além do Booking.com, sugiro os seguintes sites para encontrar soluções económicas: http://www.luxrest-venice.com e http://residenzaariosto.it/

 

 

 

Publicado originalmente no Público em 2013 

 

 

publicado por AMR em 11.02.14

Anabela Mota Ribeiro

Anabela Mota Ribeiro