Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

José (Saramago) é mexicano

1. Nunca estive no México com Saramago. Estive no México com José. Conheci em território zapatista um escritor que ganhou nome próprio numa terra estranha. Estranha de estrangeira. E logo familiar, de casa, que é onde as pessoas são pessoas de nome próprio. Apelidos à porta.

Entra-se por onde? O que fraqueira a porta da compreensão, da pertença?

 

2. “É lei da vida: triunfo e olvido”, escreveu na imensa metáfora da vida que é A Viagem do Elefante. Falemos do que não é esquecido. Do dever de não esquecer. Sobretudo os olvidados do costume. Falemos, usemos os nomes. Façamos a vida na primeira pessoa. Do singular ou do plural?

 

3. Conheci-o por altura d’ As Pequenas memórias, quando lhe fiz uma entrevista de uma hora, talvez um pouco mais, uma entrevista entre outras entrevistas de promoção, de que me lembro muito bem. Ele tinha 84 anos. O livro representava um voltar “ao fundo movediço, composto de restos, de detritos de tudo e de todos” que é o da infância.

Saí com a impressão de ter ouvido o neto do Avô Jerónimo e da Avó Josefa. O que aprendeu que sapiência e erudição não são sinónimos. O que os mencionou no discurso de recebimento do Nobel para que os seus nomes não fossem esquecidos. Uma homenagem: “O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler, nem escrever”.

As Pequenas Memórias são escritas por uma criança. “Deixa-te levar pela criança que foste”, pode ler-se na epígrafe. Uma criança que aprendeu a ser com os avós, os pais, com os que o amaram e ele amou. Que milagre, mais um!, a juntar à galeria de milagres de Saramago. O maior de todos: a sua vida – assegurava o amigo Eduardo Lourenço. Que milagre que tenha conseguido manter a criança viva, passados os 80 anos. Que tenha continuado a ver a água limpa do riacho, passado o enxurro da vida.

Todos temos infância como todos temos vida. O inverso também pode ser parcialmente verdadeiro: nem todos temos infância ainda que todos tenhamos vida. O maior crime de todos: que o ser humano seja desapossado de uma e de outra.

Adianto-me, misturo tudo, a intenção é mesmo essa. O Avô Jerónimo citado no discurso de recebimento do Nobel, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, cujos 50 anos foram assinalados no mesmo dia 10 de Dezembro em que Saramago recebeu o galardão, aquilo em que temos a obrigação de nos empenhar – para que o mundo seja mundo –, o escritor e o cidadão sintonizados, sendo pessoa inteira.

 

4. Estou no México e é neste Saramago que penso.

Passaram quase dez anos sobre o primeiro encontro. Entrevistei-o novamente a pretexto d’A Viagem do Elefante. Encontrei-o muitas vezes. Até à partida, há cinco anos.

Posso ser mais explícita e precisar que as Memórias são de 2006, o Elefante é de 2008, os anos sem ele enchem agora os dedos de uma mão.

O calendário fornece marcos, delimita a imensidão. Um mapa, é o mesmo.

 

5. Estou no México, num bairro onde a rua Dante convive com a Victor Hugo. Passo pela Kant, surpreendo-me, antes disso, ao topar com a Leibnitz onde um jovem rapaz tem uma banca com panelas, tacos com quesitos e um pequeno papel onde se lê buen provecho (e se pede para não mexer nas colheres de pau).

Este ponto de comida improvisado seria menos estranho se a rua se chamasse Carlos Fuentes ou mesmo na avenida larga que dá para o parque Chapultepec, a do poeta Rubén Darío. Mas o jovem índio, de olhar opaco (em que estaria a pensar?), na Leibnitz, cagando-se no monadismo do outro, sabendo ou não dele, ficou-me na ideia. 

O melhor de tudo foi cruzar-me com a Torquato Tasso, poeta ignoto do século XVI, a que fui dar por via de Goethe, que o amava e escreveu uma peça de teatro sobre ele.

Não longe, fica a rua Schiller. 

Não encontrei a Goethe, que não pode deixar de existir. 

Fiquei a pensar como seria encantador dizer que vivo na rua Torquato Tasso. Ou ligar a um amigo para conversar na Kant. Falaríamos dos imperativos que nos governam, e acima de nós o céu estrelado. Na melhor das hipóteses. No pior dos mundos, não é assim.

 

6. Continuo a andar pela cidade. Ainda não cheguei ao Zócalo, onde sei que vou encontrar José.

Acabei de ver uma cerca electrificada. Primeiro era um muro de uns talvez cinco metros, e depois três linhas por onde voou um pássaro a cantar. Ocorreu-me que poderia ser electrificada, já me tinham falado da violência sem nome que corre nas artérias de Ciudad de México.

Estranho pensar na violência como um sangue alternativo, que corre ao contrário, pelos caminhos da cidade, como o sangue corre dentro de veias. (O Chico Buarque escreveu um dia, numa canção de amor: errou de veia e se perdeu.) Também me falaram dos milhares de raptos, desaparecidos. E não tarda falamos dos 43.

Nunca tinha estado numa casa com um segurança à prova de bala. 

De volta à cidade, é banal ver dois polícias com armas de quase um metro a guardar uma caixa multibanco enquanto um terceiro faz uma operação. E isto convive com pássaros pequenos, flores que parecem junquilhos e outras que são tal qual brincos de moça. 

O primeiro pássaro, o que saltou a cerca electrificada, saberá que é electrificada?  Sem perigo para ele, explicam-me. Um letreiro corta-me a hesitação: era deveras electrificada. Gostaria que houvesse um letreiro a dizer-me que pássaro era aquele. Pensar no milagre de uma criatura delicada a conviver com a cidade bruta deixou-me estranhamente feliz. 

 

7. Me cago en tu madre. O pior dos insultos, garantiram-me. Dou para fantasiar que o jovem índio que tem tacos com quesitos e colheres de pau está puto da vida com o meu devaneio burguês entre o Dante e o Kant. E por trás daquele olhar opaco, pensava com desprezo frio no meu cruzamento de linhas poéticas. 

“Sai do teu hotelzinho e experimenta ver o bairro a partir das panelas, de dentro das panelas, do mercado às cinco da manhã onde se compra o que vai parar às panelas. Sem a lupa antropológica de quem se impressiona com a violência da cidade e a pobreza. Me cago tantíssimo.” Diria ele. 

Já no hotel li uma descrição de um mural de Rivera. Fico a pensar na luta de classes pintada em Detroit e no México, e que persiste em Portugal, em tudo quanto é lugar. O mural foi pintado e destruído no começo dos anos 30. Nele figurava Lenine.

Tenho de procurar a rua Marx. 

 

8. O assombro: a Biblioteca Vasconcelos. Misto de edifício gigante, cidade futurista, cenário de um filme de Fritz Lang. Distribuídos por sete andares, há corredores intermináveis, ruas onde vivem escritores, sangue do bom a correr na direcção certa. Tem uma leveza que impressiona, ainda mais quando se atenta nos materiais usados, na cor do betão.

Construída de raiz há dez anos, é visitada por cinco mil pessoas por dia. Do outro lado da rua, fica a estação de comboios Buenavista. Ao lado, o jardim. Há quem acredite na “terapia verde”, assim designada à falta de melhor expressão. Tem boas razões para isso. A biblioteca é um espaço tão hospitaleiro que até sem-abrigo dormem ali, durante o dia. Uma biblioteca é sempre uma casa.

Topo com um livro que tem escrito na lombada superior Ortega Y Gasset. O homem é quem é e as suas circunstâncias, claro. Frase estafada mas certeira.

Saramago fez-se na Biblioteca Galveias. Uma biblioteca é sempre um lugar de partida. Durante o dia, o lugar era o da oficina, o do trabalho. Dois lugares para ver e aprender o mundo. E os livros, levaram-no onde? “Sempre acabamos chegando onde nos esperam”, escreveu.  

Pilar del Río discute a herança de Saramago com dezenas de pessoas. O director da biblioteca, ensaístas e escritores, o público. O espaço é circunscrito por caricaturas, que formam um rectângulo. Saramago é desenhado por André Carrilho, Alex Gozblau, Cristina Sampaio, João Fazenda, outros. Em cada painel lêem-se frases do escritor de força aforística, inspiradoras.

Uma menina interveio para falar do “dever de aspirar à felicidade”. Um homem disse ter lido uma definição de Saramago do amor: Pilar. E disse ter saído de casa três horas antes, conhecia o trânsito da Cidade do México e não queria perder um segundo do evento. Participaram outros, que o admiram, que o consideram seu. Que se sentem interpelados por esta questão: como é que nos implicamos na vida?, que responsabilidade assumimos?

 

9. Agora é sábado. Nos dias anteriores, tive a impressão de me encontrar com Saramago no México. Assisti à conferência internacional promovida pela UNAM (Universidade Nacional Autónoma do México) e pela World Future Society, Prospectiva del Mundo - México 2015.

Como ponto de partida, a proposta enunciada por José Saramago no discurso do Nobel para a elaboração de uma Carta de Deveres Humanos. “Assumir o repto lançado pelo escritor em 1998 é entendido como uma obrigação, daí a importância desta iniciativa, que tem como destino a ONU e as consciências de todos e de cada um.”

A Fundação Saramago era parceira da iniciativa. Pilar del Río, a presidenta e viúva do escritor, fez um dos três discursos de boas vindas. Uma boa parte dos discursos proferidos nos dois dias de conferência passava por Saramago. Citava-o. Discorria a partir de um pensamento político, considerava-o como tal – e não apenas como escritor.

Devo refazer a frase anterior em directo, ou seja, mantendo-a como a escrevi, sublinhando o que nela é equívoco ou errado. O pensamento político não é parte separada do ser escritor. Saramago repetiu isso à exaustão. Portanto, se era o pensamento político que era discutido, era Saramago que era discutido. No seu ser inteiro. E ademais é errado pensar que a obra se sobrepõe, que tudo é reconduzido aí.

Melhor dar-lhe a palavra. “Não sou pessoa para contentar-se em cultivar o seu jardim. Considero isso muito respeitável, não estou a criticar ninguém pelo facto de dizer: “Não, a minha prioridade absoluta é a minha obra”. [A minha obra] pode ser uma prioridade, [...] mas não é a única prioridade, eu vivo neste mundo. E o que se passa, em primeiro lugar interessa-me, em segundo lugar impressiona-me, em terceiro lugar indigna-me, e tenho que dar voz a estes sentimentos. Passe-se a questão na América Hispânica, em África, na China. Não é que ande a dar lições de moral a todo o mundo. Limito-me a dizer aquilo que penso. Se tenho algum motivo de orgulho, e creio que tenho direito a tê-lo, é poder dizer que a mim não me calam. Ninguém me cala.”

(O excerto pertence à entrevista d’ As Pequenas Memórias.)

 

10. Aquele que foi celebrado na conferência, foi um Saramago que, de tão amado, passou a José.

Contaram-me que foi assim. Estava a sair da livraria Rosario Castellanos, escritora e diplomata, que morreu jovem, em 1972, mas já com uma obra fundamental. As pessoas gritando: “José, José”, ao invés de “Saramago”, como costumava ser. E ele respondendo que no México tinha ganho o seu nome próprio. Ele era um deles.

 

11. Ele era um deles, mexicano por decreto de Carlos Fuentes. O escritor mexicano apresentou Saramago como “português e mexicano”, e Gabo como “colombiano e mexicano”.

 

12. Ditosa pátria de coração. Não importa que não coincida com a do nascimento.

José é mexicano, terra de gente que acolhe os que ninguém quer. Os excluídos da Espanha franquista. Os excluídos da ameaça nazi. Os excluídos das ditaduras latino-americanas. Um proscrito como Trotsky. Um subversor como Buñuel. Tanta gente. Outra espécie de olvidados.

O Homem Duplicado foi apresentado no Teatro Colón, em Buenos Aires, e estava cheio. Tem quase quatro mil lugares e a fila das pessoas cá fora calcularam em cerca de mil. E como eu digo, não bailo nem canto, só falo. Sei que as pessoas gostam de mim. Nisso acredito. Gostam do que escrevo, mas mais importante é que gostam da pessoa que eu sou. Se há algum motivo de glória que tenho, nem é o dia na escola primária nem sequer é o Nobel: é o saber-me amado por muitíssimos milhares de pessoas no mundo. Pode isto parecer uma presunção, que estou aqui a inventar uma história bonita para os leitores do seu jornal, mas não. A história bonita é, mas não é inventada.”

Não foi diferente na Cidade do México. Apresentou A Caverna no Zócalo, praça do tamanho do mundo, ponto nevrálgico de uma metrópole de 20 milhões de pessoas. Dois Portugais. Número incerto de pessoas assistindo, milhares de pessoas assistindo. José, José.

Há um antes do Zócalo. Lá irei.

 

13. Agora é sábado. Há uma avenida que se chama Insurgentes. Tem 32 quilómetros, giza de um lado ao outro o mapa da cidade. Há uma avenida que se chama Revolución. Também do tamanho de uma cobra comprida, esticada.

Circular nestas avenidas dá-me uma vontade de me rebelar.

Quando chove, ficam inundadas em minutos. Corre junto aos passeios um rio cor de barro, caudal forte. E em segundos aparecem homens a vender guarda-chuvas.

Era sábado de manhã e os acessos ao Zócalo já estavam obstruídos. Preparava-se a marcha do orgulho gay que teria lugar essa tarde. Dois dias antes, o Supremo, nos Estados Unidos, permitia o casamento homossexual em todos os estados. Viva.

As ruas já contêm uma mancha compacta de pessoas e polícias. Os polícias já se posicionam junto às montras de forma a evitar que o vidro seja o primeiro alvo. As manifestações sempre são infiltradas por manifestações paralelas, espúrias, contrárias à razão da primeira manifestação. As manifestações são uma massa orgânica cuja forma final é imprevisível.

Junto às Belas Artes, está uma manifestação pelos 43. Mais adiante, um lençol dependurado numa janela tem escrito: “Vivos se los llevaron, vivos los queremos!”.

 

14. Desapareceram há nove meses, 43 estudantes. Um horror sem nome. Mas eles têm nome e rosto. Multiplicam-se iniciativas para que os 43 não sejam esquecidos.

O desaparecimento destas pessoas cuja vida foi amputada merece uma indignação internacional. A ausência de respostas é indesculpável, inadmissível, intolerável. Os adjectivos não chegam. Há coisas para que não há palavras.

Pergunto-me o que diria José sobre estes 43.

 

15. Foi um caso diferente. Mas o horror parece-se muito. José esteve no México, foi a Chiapas, solidarizou-se com os indígenas. Fez uma “escandalosa ingerência nos assuntos internos de um país”. Acusação que lhe deu um grande abalo ao pífaro. Escreveu uma crónica para a Visão, de que recupero isto:

“Entre os assassinados, a golpes de machete e disparos de armas de fogo de grande calibre, havia 21 mulheres, 14 crianças e 1 bebé. É possível que as mulheres, todas elas, e os nove homens igualmente chacinados, fossem zapatistas confessos: teriam idade suficiente e consciência bastante para haverem escolhido a dignidade suprema duma revolução popular contra a humilhação contínua infligida pelos viciosos poderes exercidos pelo conúbio histórico entre o Estado e o capital. Mas, aquelas crianças, aquele bebé? Também seriam zapatistas como os pais, também seriam revolucionários como os avós? Pretenderão os assassinos, ao mesmo tempo que vêm empilhando cadáveres sobre cadáveres para deter a corrente da revolução, extinguir o rio na fonte, isto é, matar os pequenos para que depois não possam seguir o exemplo dos grandes?”.

Tinham matado 45 camponeses indígenas numa igreja. Ainda se lembram? Esquecemos todos muito.

Nota para a carta de deveres: não esquecer o nome das pessoas que desaparecem.

Demasiada gente morre por causa da estupidez, da maldade, da bestialidade. Não há com o que exprimir aquilo de que o homem é capaz.

 

16. Depois disto, José assistiu à entrada dos indígenas no Zócalo. Juntou-se uma massa de pessoas emocionadas. Ouviu-se dizer às pessoas do movimento zapatista: “Nunca más un México sin todos”. Nunca mais um México sem eles. Pessoas como nós.

Também assistiu a uma conferência na Universidade com o sub-comandante Marcos, porta-voz dos zapatistas. Foi um de vários intelectuais europeus a não virar as costas.

Viva José.  

 

17. Junto ao Zócalo há uma rua chamada Carmen. Está repleta de vendedores ambulantes. Os bens são de primeira necessidade. Coisas simples como esfregão de cozinha, meias, pilhas. Fico grudada numa jovem mulher, cor de âmbar. Tem com ela uma filha de uns sete anos, por aí, sentada no chão. No colo, uma irmã, já não bebé, mas ainda de colo. Provavelmente de três anos. Esta dorme. A mais velha cobre-a com enlevo. Ao mesmo tempo ocupa-se das echarpes que a mãe vende, arruma-as no remoinho que está no chão. E participa com os gritos que pareciam de ave aflita. Um som ensurdecedor que exprimia, mais do que tudo, necessidade e sofrimento.

O que mais gostei de ver na Cidade do México foi esta menina que me ensinou tanto sobre o que é ser pobre e consciente, sobre o querer sobreviver, e de essa luta não excluir o cuidado, o amor.

Há pessoas a quem tiraram quase tudo. Algumas dessas ainda têm infância.

Não sei o nome dela. Gosto de pensar nela como Carmen.

 

18. Os nomes dos 43:

- Abel García Hernández

- Abelardo Vázquez Peniten

- Adán Abrajan de la Cruz

- Alexander Mora Venancio

- Antonio Santana Maestro

- Benjamín Ascencio Bautista

- Bernardo Flores Alcaraz

- Carlos Iván Ramírez Villarreal

- Carlos Lorenzo Hernández Muñoz

- César Manuel González Hernández

- Christian Alfonso Rodríguez Telumbre

- Christian Tomas Colon Garnica

- Cutberto Ortiz Ramos

- Dorian González Parral

- Emiliano Alen Gaspar de la Cruz.

- Everardo Rodríguez Bello

- Felipe Arnulfo Rosas

- Giovanni Galindes Guerrero

- Israel Caballero Sánchez

- Israel Jacinto Lugardo

- Jesús Jovany Rodríguez Tlatempa

- Jonas Trujillo González

- Jorge Álvarez Nava

- Jorge Aníbal Cruz Mendoza

- Jorge Antonio Tizapa Legideño

- Jorge Luis González Parral

- José Ángel Campos Cantor

- José Ángel Navarrete González

-José Eduardo Bartolo Tlatempa

-José Luis Luna Torres

-Jhosivani Guerrero de la Cruz

-Julio César López Patolzin

-Leonel Castro Abarca

-Luis Ángel Abarca Carrillo

-Luis Ángel Francisco Arzola

-Magdaleno Rubén Lauro Villegas

-Marcial Pablo Baranda

-Marco Antonio Gómez Molina

-Martín Getsemany Sánchez García

-Mauricio Ortega Valerio

-Miguel Ángel Hernández Martínez

-Miguel Ángel Mendoza Zacarías

 -Saúl Bruno García

 

 

Publicado originalmente na revista Blimunda em Julho de 2015

 

Em destaque

Entradas recentes