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Na sala de espera de um hospital

Passei a manhã [7 Out]  numa sala de espera de um hospital (razões privadas, nada de grave). Passei a manhã a lembrar-me da minha mãe e da minha infância. Do tempo em que vivíamos em Vila Real e íamos ao Porto a um especialista. Da roupa especial que vestíamos para ir ao especialista e ao Porto. Das quatro horas de autocarro pelo Marão antigo. Do mil-folhas que comíamos depois da consulta. Da escada-rolante do Brasília onde eu pedia para andar. 
Os anos 70 foram há uma eternidade. O país era tão outro que custa a crer que tenham passado apenas 40 anos.

As pessoas eram no essencial as mesmas. Havia as administrativas simpáticas que sorriam às pessoas que chamavam pelo primeiro nome depois de dizerem o nome todo. Havia as "cabras" (como a minha mãe lhes chamava) que agitavam o poderzinho de que dispunham e faziam um ar de importante quando lhes fazíamos uma pergunta. Havia os filhos que acompanhavam os pais. Havia os pais sozinhos ("sozinhos como cães", como dizia a minha mãe). Havia uma televisão ligada ao canto.

Havia e há. Vi isso tudo esta manhã. 

O hospital a que fui é privado. Seria muito diferente no público? A degradação do SNS já é preocupante? 
Este post é para repetir o que nunca repetirei as vezes suficientes: defendamos o SNS. Um país só é país se tiver serviços públicos de qualidade acessíveis a todos. Saúde e Educação, para começar.
Enquanto esperava, lia notícias sobre o impensável cenário na educação. Mas o que me impressionou mais foi uma notícia sobre o decréscimo acelerado das prestações sociais. Está no Público, pág.12. Somos mais desiguais. 
Isso dói muito. A vida da pessoa que está ao meu lado é também a minha. Como diria a minha mãe: "Hoje são eles, amanhã somos nós".

 

 

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