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Sofia Escobar

Foi viver para a residência da Guidhall, uma das mais prestigiadas escolas de música e representação do mundo. Acordava às sete da manhã com alguém a estudar violino no quarto ao lado. O seu sonho começava aí.

O sonho, o romantismo, passados cerca de quatro anos, não se desvaneceu. Entretanto foi “Christine” e “Maria”, duas personagens famosas de musicais do West End. Fez provas para a primeira, foi contratada directamente para ser a segunda.

Sofia Escobar já as conhecia. Desde a adolescência, pelo menos, que as partituras, as fotografias, as histórias, faziam parte do seu quotidiano. Só que agora, ela fazia parte da história, e essa banda sonora era a sua.

Sofia Escobar está de férias em Portugal, onde nos encontrámos. É uma menina que fala com um sorriso constante e um ligeiro sotaque nortenho. Contou a sua história, falou dos seus medos, da confiança que a fez avançar, da relação com a voz. “Uma gripe qualquer pode transformar-se num drama. Uma dor de barriga não interessa nada. A dor de garganta arruína-me!”

Quando nos lerem, ela já estará em Londres, novamente. Provavelmente a finalizar projectos pendentes. Mas como eram pendentes, não podia ainda falar deles… É provável que conheçamos em breve por onde passa o seu futuro. O ponto de partida são dois musicais famosos e uma nomeação para os prémios Olivier no seu primeiro papel. Como ela diz, “o mais difícil já está feito”.

 

Apresentam a sua história como sendo uma história de Cinderela. Alguma vez foi Gata Borralheira?

Sinto muitas vezes uma Cinderela dos tempos modernos. Há alturas em que nem acredito!, penso que à meia noite a minha carroça vai transformar-se em abóbora! Uma dessas circunstâncias foi a entrega dos prémios [Lawrence] Olivier. Quem diria… Olhei para trás. Há dois anos fui para Londres sem nada. Messa noite estava na cerimónia dos Olivier com o Kevin Spacey a dizer-me olá. É tão surreal… Mas sim, fui Gata Borralheira.

 

Antes disso: como era o vestido da Cinderela?

Era um vestido do João Rolo. Um criador português. Sou portuguesa e tenho orgulho nisso. Mostrar um criador português que admiro fez-me todo o sentido. Era um vestido muito bonito, verde-claro, com cristais da Swarovski, comprido. Toda a gente elogiou imenso o vestido. E senti-me verdadeiramente Cinderela com ele! Ganhar ou não ganhar, não era fundamental. O fundamental foi estar lá, ter chegado tão longe em tão pouco tempo.

 

Descreva-me essa noite. Entrou pela passadeira vermelha, num mundo de puro glamour?

Não fiz a passadeira vermelha, porque cantei na cerimónia e tive de chegar muito mais cedo, para fazer sound-check e passar as músicas com a orquestra. Estava muito preocupada pelo facto de ter de cantar, e porque estava toooda a gente do mundo artístico londrino. Agentes, directores de casting, actores de outros musicais, gente famosíssima que admiro.

 

Cantou a pensar que na plateia estava “aquela” pessoa, “aquelas” pessoas?

Tentei abstrair-me. No momento em que subi ao palco ficou tudo bem. Aí, já era “Maria”, já não era Sofia. Era o espectáculo [“West Side Story”] que faço todas as noites. “Hoje não é diferente, não interessa quem está no público”. No fundo, temos é de respeitar o público, seja lá quem for que está na plateia.

 

Em termos de gestão de carreira era muito importante que corresse bem. Para que “aquelas pessoas” ficassem positivamente impressionadas.

Exactamente. A pressão era essa. Nessas provas que a vida nos apresenta, tenho de poder dizer: fiz o meu melhor. Quando saio e sei que podia ter feito melhor, fico destroçada. Felizmente, nessa noite, as reacções foram óptimas.

 

Apesar de não ter ganho.

Recebi parabéns pela nomeação. Ainda nem acredito que tive uma nomeação no meu primeiro papel principal. Antes disso tinha sido substituta; ou seja, o papel não era propriamente meu, eu não estava sujeita à crítica.

 

O que é que pensou quando tirou o vestido, a maquilhagem, quando voltou a ser apenas a Sofia? Um ritual banal, que faz todas as noites, nessa noite teve um sabor especial?

É difícil explicar como me senti. Como quando fiz “Christine” [“Fantasma da Ópera”] pela primeira vez e saí do teatro e apanhei o autocarro como toda a gente… foi o anti-clímax. De certa maneira, não mudou absolutamente nada. Com vestido ou sem ele, sou a Sofia de sempre.

 

Regressou a casa numa abóbora…

[gargalhada] Na noite dos Olivier regressei de táxi. Já era um pouco tarde. Senão iria de autocarro. Claro que continuo a andar de transportes públicos. Aliás, em Londres, é mais prático apanhar o metro do que o táxi.

 

A razão prática ofusca o glamour?

Não sou dada a essas coisas. Por um lado sou muito menina, adoro os vestidos; mas as pessoas são só pessoas, toda a gente tem talentos, seja em que área for. Eu tenho esta paixão pelo mundo da música e da representação.

 

Como é que descobriu que esse era o seu talento? Nem sempre as pessoas identificam o seu talento. E no seu caso, podia ser uma paixão e não um talento.

Muitas vezes dá muito medo. De estarmos iludidos. Passei por fases em que pensei: se calhar estou completamente enganada. Mas o medo, a insegurança, fazem parte. E fazem parte do crescimento. O próximo trabalho: será que vou ser boa o suficiente? E há a pressão acrescida de ter chegado a um certo nível… Não quero descer. Como é que descobri? Desde muito cedo, as brincadeiras incluíam um palco, e bonecas em fila, e música. Mas só me apercebi que era isso que eu queria fazer, e que me iria fazer feliz no futuro, aos 16, 17 anos.

 

O que é que aconteceu nessa altura, para que isso eclodisse com essa força?

Foi chegar ao final do 12º ano e ver as minhas colegas optar por este curso e aquele. Eu não sentia vontade de concorrer a esta ou àquela faculdade. Eu gostava muito de Inglês, podia tirar o curso de Inglês.

 

E seria agora professora de Inglês. Escolheu um destino diferente.

Eu precisava de algo mais, sem saber o que era. Até que comecei a ter aulas de canto, em Guimarães. Fez-me falta não ter começado a estudar música mais cedo – não sabia ler partituras; mas não canto. Comecei na altura certa.

 

Teve o apoio dos seus pais? Os pais, normalmente, preferem que os filhos tenham uma profissão segura, que estudem Direito, Medicina, Inglês.

Tive muita sorte, mais uma vez. Os meus pais, acima de tudo, queriam que eu fosse feliz. E se era isso que me fazia feliz, era por aí que eu tinha de ir. Isso é tão importante! Sempre tiveram confiança em mim.

 

É ainda mais extraordinário numa cidade de província, como é Guimarães, onde os horizontes são frequentemente mais estreitos.

É mais complicado. Ouvia muitas vezes: “Estás a estudar o quê?”, “Música”, “Ah. E a sério?”. [riso] A sério? As pessoas não têm a mais pequena ideia! É um curso difícil, exige muitos sacrifícios.

 

Tem pernas de bailarina; fez ballet?

Não!, infelizmente. Gosto imenso de dança. Na altura do “Fantasma”, um dos meus maiores desafios foi aprender a coreografia. Coitadinha da coreógrafa, que teve tanta paciência comigo… Tive de usar sapatos de pontas, embora não fizesse pontas…

 

Onde eu queria chegar era à sua relação com os palcos. Não os frequentou em pequena. Não foi uma child star, daquelas que gravam discos e se habituam a ter uma plateia.

Eu era muito tímida. A relação com o teatro começou, justamente, porque eu era tão tímida que mal falava. Eu nem dizia olá às pessoas! Os meus pais pensaram que a melhor coisa que podiam fazer era pôr-me num grupo de teatro amador. Tinha 12, 13 anos. Comecei no Círculo de Artes e Recreio de Guimarães. E foi uma paixão!

 

Consegue recuar e pensar o que é que foi tão estimulante para si?

Não sei, especificamente, o que foi. Talvez vestir um figurino e encarnar um personagem diferente. Não ter de ser eu a inventar [o que dizer]. Ter um guião. E conheci pessoas do mundo das artes, que gostavam de música. Esse mundo fascinou-me. Descobri a paixão pela arte de representar. Sempre gostei de histórias. Tinha amigos imaginários. Contava histórias aos gatos…

 

É filha única? Essa descrição e vivência podiam ser a de uma filha única.  

Tenho uma irmã nove anos mais velha. O meu pai trabalha com calçado, a minha mãe não está a trabalhar. Tive boas bases.

 

Conte uma história que ilustre isso.

Lembro-me de assistir a um concerto no Paço dos Duques em Guimarães com uma soprano fabulosa; no fim consegui falar com ela, que era muito simples e acessível. Jurei a mim mesma que se algum dia conseguisse alguma coisa nunca deixaria de ser assim – simples e acessível. Admiro essas pessoas, que não consentem que a fama lhes suba à cabeça. Lá porque canto, não quer dizer que seja superior ou inferior a ninguém. Não me dá desculpa para ter atitudes de diva ou tratar mal seja quem for. Os meus pais, se me vissem ter uma atitude dessas, nem que fosse uma coisa pequena, não deixariam passar!, ainda ia bem a tempo de levar um raspanete. E era merecido.

 

É ainda muito ligada à família.

As saudades da família apertam, lá. Apesar do telefone e do skype – que nos salva a vida! – é muito diferente poder passar umas horas à volta da mesa, a conversar. Volto ao meu quarto, em Guimarães, e a primeira coisa que vejo é a minha janela. Atrás é um monte, com eucaliptos. Lembro-me perfeitamente de estar sentada na janela, a ouvir coisas como o “Fantasma da Ópera”. E sonhar. Como é que seria estar em palco? E agora, tudo está igual, mas consegui fazer parte disso com que sonhei.

 

Como é o seu quarto?

É grande, tem armários enormes, com os meus diários. O primeiro diário data de quando comecei a escrever, tinha seis ou sete anos. Dava imensos erros! “Hoje acordei e fui com um amigo imaginário, blablabla…”. Eu acreditava piamente naquelas coisas. Talvez fosse solidão, e a procura de um refúgio. Além dos diários, guardo os brinquedos, as miniaturas, as casinhas, as bonecas, os brinquedos das bonecas. Um teclado onde comecei a estudar – agora está cheio de pó. As partituras, levei para Londres. E livros. Gosto de romances. Recentemente leio peças – Tennessee Williams, por exemplo.

 

Que experiências teve de desilusão e fractura? De se abrir a porta do sonho e lá dentro estar um quarto vazio.

É interessante dizer isso, porque as pessoas têm uma ideia muito errada do que é o mundo do espectáculo. Por exemplo, o contrato que fiz com o “West Side Story”: um ano e meio, a viajar de duas em duas semanas. Mas não é viajar em primeira classe! O cansaço que implica fazer oito espectáculos por semana… Deixei de fazer vida social, porque manter a voz a 100% todos os dias exige uma disciplina grande. Não se pode sair, não se pode beber, não se pode fumar – não é que eu quisesse. E ter ido para fora implicou muitos sacrifícios. É duro estar longe da família e dos amigos.

 

É uma disciplina parecida com a que tem um atleta de alta competição?

Sim, é semelhante. A forma física é também importante. Se falhar num espectáculo recebo logo telefonemas dos escritórios. “As pessoas querem ver-te a ti, mas estás doente. O que é que se passa?”. Se telefonar a dizer que tenho um amigdalite e que é impossível fazer o espectáculo, dizem: “Ok, está bem”. Passado um bocado ligam a perguntar: “Mas de certeza que não podes fazer?” Nunca querem que seja a substituta. Também eles recebem reclamações… “Fui ver o espectáculo para ver o elenco A, e não para ver uma substituta”.  

 

A pressão é no sentido de levar uma vida regrada para não ter amigdalites.

Sempre. E a responsabilidade, se as tiver, é do artista. Ele é que tem de proteger-se das correntes de ar… Aconteceu-me estar doente e estar também doente a minha substituta… E agora? Alguém tem de fazer o espectáculo, doente ou não. E fui. Fiz o espectáculo com febre, etc. Se correr menos bem, somos nós que estamos expostos, à crítica, a uma casa cheia de gente que se vai embora menos satisfeita e a pensar: “Esta miúda foi nomeada para um Olivier?, como é que é possível?”

 

As pessoas não sabem, mas também não têm de saber, em que condições o artista faz o espectáculo. Ele compra uma parcela de sonho.

Pois. Há cerca de um mês recebi a notícia da morte de uma grande amiga, de cancro. Foi um choque! Estar tão longe, não conseguir fazer o luto, ter de fazer o espectáculo… E o espectáculo é emocionalmente exigente. Fiz o espectáculo, sem dizer nada a ninguém. Bloqueei os sentimentos de modo a poder cantar. Cheguei à cena final e quando pude deixar sair o que estava lá dentro, desabei. Fiz esse espectáculo para ela.

 

Quando é que chora, fora do palco? Um actor trabalha com as suas emoções, com quem é.

Ultimamente, por causa disso, tenho chorado muito. É a primeira vez que estou em Portugal e não posso ir tomar café com a minha amiga. Ela era muito nova, tinha 30 anos. As coisas que me fazem chorar… Eu tinha uma relação de três anos que foi por água abaixo. Ele era actor. Mal nos víamos. A relação não resistiu às ausências, à pressão. Mas tenho sido poupada às grandes dores.

 

No meu mundo artístico, sofreu até encontrar o seu lugar?

Ainda em Portugal, tentei tanta coisa, tanta coisa… Quando decidi ir para Inglaterra, concorri a imensas bolsas, e não consegui nada. Cheguei a pensar: consegui entrar na escola e agora não vou poder ir. [riso nervoso] Não tinha forma de me poder sustentar em Londres. Perguntava-me: tenho mesmo asas ou sonhei com elas? E se as tenho, porque é que não as posso usar?

 

Como é que isso se resolveu? De onde veio o dinheiro?

Fiz um empréstimo! Um empréstimo que durava dois anos. O curso na Guildhall durava quatro. Sabia que, pelo menos dois anos, conseguia fazer. Os restantes, logo se via como conseguia pagar. Tive bolsa de estudo para as propinas, lá. E ao fim de dois anos consegui o meu primeiro emprego. Não era suposto. O suposto era entrar no mercado de trabalho no fim dos quatro anos.

 

Estava a hipotecar o quê, nesse empréstimo? O seu futuro jogava-se ali.

Sim. E os meus pais hipotecaram a casa. Correu muito bem, mas podia ter corrido mal.

 

Pelo meio, serviu nos cafés? Faz parte do filme…

Sim! Fui empregada de mesa num restaurante perto da escola, onde trabalhava uma grande parte dos alunos da escola. Estudava a tempo inteiro, e com um nível de exigência elevadíssimo. Saía da escola e trabalhava até às duas da manhã, a ganhar cinco libras à hora. No dia seguinte, voltava ao mesmo. Mas valeu a pena.

 

Implicou um grande sacrifício.

Eu sabia que estava a fazer aquilo com um objectivo bem definido: conseguir manter-me na escola. Por um lado, gosto de ter tido que fazer isso. Trabalhar. Esforçar-me. Agora dou muito valor àquilo que tenho. Nunca me vou esquecer que há uns anos, para ir tomar um café ao Starbucks, tinha de pensar se tinha dinheiro para isso. Passei esse tempo todo com medo de chegar ao fim dos dois anos sem saber como ia pagar o empréstimo. Tirava-me noites e noites de sono. Não era só eu a envolvida no processo, a minha família estava envolvida nas minhas escolhas. “Vou ter de arranjar dinheiro, não posso deixar os meus pais perder a casa”. Senti pânico.

 

O “Fantasma” salvou-a. Foi o seu primeiro trabalho enquanto cantora?

Foi. E foi no tempo certo: comecei os ensaios em Agosto e tinha de começar a pagar o empréstimo em Setembro.

 

Como é que foi escolhida para o “Fantasma da Ópera”?

Vi o anúncio no jornal. Procuravam uma “Christine”. Audições abertas – o que é muito raro. Achei que seria engraçado ir, mais pela experiência de fazer um casting para um musical do West End.

 

Acreditou que podia ser escolhida?

Uma pessoa tem sempre o sonho de ser escolhida… Mas estava 99% segura de ser quase impossível conseguir. Porque havia muita gente, e muita gente com mais experiência. Eu ainda estava a estudar, ninguém me conhecia de parte nenhuma. Cair de repente no West End era impensável. Mas tento sempre. Não se perde nada por tentar.

 

Quanto tempo demorou a saber a resposta?

Foram oito meses de chamadas e rechamadas. “Agora queremos voltar a ouvir-te”. Nas primeiras duas, três vezes achei que era mesmo fixe!, queriam ouvir-me. Depois comecei a perceber que estavam mesmo interessados. As coisas começaram a tomar um carácter mais sério. E aí entrou a pressão e o medo. No início, estava lá pela desportiva. Comecei então a trabalhar com a minha professora nas peças que tinha de interpretar. Quando me chamaram para fazer provas no palco, fiquei tão contente! “Nem que seja por dez minutos vou ser “Christine” num palco do West End”. Lembro-me perfeitamente de entrar e de ver no palco tudo aquilo que conhecia a partir das fotografias. Há anos que tinha as partituras e as fotografias do “Fantasma da Ópera”.

 

Frequentou uma escola muito boa, altamente competitiva, onde estão pessoas de todo o mundo. Olhando para os outros, achava que era uma das melhores?

Não. As pessoas estão lá por um motivo forte, passam por audições sucessivas. Percebe-se desde cedo que cada uma das pessoas, se se empenhar e trabalhar, no final do curso tem um lugar no mercado de trabalho – qualquer que seja. Mas na escola, se a pessoa não se empenha o suficiente, mandam-na embora. Estão a ocupar espaço, há muita gente na fila de espera. Assisti a várias pessoas a serem… dismissed [dispensadas].

 

Conseguiu acabar o curso?

Fiz os dois anos. Quando começou o “Fantasma da Ópera” ainda tentei conciliar as duas coisas, mas foi impossível. Oito espectáculos por semana e a escola… Não dava. Entretanto, como tive uma média muito alta nesses dois anos, contactaram-me para me dizer que ia conseguir o diploma. Com mérito. Por causa, também, do trabalho que tenho feito. A escola vive muito da fama dos alunos.

 

Ganhou o suficiente para pagar o empréstimo?

Ah, ainda estou a pagar. Recebemos semanalmente e todas as semanas ponho dinheiro de lado para o empréstimo. Mas a vida passou a ser mais tranquila. Já posso ir ao Starbucks as vezes que me apetecer! [gargalhada] Comecei a dormir descansada.

 

 

Publicado originalmente na Revista Selecções do Reader’s Digest em 2009

 

 

 

 

 

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