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Tânger

10 coisas que não pode deixar de fazer em Tânger:

 

- Fazer uma pintura com henna, um pó verde azeitona. O mais comum é fazer nas mãos, dos dois lados. As marroquinas usam-na sobretudo em dias de festa. Aguenta quase uma semana.

- Ver os quadros que Matisse pintou no tempo que passou em Tânger. É notória a influência da luminosidade do norte de África. Pesquise na net ou compre um livro. A produção do pintor francês está dispersa.

- Saborear um mil folhas, em qualquer pastelaria. É igual ao das pâtisseries da Rive Gauche. A influência dos franceses em Marrocos é ainda visível.

- Beber um cocktail ao fim da tarde no El Minzah. Onassis, Rita Hayworth ou Churchill foram alguns dos clientes do hotel. É o mais caro da cidade. O ambiente continua a ser cosmopolita.

- Ler Lawrence Durrell e perceber que a dinâmica do Cairo se parece com a de Tânger.

- Ver encantadores de serpentes na velha Medina.

- Comprar tâmaras, alperces, ameixas pretas, nozes, amêndoas e todo o tipo de pevides. Especialmente saborosas.

- Sentar-se num café. Olhar o friso de homens que permanecem horas nas esplanadas. As mulheres e crianças preferem as pastelarias.

- Assistir ao crepúsculo nas ruas de Tânger. Tráfego intenso, ruas apinhadas, uma sensualidade latente; e ao fundo o porto, para onde toda a cidade desagua. Depois da hora da sesta, a cidade renasce e é impossível não aderir.

- Beber o thé à la menthe. Um ritual indispensável, com ou sem vendedores de tapetes. Em Marrocos tem um sabor especial. Se em casa o quisermos fazer, mergulhando folhas de hortelã em água a ferver, o resultado não é o mesmo… Peça sem açúcar.

 

Argane

O argane é um produto com propriedades salvíficas. É fantástico para a revitalização e regeneração da pele. A sua produção em Marrocos é interminável. Por isso, o preço é irrisório. Sobretudo se pensar que na Europa e nos Estados Unidos 30 ml de óleo de argane custam cerca de 40 euros! (Ouvimos uma francesa constatar esta diferença: incroyable, incroyable…)

Encontram-se em qualquer drogaria de esquina sabonetes de argane, oléos de argane, champôs e cremes de argane. Em boiões mais cuidados ou menos cuidados. Avulso ou não. Misturado com sabão preto, por exemplo, ou simples.  

Penetra rapidamente na pele, o que impede o desconforto de estar peganhenta durante horas. A sensação de suavidade e bem estar perduram.

O melhor é trazer uma grande quantidade. Com 40 euros, vem servida de produtos à base de argane para o ano inteiro.

 

Hotel Continental

A Beat Generation ficava no Hotel Continental. John Lennon também. Paul Bowles também.

É um hotel grande, dentro da Medina, debruçado sobre o porto. Oferece uma vista soberba sobre o estreito de Gibraltar. Construído em 1870, foi declarado património nacional.

É o tipo de sítio onde uma americana de 70 anos bebe uma garrafa de whisky às 11 da manhã. A atmosfera é requintada, misteriosa, envolve-nos suavemente.

A decoração combina elementos ocidentais e marroquinos. Os vitrais têm uma predominância de vermelhos e azuis. Um azul próprio, que se encontra noutras cidades marroquinas. A sala do pequeno-almoço está revestida a azulejos e estuque com efeitos arabescos.

Há paredes literalmente forradas a almofadas. Uma grafonola, um piano, um espelho sujo pelo tempo. Os claustros adensam o mistério e introduzem uma luz belíssima nos espaços.

Contígua, uma loja que é uma verdadeira gruta de Ali Babá. Uma sequência de cinco ou seis salas, amplas, onde se pode encontrar tudo: tapetes, pratas, candeeiros, estatuária, uma velha fotografia de Humphrey Bogart no set de Casablanca.

 

Madini

É o paraíso em forma de perfumaria. Convém passar na Madini pelo menos uma hora por dia durante a sua viagem. Só assim pode saber se o seu estilo é o de uma mulher que usa Citron, Flor de Laranjeira e Bergamota, ou se é uma mulher de Narciso, Gardénia e Bouquet de Todas as Flores. O mais provável é descobrir que é uma mulher de todas essas fragrâncias! E o mais difícil será fazer a escolha. A produção é artesanal e o segredo é guardado pela família há 14 gerações.

Além dos perfumes da casa, a Madini é famosa pelas cópias exactas de perfumes famosos no Ocidente. Chanel nº5, Poison, Dune…, you name it. Um frasco de 50 ml custa… cinco euros.

São também famosos os óleos essenciais e os frascos de cristal. Imperdível: um pequeno frasco para trazer na carteira com roll on na ponta. Encha com o perfume que quiser.

 

Paul Bowles

Paul Bowles é indissociável de Tânger. Viveu na cidade sessenta anos, a maior parte dos quais com a mulher, Jane Bowles. Foi lá que morreu em 1999.

O seu romance de inspiração autobiográfica “Um Chá no Deserto” foi adaptado ao cinema por Bertolucci e tem como cenário a paisagem marroquina.

A produção literária de Bowles é diversificada; tem nos contos um núcleo sólido. Coligidos em diversos livros, são um complemento ideal para os dias passados em Tânger.

O casal acolheu intelectuais como Truman Capote, Tennessee Williams, William Burroughs ou Gore Vidal. Em seu redor, fervilhava um animado círculo criativo.

Paul Bowles traduziu e divulgou autores marroquinos, foi músico. Antes de se fixar em Tânger, integrou o grupo de Gertrude Stein em Paris. 

 

Onde ficar

O Hotel Rembrandt é agradável, central e tem vista para o porto. Uma boa opção se não quer gastar muito dinheiro. Um quarto duplo custa cerca de 50 euros.

 

Como chegar

De carro. Do Algarve toma a direcção de Sevilha, bordeja a costa do sul de Espanha e toma um ferry em Tarifa. Tânger fica do outro lado do estreito de Gibraltar. O bilhete para o carro custa cerca de 90 euros e para cada pessoa 35.

 

O que comer

Couscous embebido em caldo de borrego, com legumes; ou a versão adocicada com ameixas pretas e mel. Tajine de frango. Sopa marroquina. Pastilha: uma espécie de crepe de massa estaladiça, com aves e legumes, polvilhado de canela.

Experimente cada um dos pequenos bolos marroquinos. São adoçados com mel. A maior parte deles leva amêndoa. Os amanteigados, populares também na Andaluzia, encontram-se em todo o lado.

 

O que comprar

Babouches. Bicudas ou arredondadas. Cor de pele por curtir, amarelas ou brancas. Simples ou com bordados. São muito confortáveis e perfeitas para dias de praia ou para estar em casa, enroscada no sofá.

Jilab, as túnicas compridas que as mulheres muçulmanas usam sobre a roupa. Compre em algodão. Algumas são de fugir, kitschíssimas; outras são simples, brancas, com um bordado discreto. Ideais para vestir quando se sai da cama e se vai tomar o pequeno-almoço com a família. Ou para usar na borda da piscina.

O arsenal obrigatório: tapetes, tajinier (para fazer a sua tajine em casa),especiarias,prata, cerâmica, pedras do deserto (entre elas, belíssimas rosas do deserto).

 

O que vestir

Yves Saint Laurent tinha uma casa perto de Tânger. A propriedade da família Hermès, nas imediações, consta que é sumptuosa. As marcas francesas são duas possibilidades nas quais you cant go wrong!

Há opções ilimitadas para bolsas menos abonadas. Use linhos, algodões, calçado confortável. Os couros são bons. Evite roupa justa. No Verão, o calor aperta, as temperaturas são elevadas.

Tânger é uma cidade com uma marca ocidental acentuada. Mesmo assim, convém não esquecer que está num país muçulmano. Evite os grandes decotes e as mini-saias.

Os óculos de sol e o chapéu são adereços indispensáveis.

 

 

Publicado originalmente na revista Máxima

 

 

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