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Anabela Mota Ribeiro

Curso de Cultura Geral (26 Fev 2017)

27.02.17

A definição de cultura é vasta, variável, e se for mesmo boa propicia um universo ainda mais vasto e variável. Cultura não é ter lido "O Banquete" de Platão, mas pode incluí-lo. Cultura pode ser conhecer o percurso de Aristides Sousa Mendes ou Nelson Mandela, e ver neles referências, estrelas de uma noite escura. Cultura é a descoberta de que o mundo não se confina a um país-continente, hegemónico, como os Estados Unidos, e perceber isso a partir de uma pequena localidade italiana, ou do encontro com um amor que nos ensina a ver o mundo de outra maneira.

 

A lista de Manuela Correia, psiquiatra 

  1. CULTURA - O que é a cultura? T.S. Eliot, Agostinho da Silva;
  1. ÁRVORE (Ecologia ) - Henry David Thoureau; Plátano de Hipócrates no jardim França Borges, Tipuana tupi na Praça de S. Bento;
  1. EROTISMO (vida instintiva: sexualidade);
  1. GASTRONOMIA (vida instintiva: alimentação);
  1. COSMOGONIAS;
  1. HUMANISMO - Declaração Universal dos Direitos Humanos, Damião de Góis, Fernão Lopes, Erasmo de Roterdão, Francisco de Holanda, Leonardo da Vinci, Jesus Cristo;
  1. POESIA/MÚSICA - Camões, Sá de Miranda, Garcia de Resende, Michel Giacometti, Fernando Lopes Graça, J.S. Bach;
  1. ÉTICA E VALORES - Aristides de Sousa Mendes, Nelson Mandela;
  1. CIÊNCIA/CONHECIMENTO - Galileu, Pedro Nunes, Garcia de Orta, João dos Santos (psicanalista);
  1. CIDADANIA - Constituição da República Portuguesa (Artigo nº 46), Gonçalo Ribeiro Telles, Carolina Beatriz Ângelo, Maria Velho da Costa, Isabel Barreno, Maria Teresa Horta, Maria Lamas, Marcus Garvey, Rosa Parks, Martin Luther King.

 

A lista de Maria João Mayer Branco, professora de Filosofia da Universidade Nova

  1. Fernando Pessoa, Fausto (tragédia subjectiva);
  1. Albert Cohen, Belle du seigneur;
  1. Sófocles, Antígona;
  1. Platão, O Banquete;
  1. Immanuel Kant, Crítica da Razão Pura;
  1. Friedrich Nietzsche, A Gaia Ciência;
  1. Charles Laughton, The Night of the Hunter;
  1. Forough Farrokhzad, La maison est noir;
  1. Chico Buarque, Os saltimbancos;
  1. Mozart, Lacrimosa (Requiem em ré menor K. 626); Beethoven, Ode à Alegria (Sinfonia nº 9 em ré menor, op. 125, Coral).   

 

A lista de Richard Zimler, escritor

  1. Book of Greek Myth, D’Aulaires;
  1. Luz em Agosto, de William Faulkner;
  1. As Grandes Correntes da Mística Judaica, de Gershom Scholem;
  1. The Beatles. Meet the Beatles;
  1. Andres Segovia, Christopher Parkening e os outros grandes guitarristas (disco: Parkening Plays Bach);
  1. MoMa. A obra que mais me fascinava: “Hide and Seek” de Pavel Tchelichew;
  1. Os frescos de Giotto na Igreja de S. Francisco em Assis;
  1. Ver no cinema, em NY, To Kill A Mockingbird;
  1. A minha mãe. Era cientista e adorava Faulkner, Mozart, coleccionava arte; não era preciso escolher entre ciência e cultura;
  1. O Alexandre (Quintanilha). Compreendi que pessoas de culturas diferentes pensam da forma diferente. O nosso amor mudou a minha perspectiva sobre o mundo.

 

Curso de Cultura Geral (19 Fev 2017)

20.02.17

José Manuel Pereira de Almeida é médico desde os 23, padre desde os 33. Não trouxe para o programa a Bíblia, mas sim "O Principezinho", esse mito da nossa infância que nos ensina a importância da palavra cativar. 

Yara Kono é ilustradora, nasceu em São Paulo em 1972, é de ascendência japonesa. No seu livro "Uma Onda Pequenina", que assina com Isabel Minhós, parte deste princípio: as histórias ajudam-nos a vencer o medo. 

Ana Dias Silva estudou Direito, trabalha num banco, voltou à faculdade este ano para fazer um mestrado em Estética. Já visitou Itália com Stendhal e Goethe. 

Vou falar com eles sobre cultura geral, perguntar se, de facto, as histórias, as experiências de cultura, nos ajudam a ter menos medo, como é que interferem na nossa vida de todos os dias. E vamos falar do significado de cativar, cuidar, daquilo que nos cativa, daquilo que cuidamos.

 

A lista de Ana Dias da Silva, bancária

  1. A morte de Ivan Ilitch, Tolstoi e O Mendel dos Livros, Stefan Zweig;

  1. Sobre a fotografia, Susan Sontag;

  1. O Engenheiro do Tempo Perdido, (entrevistas) de Pierre Cabanne e Marcel Duchamp;
  1. Todos os filmes de Ozu e Rossellini, em particular Viagem a Tóquio e Europa 51; todos os filmes do Martin Scorsese, em particular Toiro Enraivecido;
  1. Ver o filme Aurora do Murnau no cinema King, sozinha na plateia; 

  1. Visitar a Villa Farnesina, a "Fornarina" de Rafael e a Galleria Borghese, na companhia de Goethe e Stendhal, em Roma;
  1. Toda a obra de Cézanne;

  1. A Fundação Calouste Gulbenkian e a Cinemateca Portuguesa, empatadas;

  1. A poesia do Ruy Belo e do Paulo José Miranda;

  1. O Museu do Louvre e o Metropolitan.

 


A lista de José Manuel Pereira de Almeida, padre

  1. O Museu Nacional de Arte Antiga e tudo o que está à volta;
  1. Quebra-nozes, de Tchaikovsky, e o Teatro Nacional de São Carlos;
  1. O Principezinho, de Antoine de Saint-Exupéry (em especial, lido por Gérard Philipe);
  1. Contos Exemplares, de Sophia de Mello Breyner Andresen;
  1. Carmen, de Bizet;
  1. D. Quixote, de Miguel de Cervantes;
  1. Gracias a la vida, de Violeta Parra;
  1. Crimes and Misdemeanors, de Woody Allen;
  1. O Kyrie da “Missa em Si”, de Bach, e o texto da experiência de Julien Green;
  1. O céu da igreja de Santa Isabel, de Michael Biberstein (Lisboa).

 

 A lista de Yara Kono, ilustradora

    1.Vinícius de Morais - A casa;

  1. Hayao Miyazaki - Tonari no Totoro;
  1. George Orwell - 1984;
  1. Lina Bo Bardi - MASP;
  1. Hokusai - O Monte Fuji com Tempo Limpo (Fuji Vermelho) / da série Trinta e seis vistas do Monte Fuji;
  1. El Lissitzky / Vladimir Mayakovsky - Dlia golosa (For the Voice); 
  1. Wes Anderson - The life aquatic with Steve Zissou;
  1. Daniel Blaufuks - exposição "Corte" na Igreja de São Roque;
  1. Eric Satie - Gnossienne No. 1;
  1. Pina Bausch - Kontakthof (Dancing Dreams, documentário).

 

Tatiana Salem Levy (2015)

17.02.17

Tatiana Salem Levy é escritora. Brasileira, vive entre Lisboa e o Rio de Janeiro. Define-se como uma pessoa que não gosta de fazer auto-retratos.     

 

“Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo” – Fernando Pessoa. Pode falar-me de alguns dos sonhos do seu mundo?

Tentar entender o seu humano, a existência de forma geral. E claro que essa busca significa querer uma vida melhor. Acho que continuo com os mesmos sonhos das crianças: um mundo mais justo, paz, amor – coisas que depois de adultos passamos a considerar bregas ou básicas demais. Mas talvez seja justamente isso o que me faz seguir um caminho: a simplicidade.  

 

Oficialmente saímos da crise. Disse-se que Portugal tinha vivido acima das suas possibilidades e que era preciso aprender a viver de outra maneira. Aprendeu?

A meu ver, o discurso oficial é muito diferente da realidade. Tirando o centro de Lisboa, onde, por conta do turismo, tudo parece abundar, continuo vendo a crise na vida das pessoas. Continuo tendo inúmeros amigos sem trabalho ou ganhando um quarto do que ganhavam antes para trabalhar mais. Isso, para o discurso oficial, talvez seja sair da crise. E essa história de aprender com a crise me parece um discurso apologético. Parece que o Governo quer que as pessoas aprendam a viver sem trabalho, sem comida, enquanto eles sentam em cima e cortam ainda mais dos portugueses...

 

Quando José Saramago recebeu o prémio Nobel da literatura, isso coincidiu com os 50 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. O discurso do escritor português reflectiu essa coincidência. Que direito lhe parece mais ameaçado, posto em causa, que urge fazer cumprir?

São muitos os direitos ameaçados ou que nunca se fizeram cumprir integralmente. No Brasil, mas não só, ainda há trabalho escravo, há pessoas presas aleatoriamente, há desigualdade entre pessoas de diferentes raças... Saramago foi um dos escritores que mais bem retrataram o vínculo entre literatura e política. Ele disse em seu discurso do Nobel que neste tempo se chega mais facilmente a Marte do que ao nosso próprio semelhante. Tem toda razão.

 

Como escritora, pensa que literatura tem muito que ver com política?

Diria que sim. Escolher um assunto, determinados personagens é sempre uma escolha política. Por isso, tenho abordado o direito das mulheres: a serem donas de seu próprio corpo, a terem a mesma liberdade e o mesmo valor social que os homens.

 

Portugal vai ter duas eleições nos próximos meses. Discute política?

Eu vivo dividida entre dois países. Meus amigos portugueses são bastante engajados politicamente. Quando vim morar em Lisboa, essa foi uma das coisas que me chamaram a atenção: a diferença de engajamento entre Brasil e Portugal. Mas dessa vez no Rio me deparei com um novo cenário: amigos que nunca se importaram com política fazendo reuniões semanais, criando partidos, dando seus nomes como possíveis candidatos.

 

Porque acha que é assim?

Um dos pontos positivos da crise (e não são muitos) é nos tirar de um certo comodismo político. O Brasil agora vive uma crise não apenas financeira, mas moral: gente fazendo passeata para pedir intervenção militar, diminuição da menoridade penal. Com um homem como Eduardo Cunha como presidente da Câmara dos Deputados, como permanecer calado?

 

Como é que explicaria a um jovem que vai votar pela primeira vez as diferenças entre a esquerda e a direita?

Eu diria que a esquerda se baseia na ideia de um mundo mais igualitário e justo, que tem ideias menos conservadoras do que a direita. Mas se esse jovem for brasileiro e tiver vivido quase toda a sua vida sob governo do PT, ele vai me questionar. E eu vou dizer que o PT errou em muitas coisas – priorizou o consumo da classe C, no lugar de uma boa educação pública; continuou com a política corrupta que existe desde a fundação do país – mas ainda assim, pela primeira vez na nossa história, tirou o foco da elite. Se ele me perguntasse se eu votaria no PT de novo, diria que não. Embora não ache que o eixo que divide direita e esquerda tenha acabado, acredito que a esquerda precisa se reinventar urgentemente.

 

“Caminhando contra o vento, sem lenço, sem documento, no sol de quase Dezembro, eu vou...”, canta Caetano Veloso. Já não vamos sem lenço, sem documento. Levamos atrás o quê?

Acho que a alternativa a esse capitalismo cada vez mais voraz é justamente essa: andar sem lenço nem documento. Não estamos conseguindo mudar do alto a ideologia de um mundo globalizado que gira em torno apenas do dinheiro – porque é isso, né? O que importa é só o lucro. Não existe um Governo realmente interessado na preservação do mundo, da natureza, dos seres humanos, dos valores morais, a não ser que isso também traga retorno financeiro. Então, temos que mudar de baixo, no nosso dia a dia. Praticar aquilo que Deleuze e Guattari chamavam de micropolítica, uma transformação que venha não do alto escalão do poder, mas da nossa capacidade de transformar pequenas coisas.

 

O futuro passou a ser uma ameaça, evitar o perigo uma divisa. Quando foi a última vez que usou a palavra esperança?

Se o futuro for uma ameaça, estamos fodidos. Acho que, apesar da situação actual mostrar o contrário, temos que acreditar no mundo. Não temos alternativa. A última vez que usei a palavra esperança foi um mês atrás, no fim de uma coluna para o jornal Valor Econômico (no Brasil). Criticava os cortes das compras de livros literários para bibliotecas nacionais, sob a alegação do Governo de que a literatura é menos prioritária. Eu terminava o texto assim: “Não sei se estou sendo otimista além da conta, mas faz parte da personalidade de quem lê literatura ter esperança, mesmo diante dos cenários mais tenebrosos”.

 

Matilde Campilho disse que a poesia não salva a vida, mas que pode salvar o instante. O que é que salva o seu instante?

Muitas coisas: um mergulho no mar, uma água de coco gelada, uma sardinha assada, um show da Bethânia. Nesse momento concordo com a Matilde. Todas as noites, antes de dormir, leio alguns poemas para o bebé que está na minha barriga e ele me dá imensos chutes em troca. Não há instante do dia mais feliz do que esse.

 

Férias de Verão: dê-me uma recordação das férias de quando era criança. São um dos seus maiores tesouros?

A infância é meu maior tesouro. Não sei se é porque escrevo, mas estou sempre voltando a ela, às minhas origens. Posso morar em qualquer canto do mundo, falar qualquer língua, mas na hora de escrever sou uma criança do Rio de Janeiro. No meu segundo romance, “Dois Rios”, trabalhei muito com as férias de Verão. Búzios, Angra, Itacoatiara, Bahia, mar, picolé, piscina, roupa rasgada, essa é minha maior recordação.

 

 

Publicado originalmente no Jornal de Negócios no Verão de 2015

 

 

Curso de Cultura Geral (12 Fev 2017)

13.02.17

"Retrato do artista quando jovem": título famoso de James Joyce, peça basilar no percurso da tradutora Vera San Payo de Lemos, ponto de partida para o programa de hoje. Quando jovem, a escritora Isabela Figueiredo viveu em Moçambique, foi testemunha do 25 de Abril e da descolonização. António Jorge Gonçalves viajou com Tintim até ao Tibete. 

Claro que podemos deter-nos aqui e perguntar a que é que corresponde esse ser jovem, quando termina esse estado, que coisas continuam a deixar marca quando já não somos jovens, se alguma vez deixamos de ser essa folha cada vez menos branca, onde tudo se inscreve. E nem todos somos artistas, bem entendido. 

Duas das convidadas, são professoras. Gostaria de as ouvir sobre o aprender e o ensinar, o encontro com os alunos e os professores, um texto de Brecht, um poema de Pessoa. O outro convidado, é ilustrador, um viajante, um dia encontrou um brinquedo feito a partir de uma lata de coca-cola no Vietname. 

 

A lista de António Jorge Gonçalves, ilustrador: 

     1. Ler A menina do Mar de Sophia;

  1. Ouvir em concerto a suite orquestral N° 3 (air)_BWV 1068, de Bach;
  1. Ler Tintin no Tibet de Hergé;

     4. Ver na Gulbenkian a pintura "O Naufrágio do Minotauro" de Turner;

  1. 2001 Odisseia no Espaço de Kubrick;
  1. A Guerra do Fogo de  J.-H. Rosny Aîné;
  1. Ouvir/ver em concerto o Miles Davis no coliseu de Lisboa;
  1. Atravessar de piroga, sentado numa vaca, da costa de Madagascar para a ilha de St. Marie;
  1. O Castelo de Kafka;
  1. Encontrar helicóptero-brinquedo-de-lata-coca-cola, no Vietname.

 

A lista de Isabela Figueiredo, escritora e professora: 

  1. Ter despertado para a vida em Moçambique e ter sido testemunha do 25 de Abril e da descolonização;
  1. Ter sido leitora do Diário de Notícias e da revista Mulheres;
  1. Ter ouvido People Have The Power de Patty Smith;
  1. Viagem a Itália e à Índia aos 22 anos;
  1. Os poemas A fermosura desta fresca serra, de Camões, Poema em Linha Reta, de Álvaro de Campos, o Em todas as ruas te encontro, de Mário Cesariny e Quando, de Sophia de Mello Breyner;
  1. Ter sido aluna de Abel Barros Baptista;
  1. O Amante de Marguerite Duras; Laços de Família de Clarice Lispector; Comunidade de Luiz Pacheco; Desgraça de Coetzee;
  1. Magnolia, Paul Thomas Anderson; Coração de Cão de Laurie Anderson;
  1. Calvin e Hobbes de Bill Watterson;
  1. Todos os programas dos Gato Fedorento. 

 

A lista de Vera San Payo de Lemos, tradutora e professora: 

  1. Mitologia grega

(Antígona, de Sófocles; Antígonas, de George Steiner; Cassandra, de Christa Wolf; a tetralogia dos Átridas, encenada por Ariane Mnouchkine no Théâtre du Soleil)

  1. Bertolt Brecht, Teatro 1, 2, 3, 4, Lisboa, Livros Cotovia.
  2. James Joyce, Retrato do artista quando jovem, Lisboa, Relógio D’Água, 2012.
  3. Johann Wolfgang Goethe, Viagem a Itália 1786-1788, Lisboa, Bertrand Editora, 2016.
  4. San Payo. Retratos, Catálogo, Lisboa, Museu do Chiado, 1995

(Inge Morath, Road to Reno, Journey to Russia)

  1. Wilhelm Müller/ Franz Schubert, Viagem de Inverno
  2. Viena (e a partir daí Eslovénia, Trieste, Ístria, Budapeste): Freud, Elfriede Jelinek
  3. Johann Sebastian Bach, Prelúdios e fugas; cravo bem temperado
  4. Mathias Grünewald, Retábulo de Isenheim em Colmar
  5. Pina Basch, Café Müller

 

 

 

Curso de Cultura Geral (5 Fev 2017)

06.02.17

Quando estava a escrever estas notas introdutórias, em vez de escrever programa de hoje, escrevi espectáculo de hoje. Vou assumir as rasuras, contar o lapso e começar dizendo: no espectáculo de hoje, ou seja, no programa de hoje, vou estar em cena com pessoas das artes de palco. O uso da palavra espectáculo talvez não seja forçado. Veremos adiante o que entendem os meus convidados por espectáculo, representação, estar em palco. Por acaso, são pessoas que não estão sob o foco, na boca de cena, ou não estão agora, mas que acompanham, concebem, encomendam, desenham um programa feito de equilíbrios, dissonâncias, risco, confiança, criam um enredo. José Maria Vieira Mendes é dramaturgo, viveu Berlim do deslumbre ao enjoo. Luísa Taveira é gestora cultura, administradora do CCB, foi bailarina. Aida Tavares é directora do Teatro São Luiz, apontou na lista de 10 coisas fundamentais na sua construção a visita ao Museu da Memória e do Direitos Humanos em Santiago do Chile. 

 

A lista de Aida Tavares

  1. Teatro São Luiz;
  1. Mega Ferreira e Jorge Salavisa: homens fundamentais na minha construção;
  1. “Noite Passada” do Sérgio Godinho;
  1. Museu da Memória em Santiago do Chile;
  1. Museu pré-colombiano em Santiago do Chile;
  1. “Fever Room” de Apichatpong  Weerasethakul;
  1. Assistir à estreia de “Tristão e Isolda” de Wagner no La Scala de Milão; encenação Patrice Chéreau, direcção de Daniel Barenboim, interpretado pela [mezzosoprano] Waltraud Meier;
  1. Ver a Pina Bausch dançar “Café Müller” no São Luiz;
  1. Ouvir Camané e Amália;
  1. Acompanhar o processo de criação de “Masurca Fogo” para Expo’98 / Festival dos 100 Dias.

 

A lista de José Maria Vieira Mendes

  1. Berlim 2005 (do deslumbre ao enjoo);
  1. Donna Haraway, Cyborg Manifesto (a importância do deslocamento do olhar. Da desobediência);
  1. Teatro Praga + um conjunto de pessoas;
  1. João César Monteiro;
  1. Chilly Gonzales – Crying (exemplo de uma forma de estar, de fazer, de escrever);
  1. Godard (salvou-me algumas coisas);
  1. Catcher in the Rye de Salinger, Pela estrada fora de Kerouac. Geração Beat;
  1. Brecht, Baal;
  1. Seinfeld (Nani Moretti, The Office, etc.);
  1. Diários: de Kafka, de Pavese.

 

A lista de Luísa Taveira

  1. Escultura Grega e Romana;
  1. Natureza;
  1. Teatro (casa);
  1. Dança – Fred Astaire e Ko-Murobushi;
  1. Bach; Schubert por Maria João Pires; Bernardo Sassetti, Mário Laginha;
  1. Médio Oriente/ Japão/ Florença;
  1. África;
  1. Tragédias de Sófocles, Marguerite Yourcenar, Rilke, Agustina Bessa-Luís, Saramago;
  1. Isabelle Huppert:
  1. Tarkovsky.

 

 

Ler no Chiado (9 Fev)

05.02.17
No próximo Ler no Chiado discutimos a América, os Estados Unidos da América. Como não discutir? Com a jornalista e ex-directora do Público Bárbara Reis, que viveu em NY, trabalhou na ONU com Sérgio Vieira de Mello, o investigador do Instituto Português de Relações Internacionais Bernardo Pires de Lima, que viveu também nos EUA e integra um think tank de relevo em DC, e a historiadora Irene Flunser Pimentel, autora, entre outros, do livro "Judeus em Portugal durante a II Segunda Guerra".

Apesar de a situação ser diferente, estamos a regressar aos tremendos anos 30 do século passado? A discriminação em função da raça ou nacionalidade põe em alerta que campainhas? Que sinais estão aí e devemos ler? O que é que é radicalmente diferente na era Trump e Brexit? 

Dia 9 Fevereiro, 18.30h, Bertrand do Chiado. Eu modero.

Venham e partilhem, pf.

(Quase) Toda uma Vida - Maria Belo

01.02.17

Na próxima edição do "(Quase) Toda uma Vida", Anabela Mota Ribeiro conversa com Maria Belo. Dia 5 Fevereiro, domingo, às 17h, no pequeno auditório do CCB. Entrada livre (sujeita à lotação da sala). 

Maria Belo nasceu em 1938. É psicanalista. Cresceu numa família de tradição católica, conservadora, uma de nove irmãos. Quase foi freira, ou foi uma quase freira… Formou-se em Psicologia em Lovaina, Lacan foi um dos seus psicanalistas. Diz sobre o país em que cresceu: "Não é por acaso que a psicanálise começou tão tarde em Portugal. Para além de um processo de recalcamento que é próprio da cultura portuguesa, houve um exacerbar desse processo com a ditadura, muito mais baseada na censura da palavra que na violência física, como por exemplo em Espanha. Em Portugal não se falava. Nas famílias não se falava. As coisas eram vividas e sofridas, mas não explicitadas. E isso provoca um recalcamento muito grande relativamente ao que é de cada um."

Portugal, o quem somos, esteve desde cedo no centro da sua acção política (entre outras funções, foi deputada ao Parlamento Europeu pelo PS) e da sua investigação académica (o seu doutoramento é sobre "Cultura Portuguesa e Psicanálise"). 

Fundou a 1.ª Loja Portuguesa de Maçonaria Feminina e foi Grã-Mestre da Grande Loja Feminina de Portugal.

 

 

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