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Anabela Mota Ribeiro

(Quase) Toda uma Vida - Vasco Vieira de Almeida

29.03.17

Vasco Vieira de Almeida tem de si próprio a ideia de que não é um homem de excepção. "Não vou deixar marca em lado nenhum, por essa razão que disse: tenho interesses tão variados que é impossível. Se me tivesse concentrado nalguma coisa... Mesmo assim podia não ter conseguido nada". É um advogado distinto e um amador de música. 

O pai era monárquico e liberal. Ele começou por ser um marxista ortodoxo. Hoje é marxista, mas não ortodoxo. A marca deixada pelo pai, um professor universitário, genial, é imensa e sublinhada a cada passo. Privou, em casa, com figuras como António Sérgio, Jaime Cortesão, Fernando Lopes Graça. 
Ficou rico pouco depois dos 30, viveu intensamente o 25 de Abril, viveu em Angola, recomeçou do zero depois de falir em 1975, tem hoje um dos maiores escritórios de advogados do país e uma fundação com o seu nome recém fundada. 
Nasceu em 1932. 

Curso de Cultura Geral (26 Março 2017)

26.03.17

Hoje vamos a Delfos, vemos um quadro de Caravaggio numa igreja em Roma, ao Brasil de Clarice Lispector e Guimarães Rosa: isto com o Carlos Mendes de Sousa, professor universitário. Com a editora e poeta Maria do Rosário Pedreira vemos um quadro de Vermeer, ouvimos um fado de Amália, folheamos a Cartilha de João de Deus. Outras viagens ainda, pelo mundo germânico com Isabel Capeloa Gil, reitora da universidade Católica. Pode ser que falemos da magnífica Vitória da Samotrácia ou de uma performance de Marina Abramovich... Tantas possibilidades!

 

 A lista de Carlos Mendes de Sousa, ensaísta e professor da Universidade do Minho

  1. A Paixão segundo São Mateus, Bach;
  1. Grande Sertão: Veredas, João Guimarães Rosa;
  1. Obra poética de Sophia de Mello Breyner Andresen;
  1. A Paixão segundo G. H., Clarice Lispector;
  1. Crime e Castigo, Dostoievski;
  1. Ode Marítima de Álvaro de Campos;
  1. Ver Caravaggio numa igreja ("Vocação de São Mateus" na Igreja de S. Luís dos Franceses, em Roma);
  1. Retrospectiva de Bacon na Tate Gallery (nos anos 1980);
  1. Em busca da Verdade, Ingmar Bergman;
  1. Visita a Delfos

 

 A lista de Isabel Capeloa Gil, reitora da Universidade Católica:

  1. O Inferno – Mestre Português (1510-1520) - MNAA;
  1. Ópera de Cantão;
  1. Visita ao Louvre – Vitória de Samotrácia/A Jangada de La Meduse;
  1. John Steinbeck, As Vinhas da Ira;
  1. Allan J. Pakula, A Escolha de Sofia. (1983) (c/ Paul Celan, Fuga da morte);
  1. Merce Cunningham, ‘Beach Birds’;
  1. Hugo von Hofmannsthal, Elektra;
  1. Micenas – Porta dos Leões  (cf. Christa Wolf , Cassandra);
  1. Robert Wilson, Einstein on the Beach;
  1. Marina Abramovic, The Artist is Present (Performance, MoMa)

 

 A lista de Maria do Rosário Pedreira, poeta e editora do grupo Leya: 

  1. Cartilha Maternal, de João de Deus;
  1. Amália cantando «Povo Que Lavas no Rio»;
  1. Toda a poesia de William Butler Yeats;
  1. O Amante e Uma Barragem contra o Pacifico, de Marguerite Duras;
  1. O Leopardo, de Visconti (só depois de Lampedusa);
  1. "A Lição de Música", Vermeer;
  1. As ruínas de Éfeso, Turquia;
  1. O interior da Catedral de S. João em La Valeta, Malta;
  1. O Osso e A Conferência das Aves, de Peter Brook;
  1. As fotografias de nuvens de Alfred Stieglitz.

 

 

 

Curso de Cultura Geral (19 Março 2017)

19.03.17

Gisela João foi tocada pelos fados de Amália como por nenhuma outra coisa. Rui Horta conheceu José Rodrigues Miguéis quando chegou a Nova Iorque e estava a descobrir o mundo. André e. Teodósio estudou música, é do teatro, viveu nos Estados Unidos, viaja o tempo todos. São amigos, a cultura é uma forma de descoberta e de expressão. E também de contaminação: Gisela não é apenas fadista, ou da sua arte não estão arredadas as outras artes. André que fazer um teatro onde tudo é convocado. Rui fez de um convento em Montemor um centro de irradiação cultural. As viagens, os encontros, objectos para que ninguém olha, fazem parte das suas noções de cultura geral.

 

 A lista de André e. Teodósio, encenador, fundador do Teatro Praga

  1. Disco: Pérotin dos Hilliard Ensemble;
  1. Anti-livro: Discurso do Método de Descartes;
  1. Edifício: templo de Baalbek (Líbano);
  1. Autor: José Saramago;
  1. Performance: Pupilija, papa Pupilo and the Pupilceks, de Dusan Jovanoci, por Janez Jansa;
  1. Filme: Notre Musique, de Jean-Luc Godard (2004);
  1. Comida: Cupuaçu, jambo e formigas saúva (de uma viagem à Amazónia);
  1. Moda: a Joana Barrios, que me ensinou tudo o que importa saber sobre moda libertando-me de espartilhos;
  1. Comércio: os imensos mercados na Coreia do Sul são lugares de sociabilidade;
  1. Museu do Pós-Antropoceno e Pós-Ontologia no Quénia.

 

A lista de Gisela João, fadista, que escolheu 10 fados de Amália: 

  1. Que Deus me perdoe
  1. Fado de cada um
  1. Fado da saudade
  1. Fadista louco
  1. Naufrágio
  1. Abandono
  1. Maldição
  1. Estranha forma de vida
  1. Ai mouraria
  1. Medo

 

 A lista de Rui Horta, coreógrafo: 

  1. Memórias de Adriano de Marguerite Yourcenar;
  1. New York aos 21 anos, Tokyo aos 38;
  1. Madame de Jean Claude Galotta (Thêatre de la Ville / Gérard Violette);
  1. Teatro Praga: Avarento, A Tempestade, Super Gorila;
  1. Viagem a Tóquio, Ozu (a questão da solidão / a cultura como espaço de relação);
  1. Ter conhecido o José Rodrigues Miguéis;
  1. Ensaios de Rake's Progress (ópera de Stravinsky), que encenei com Nick Shadow tão diferentes, ambos barítonos excepcionais: Gilles Cachemaille / Luís Rodrigues;
  1. Ainda há pastores?, documentário de Jorge Pelicano (2006);
  1. Retrospectiva de Rauschenberg em Serralves (2008);
  1. Mozart: Requiem e Flauta Mágica escritos em paralelo, à hora da morte.

 

 

 

 

 

 

 

(Quase) Toda uma Vida - Jorge Sampaio

17.03.17

No próximo dia 19 de Março, domingo, falo com Jorge Sampaio no ciclo "(Quase) Toda uma Vida", no pequeno auditório do Centro Cultural de Belém. Começamos às 17h, a entrada é livre (sujeita à lotação da sala). 

Jorge Sampaio nasceu em 1939. Do antigo presidente da República, um recorte de uma entrevista de há uns anos: 

"Conheci Humberto Delgado, miúdo. Uma prima do lado da minha mãe, Bensaúde, uma mulher muito inteligente, uma debater, tinha estado muitos anos na América. Um dia, talvez em 56, chamou-me: “Vem cá jantar hoje um senhor que foi adido militar em Washington”. Abre-se uma porta, eu levanto-me respeitosamente, e ele diz: “Humberto Delgado, general!”. [riso] Em casa, lembro-me perfeitamente de ter dito aos meus pais: “Não percebi bem o general Delgado…”.

Do irmão Jorge, diz Daniel: “De forma semelhante ao meu pai, o meu irmão é uma pessoa antes do tempo.”
O pai era um homem objectivamente bonito, que encantava pela maneira como estava. Infatigável, com um fio depressivo. Nunca se doutorou. A mãe encharcou dois lenços na cerimónia de doutoramento de Daniel (Jorge não se lembra de ver a mãe chorar).
Os pais, a história do país contada a partir da sua história são linhas condutoras da próxima sessão.

"(Quase) Toda uma Vida" é um ciclo mensal de conversas com figuras seniores da sociedade portuguesa, no CCB. Eu conduzo.

 

Ler no Chiado os russos

16.03.17

O que devemos aos russos?, a Tolstoi, Dostoievski, Tchekhov? Ou Gogol, Turgenev, outros. Passam 100 anos sobre a revolução russa, mas é da revolução na literatura que nos vamos ocupar no próximo Ler no Chiado. Com Ana Matoso, que fez doutoramento sobre Tolstoi, Anastasia Lukovnikova, russa, estudou ciência política e cinema e frequenta agora o mestrado de Estética da Univ. Nova, e Helena Vasconcelos, crítica literária. 

Dia 16 Março, às 18.30, na Bertrand do Chiado.
Eu modero.
Ler no Chiado é uma iniciativa mensal da revista Ler e da Bertrand. 
Venham.

Mais livros

15.03.17

"Este Ser e Não Ser - Cinco Conversas com Maria de Sousa" resulta de um diálogo mantido com a cientista durante uma semana, em Novembro de 2014. Ou de antes disso: de uma entrevista para o jornal Público, na Primavera desse ano. Se não fosse esse encontro inaugural, a admiração, o riso, a sintonia, a compreensão, a incompreensão, o espanto, se não fossem estas palavras que podem fundar uma amizade, não teríamos chegado a essa semana de Outono. 

O livro foi lançado em Maio de 2016 junto da comunidade científica, num simpósio de homenagem a Maria de Sousa que teve lugar na Fundação Champalimaud. O encontro, que reuniu imunologistas de referência do mundo todo, assinalou os 50 anos de uma importante descoberta da cientista. 

Porque se tratou de uma edição paga (por diversos institutos da área da ciência) e com um propósito específico, não se encontra à venda. 

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O essencial da sua biografia: Maria de Sousa nasceu em Outubro de 1939. Formou-se em Medicina, podia ter sido pianista. Saiu em 1964 para trabalhar em Inglaterra, Escócia, Estados Unidos. Regressou em 1985, foi professora catedrática de Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, no Porto. Jubilou-se quando fez 70 anos.

Contribuiu para a fundação de um ensino pós-graduado moderno em Biologia em Portugal, coordenando o Mestrado de Imunologia (1985-1995) que, em 1996, passou a integrar, com os Mestrados das Faculdades de Medicina e Ciências, o Programa Graduado em Áreas da Biologia Básica Aplicada (GABBA).

Escreve, também poesia. O título deste livro, "Este ser e não ser", é um verso de um poema seu, "Lamento d' emigrado". O livro Meu Dito Meu Escrito, sobre ciência e cientistas, escrito como um “monólogo da caneta”, foi publicado em 2014. Vive entre o Porto, Lisboa e Nova Iorque.

Tem como contribuições científicas a definição e caracterização da área dependente do timo conhecida universalmente, hoje, como área T, mapeada nos órgãos linfoides periféricos e ocupada por células com origem no timo. A existência de nichos no sistema imunológico está ligada ao seu trabalho sobre a migração de células linfoides e de medula óssea para microambientes específicos nos órgãos linfoides, a que deu o nome de ecotaxis. Na continuidade desse trabalho postulou que o sistema imunológico podia ter uma função de “surveillance” da toxicidade do ferro, o que a conduziu a numerosos estudos experimentais e ao estudo do sistema imunológico na doença genética de sobrecarga de ferro, hemocromatose, existente no Norte de Portugal.

 

 

"O Sonho de um Curioso" é um livro de 14 entrevistas publicado em 2003 pela Dom Quixote. 

Todas as entrevistas que o compõem encontram-se disponíveis neste blog. 

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Curso de Cultura Geral (12 Março 2017)

12.03.17

Hélia Correia visitou Delfos com Maria Helena Rocha Pereira. Apetece perguntar o que ouviu lá, nesse lugar conhecido como o umbigo do mundo, e que força teve ser guiada por esta professora e helenista, a Dra. Rocha Pereira. Então, vamos à Grécia, vamos à antiguidade, com Hélia, com Isadora Duncan e as bailarinas dos vasos gregos, vamos a Itália com Rilke ou Mary Shelley. Margarida Ferra nasceu para a leitora que é hoje quando passou a fazer-se acompanhar de personagens, pessoas quase reais, ou dramaticamente reais, como Anne Frank, cujo diário leu várias vezes a partir dos 10 anos. É poeta, trabalha como assessora de comunicação na Casa Fernando Pessoa; também houve um tempo em que quis ser Jean Seberg, a distribuir o jornal nos Champs Elisées, como no filme de Godard. Constança Freire de Sousa tem 22 anos, fez a licenciatura e o mestrado em Londres, no mestrado estudou Literatura Infantil. Leu, como todas as meninas da sua geração, Harry Potter, mas também "O Principezinho" ou Sophia de Mello Breyner. É filha de economistas, teve a possibilidade de viver em vários países, dialogar com várias culturas. E é feminista. São três mulheres, de diferentes gerações e diferentes modos de relação com a escrita.

 

A lista de Constança Freire de Sousa, estudante de escrita criativa:

  1. O Principezinho, de Antoine de Saint Exupery;
  1. Harry Potter, a série completa, de J. K. Rowling;
  1. A Fada Oriana ou A Noite de Natal, de Sophia de Mello Breyner;
  1. We Should All Be Feminists, de Chimamanda Ngozi Adichie;
  1. O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir;
  1. Deolinda, Capitão Fausto, Rui Veloso;
  1. Religião: visita ao Vietname (interacção com budismo);
  1. Vivências em Inglaterra, partilhando casa com um árabe, um judeu, uma cristã protestante, uma americana conservadora;
  1. Frequentar a Escola Europeia em Bruxelas, dos 10 aos 15 anos;
  1. Livraria Lello, no Porto

 

A lista de Hélia Correia, escritora: 

  1. Delfos com Maria Helena da Rocha Pereira, Sophia e Aspasia Papathanasiou;
  1. Isadora Duncan;
  1. Monte dos Vendavais e os mundo dos Brontë;
  1. Ophelia de John Millais;
  1. Dança: "Romeu e Julieta" de Rui Horta;
  1. Em Duíno com Rilke e Manuel Alegre;
  1. San Terenzo: Mary Shelley na Casa Magni e Arnold Böcklin;
  1. A obra de José Mário Branco;
  1. Prelúdio de Tristão e Isolda de Wagner coreografado por Olga Roriz;
  1. Sintra e Maria Gabriela Llansol.

 

 A lista de Margarida Ferra, assessora da Casa Fernando Pessoa: 

  1. Jules et Jim de Truffaut (1962), no cinema Tivoli, em 1994;
  1. Diário de Anne Frank, em contínuo, aos 10 anos;
  1. Alice no País das Maravilhas, Lewis Carroll;
  1. Viagem pela Estrada Nacional até Coimbra para ver os Encontros de Fotografia;
  1. Exposição de Francesca Woodman, no CCB, em 1999; 
  1. "O Som dos Pedais": programa do João Paulo Baltazar na TSF;
  1. Jardim do Palácio do Beau-Séjour onde li Cesariny, OʼNeill, Ruy Belo, Adília Lopes, e muitos romances;
  1. Saul Williams e Ursula Rucker no Musicbox, em Junho de 2010;
  1. Descobrir o fado com a Gisela João e o Hélder Moutinho na Tasca da Bela, em Alfama;
  1. Paris a partir de À Bout de Souffle, do Godard, e da Jean Seberg.

 

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