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Anabela Mota Ribeiro

Somos Douro: o meu diário

21.02.19

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Com Tatiana Salem Levy a espreitar, Rita Ferro Rodrigues e euzinha orgulhosas da nossa Priscilla, rainha do Douro. A sair. Que emoção!

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Camané na abertura do Somos Douro, em Lamego (teatro lindo), com a participação de alunos do Conservatório de Música de Vila Real. Sei de um rio, sei de um rio... Obrigada pela presença, ministro Luís Filipe Castro Mendes, obrigada José Freire de Sousa pelo convite para ser comissária do festival, obrigada a todos. Vamos percorrer 19 municípios do Alto Douro Vinhateiro até 17 de Junho. Organização: CCDR-N.

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Dia 2

Já começou o Fórum Jovem, com diversas mesas de trabalho e foco nos jovens durienses, nas suas ideias, potencialidades e projectos para o futuro. A Territórios Criativos organizou o Fórum, eu convidei a Bárbara Reis, a Capicua, o Pedro Santos Guerreiro e a Rita Ferro Rodrigues para serem dinamizadores de cada mesa. Na Régua.

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Álbum do fim de semana: Capicua, Bárbara Reis e Rita Ferro Rodrigues, José Freire de Sousa, a equipa do Vítor Devesa da CCDR-N, com Joel, Zélia e Isabel (falta a Ana Magalhães). 

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A Secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Rosa Monteiro, que admiro tanto, esteve no encerramento do Fórum Jovem. Foi muito interessante ouvir as conclusões de um dia de trabalho, com dezenas de jovens de toda a região duriense, e perceber que muitas das questões levantadas são comuns às preocupações e linhas de acção da Rosa, enquanto governante. Inclusão, comunicação, igualdade, trabalho em rede são palavras nucleares. Muito obrigada a todas e todos por terem estado. No final, foto de família no Museu do Douro.

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E no Expresso desse sábado, o Somos Douro.

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Uma semana antes, tinha saído esta peça no Jornal de Notícias, pela Helena Teixeira da Silva. Outras entrevistas de divulgação: na TSF com Nuno Domingues e na Antena 1 com Margarida Pinto Correia e João Gobern. 

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Dia 3

Começámos em Mesão Frio com Pedro Mexia a falar de Agustina, às 11h da manhã. A biblioteca municipal estava cheia, cheia, com pessoas sentadas no chão e pelas escadas. O melhor de tudo foi ouvir alunos do 12º ano que tinham trabalhado com professores abordagens possíveis à obra da escritora (e relação com o património duriense), e relações com autores como Miguel Torga e Eça de Queirós. São alunos que vão ter exames em breve. Mesmo assim, com a persistência da vereadora da Educação e Cultura de Mesão Frio e o acompanhamento dos professores da escola local, inventaram tempo para pensar sobre isto e, com segurança, interpelar Pedro Mexia. 

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Canta porque canta, sente-se feliz! O Somos Douro foi recebido em Armamar pelo orfeão da universidade sénior. Uma pessoa até chora.

"Ninguém imita melhor do que eu uma bela vida": fim do "Vale Abraão" de Manoel de Oliveira e de Agustina Bessa Luís. Leonor Baldaque, actriz de Oliveira, neta de Agustina, escritora editada pela Gallimard fez um trabalho admirável de comentário do filme e do livro. Tantos ângulos de ataque, tantas possibilidades de entrar neste universo misterioso... Foi em Armamar, território agustiniano. Leonor começou por falar da importância das horas em que não acontece nada, ou seja, das horas mais importantes. Fiquei dias a pensar nestas palavras. 

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Foi lindíssima, a sessão do Bernardo Pinto de Almeida na Régua (onde o professor, poeta e ensaísta nasceu), sobre a paisagem na História da Pintura. Começámos em Pompeia, chegámos a Pollock. Nunca mais vou ver o cão de Goya da mesma maneira. Relembro que todas as acções do Somos Douro são de acesso gratuito e dirigem-se a todos.

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Dia 4

Como filmar um beijo? Há o beijo do ET que cita o filme de John Ford "Americano Tranquilo". O beijo de "Até à eternidade". O beijo com um gato no meio de "Breakfast at Tiffany's". O filme em suspensão d' "A Infância de Ivan" de Tarkovski. Como surgem os personagens? Como se conta a história, como encontrar o nosso modo de narrar, o ritmo? Como se contaminam as linguagens verbal, visual e musical? Ana Margarida de Carvalho está a fazer uma residência artística em Santa Marta de Penaguião esta semana, e dirige duas oficinas de escrita: uma para adultos e outra para público escolar. Na primeira, aproximou-nos da literatura através de filmes e letras de canções. Falou, por exemplo, dessa peça fascinante que é "A Rosa Púrpura do Cairo", entre a ficção e a realidade. Que maravilha, poder assistir. E que acolhimento! Obrigada a toda a equipa da Câmara de Santa Marta, que ainda nos levou a jantar ao restaurante da D. Hermínia do Marão (nem vos conto...).

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Nestes dias em que atravesso 19 municípios, para celebrar a região duriense, interrogo-me sobre o alcance de um programa que desenhei há meses, em casa, longe deste território, ainda que ele faça parte da minha biografia. Interrogo-me sobre o impacto efectivo que o Somos Douro pode ter na vida das pessoas. Acho que encontro algumas respostas quando olho para estas imagens de Santa Marta de Penaguião, para a oficina de escrita da Ana Margarida de Carvalho com estes meninos. 

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Dia 5

Entre as centenas de entrevistas que fiz, a de Alberto Carneiro ocupa um lugar especial. Foi poucos anos antes da morte do artista. Em Carrazeda de Ansiães, dei com esta escultura lindíssima, Os Sete Livros da Vida, acompanhada de árvores e de verde. Que felicidade! Deixo-vos este excerto que me inspira muito: "Fiz a tropa, um ano em Lisboa; quando regressei levava uma decisão: não viver mais em São Mamede. Tinha feito o quarto ano nocturno do curso de escultura decorativa na [escola] Soares dos Reis, no Porto, e queria ir para as Belas Artes. Foi entre os 17 e os 20 anos. Ia de bicicleta de São Mamede para o Porto. Fazia 40 quilómetros diários. Depois de oito horas de trabalho. Cinco horas de aulas. Foi um bocado duro, não é? Mas realizou-se. Quando regressei da tropa não estava disposto a continuar com a mesma vida. Disse isso aos meus pais – que ia abandonar a actividade de santeiro. A minha mãe perguntou-me: “Vais viver como?” “Logo se arranja alguma coisa”. E arranjou-se.

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Em Carrazeda, a escritora brasileira Tatiana Salem Levy fez uma oficina de escrita com 20 jovens do 12º ano. 

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Tatiana partiu destas duas imagens para a oficina de escrita na biblioteca de Carrazeda de Ansiães. Uma pintura de Hopper e uma fotografia de Pedro Loureiro. Esta diz respeito à geografia da região, a outra representa a evasão e um sonho distante. Foi também esta dicotomia, entre o desejo de sair e a sensação de pertença àquele lugar, que apareceu nos textos dos alunos. Curiosamente quase todos escolheram trabalhar a partir da fotografia; mas um aluno que escolheu Hopper fantasiou a existência de um empregado de mesa naquele quadro (afinal, se é um espaço de refeição, tem de haver um empregado de mesa, mesmo que ele não se veja...). Que maravilha. 

Tatiana disse-lhes também que eles já têm um património importante, aquilo que nutre um escritor: a sua infância, uma identidade.

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Dia 6

Uma pessoa chega a Sernancelhe e sente-se em casa! Não há palavras para agradecer o acolhimento. Terra natal de Aquilino Ribeiro, partimos da obra e imaginário do escritor para este dia do Somos Douro, com os especialistas Alberto Correia e Serafina Martins e o neto, Aquilino Machado. No final, comemos fálgaros e outras comidas aquilinianas com espumante das Terras do Demo.

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Dia 7

Maria Mota, cientista brilhante, a partilhar a sua paixão pela ciência, a ensinar-nos tanto sobre a doença da malária. Terminou dizendo: no IMM procuramos perguntas! Não é respostas, é perguntas. Tanta coisa a dizer a partir daqui... Fomos recebidos em Vila Real pela vereadora do ambiente Mafalda Vaz de Carvalho. Obrigada a todos, em especial à vice-presidente da câmara Eugénia Almeida. 

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Dia 8

António Feijó no Palácio de Mateus: de uma famosa carta de Pessoa no seu dia triunfal ao verso do fim (I know not what tomorrow may bring), tradução inglesa de um verso de Horácio. Somos Douro a celebrar os 130 anos do nascimento de Fernando Pessoa. Ah, e Ofélia detesta o histérico do Álvaro de Campos...

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Dia 9

O Somos Douro e a Ordem dos Arquitectos (secção regional norte) promoveram um roteiro de arquitectura na região, com cinco paragens, cinco edifícios assinados por nomes importantes da arquitectura portuguesa, e premiados. São eles: o Museu da Vila Velha (Belém Lima), a Adega Quinta do Portal (Siza Vieira), o Centro Cultural Miguel Torga (Souto Moura), o Museu do Côa (Camilo Rebelo e Tiago Pimentel) e Centro de Alto Rendimento do Pocinho (Álvaro Andrade). Programa efectuado em várias partes. As arquitectas Ana Vaz Milheiro, Cláudia Costa Santos, Graça Correia e a engenheira Ângela Nunes conduzem visitas guiadas, propõem uma leitura destes edifícios. Além da presidente da secção regional norte da Ordem dos Arquitectos, Cláudia Costa Santos, esteve também a presidente da secção regional sul, Paula Torgal. Começámos com a visita ao Museu da Vila Velha de António Belém Lima em Vila Real. Visita conduzida pelo autor e por Ana Vaz Milheiro. 

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Uma igreja cheia, num sábado chuvoso e frio, para ouvir Richard Zimler sobre judaísmo (algumas ideias falsas: que todos os judeus são ricos e instruídos; no século XVI, em Belmonte, havia 77% de mulheres analfabetas, os homens, 23%). Zimler falou de um Portugal multicultural, muito antes de a palavra se usar. Interessantíssimo. E que dizer da Câmara de Torre de Moncorvo que ofereceu à população dezenas de exemplares de "O Último Cabalista de Lisboa"? O escritor, que disse que em 22 anos nunca viu um gesto assim, autografou livros pela tarde fora. 

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Radicado no nordeste transmontano há anos, António Sá é um fotógrafo que tem publicado com regularidade na revista National Geographic. A paisagem está muitas vezes no centro da sua objectiva. Numa oficina de dois dias, vai ensinar coisas básicas, como olhar, elaborar uma narrativa visual, além das questões técnicas que dizem respeito à fotografia. Em Freixo de Espada à Cinta

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Dia 10

Toda a gente conhece o extraordinário comunicador que é Joel Cleto e os seus programas do Porto Canal, que promovem um conhecimento e relação directa com o património. Durante um dia inteiro, este historiador e divulgador revela tesouros e conta histórias dos concelhos de Tarouca e Penedono.

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De como um astrónomo foi desconsiderado por ser diferente. Da importância vital de limparmos os nossos vulcões-raiva, adormecidos ou activos. Do cuidado com a nossa rosa, mesmo que vaidosa, birrenta, esquisita. E aquele homem de negócios que só queria ter coisas para as ter, mas que não tinha nenhuma curiosidade acerca delas... E como conservar a imaginação e manter por perto a criança que há em nós? E como enfrentar o medo? Ohh, façamos como "O Principezinho": perguntas, sempre perguntas. Curiosidade para o mundo e para o outro. E preparemos o coração para o que mesmo importa. Que isso nos permita criar laços.

Foi simplesmente mágica, esta tarde, em Parada do Pinhão: a psiquiatra Manuela Correia, na casa onde viveu o seu marido, o mítico editor da Assírio & Alvim Manuel Hermínio Monteiro, falou com dez meninos sobre o clássico de Exupéry, editado há 75 anos. Os pais assistiram, mas não intervieram. Juntos, preparando-se para a conversa-oficina, leram o livro. Agora, é saber como vão florescer as rosas hoje plantadas.

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Dia 11

O Somos Douro na adega do Portal de Siza Vieira. Visita guiada por Álvaro Fonseca, do atelier de Siza, e Cláudia Costa Santos, presidente da Ordem dos Arquitectos, secção regional norte.

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Esta é a imagem de segunda-feira do Somos Douro... Eduardo Souto Moura e José Freire de Sousa são amigos há 50 anos (e há 50 kg, gracejou o arquitecto), foram colegas de liceu. O presidente da CCDR-N levou fotografias desse tempo. Souto Moura esteve no Espaço Miguel Torga, de que é autor, em Sabrosa.

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Quando o Somos Douro recebe o galardoado com o Leão d’ Ouro em Veneza... Obrigada, Eduardo Souto Moura, pela visita e partilha no Espaço Miguel Torga, em Sabrosa. Obrigada à arquitecta Graça Correia que fez uma interpretação do espaço e desencadeou uma conversa interessantíssima com Souto Moura. Obrigada à equipa de Sabrosa pelo modo como nos receberam. 

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"Torga é um poeta em quem um país se diz", disse Sophia. Torga é aquele que põe no existir a razão absoluta do escrever, sintetizou Carlos Mendes de Sousa. Que imersão no imaginário do autor! E ficámos tão contentes com a presença (surpresa) da Clara Crabbé Rocha, a filha de Torga. Mais um motivo de celebração no Somos Douro (dia inteiro passado em Sabrosa). Uma última frase, inspiradora: "Faz sempre tudo a sério, mas nunca te leves a sério". 

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Terminámos o dia em Sabrosa com Carlos Pazos. Através de uma parceria com o Instituto Cervantes em Lisboa, pretendemos abordar o tema das relações entre Portugal e Espanha, o rio que nos une, e revelar identidades e talentos de um lado e outro da fronteira. O escritor espanhol Carlos Pazos abordou a presença histórica de galegos em Lisboa (entre eles, Alfredo Guisado, que se deu com Pessoa e o movimento de Orpheu). A conversa foi no espaço Miguel Torga, autor marcado pela influência de Cervantes.

A parceria com o Cervantes teve mais um momento: o concerto Abrazo-Abraço da cantora espanhola María Salgado. Foi no Conservatório Regional de Música de Vila Real, no dia 7. A voz de María Salgado é apontada como uma peça-chave para entender a música castelhana. No centro do seu repertório está a herança cultural e musical de Castela e Leão. Em Vila Real, María fez-se acompanhar de músicos espanhóis e de um músico português: Cesar Diaz, Amadeu Magalhães e María Alba. 

 

Dia 12

Palavra de Sophia: "irremediável", a vida "suja, hostil, inutilmente gasta" que está no poema "Cidade" de 1944, que está nos contos para a infância, por exemplo na "Fada Oriana" (porque o belo, a harmonia, o equilíbrio têm sempre em si um monstro suspenso). Sophia, a transparente, a que traz a palavra "aliança" (que o nosso ser coincida com os outros seres), a do louvor e protesto, a da parede branca, nua e lusa. Ana Luísa Amaral deu a ler esta Sophia numa sessão verdadeiramente mágica em São João da Pesqueira. Havia dezenas de meninos do 5º ano, havia adultos, biblioteca a abarrotar e uma sensação de felicidade no ar. Sinto gratidão às gentes que ali foram. Sinto-me realizada como comissária do Somos Douro.

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Somos Douro em Moimenta da Beira a celebrar Aquilino Ribeiro. Com Aquilino Machado, o neto do escritor, a conduzir uma visita à Casa-Museu, e Irene Flunser Pimentel a traçar o tempo histórico de Aquilino, em especial o de “Quando os lobos uivam”, editado há 60 anos.

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Dia 13

“Estou no crasto de Palheiros, em Murça.”

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Uma porca que não é uma porca e um crasto que não é um castro: a linha de que partimos, em Murça, com António Carvalho, director do Museu Nacional de Arqueologia, e Maria de Jesus Sanches, professora da faculdade de Letras do Porto. Visitámos a porca de Murça e o crasto de Palheiros, havia alunos da universidade sénior de Murça e alunos de arqueologia do Porto! Foi maravilhoso vê-los juntos.

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Continuámos, já à noite, com o historiador Fernando Rosas a apontar os vários desenhos que a Europa conheceu nos últimos 100 anos. Curioso pensar que estamos agora, 2018, perto da configuração que a Europa assumiu no pós-tratado de Versalhes. Nota quiçá pessimista e final: a Europa não tem a centralidade no mapa mundi que sempre teve. Como vai lidar com a nova disposição das peças no tabuleiro?

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Dia 14

Sem estas miúdas, o Somos Douro não se fazia! Obrigada, Julita Santos, mega produtora executiva, e Helena Teles, responsável da CCDR-N em Vila Real.

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"Quando o viajante entra em Torre de Moncorvo, já há muito tempo que é noite fechada", escreveu José Saramago na sua Viagem a Portugal. Quando o Somos Douro entrou em Torre de Moncorvo, o sol ia adiantado, a biblioteca estava cheia. Dias antes, era um frio de Inverno. Estações trocadas, o mesmo calor da recepção. Comecei por ler este fragmento de uma entrevista que fiz ao prémio Nobel português: "Os meus pais sacrificaram-se muito e deram-me estudos para ir para a universidade? Não, tive estudos que estavam ao meu alcance e ao alcance da bolsa da família: estudei para ser serralheiro mecânico. Fui serralheiro mecânico. Depois fui várias coisas ao longo da vida. Li muito. Livros meus só os tive quando tinha 19 anos, quando pude comprar, com dinheiro que um amigo me emprestou." José Luís Peixoto, que recebeu o prémio Saramago com apenas 26 anos, falou do legado do escritor, da importância de encontrar um espaço próprio, do lugar da literatura, da pergunta contínua que é feita na escrita: quem somos?, da força planetária de Saramago, do prazer impermanente que é escrever, da diferença entre obra e carreira (obra é o que fica e o que justifica tudo), do seu começo com uma edição de autor de "Morreste-me", do envelope que chegou pelo correio a Maria do Rosário Pedreira com o romance que mudou tudo, dos cinco mil contos do prémio que mudaram a vida de um professor (que era o que Peixoto era) que vivia na angústia dos mini-concursos e de colaborações esparsas para jornais. Que tarde. Obrigada a todos, também à Fundação José Saramago.  

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António Jorge Gonçalves em São João da Pesqueira numa das oficinas do Somos Douro (tivemos duas de escrita, uma de fotografia e uma de desenho, além de conversas-oficinas ao longo de todo o programa). Além do trabalho com crianças e jovens, o ilustrador fez uma oficina com seniores.

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O que pode resultar do InCode.2030? Uma coisa tão simples e significativa na vida de todos os dias como ensinar a população idosa a ligar o skype (e assim falar com familiares emigrados) ou abrir conta de email, ou capacitar jovens ou minorias para a literacia digital. No Somos Douro, desenvolvemos um programa piloto, a decorrer em Tabuaço. Na imagem, Sofia Marques Da Silva, que coordena o eixo Inclusão. O programa é promovido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e pelo Ministério da Presidência e da Modernização Administrativa. 

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Dia 15

Centro de Alto Rendimento do Pocinho do arquitecto Álvaro Fernandes Andrade. Visita integrada no roteiro de arquitectura do Somos Douro, organização da CCDR-N e da Ordem dos Arquitectos, secção regional norte.

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Dia 16

Camilo Rebelo e Tiago Pimentel andavam pelos 30 quando desenharam o Museu do Côa. Passaram 10 anos (pouco mais) e os arquitectos conduziram uma visita ao edifício, no Somos Douro. Com eles estava a engenheira Ângela Nunes, uma das responsáveis pela obra (que, por exemplo, encontrou a cor da pedra, procurada meses, essencial para a inserção do objecto-museu na paisagem, sem agressões). Que projecto incrivelmente belo, harmonioso, fulgurante; e foi lá que vi uma das peças mais impressionantes destes dias: uma instalação de Ângelo de Sousa, feita de espelhos, ângulos obtusos, linhas de fuga que dão para todo o lado.

Este roteiro foi co-organizado pela Ordem dos Arquitectos, secção regional norte. Obrigada ao Bruno Navarro, director do Museu, e à Câmara de Foz Côa (incrível Andreia!).

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Neste dia, lançámos o concurso "Ponha o Douro no Mapa", para jovens youtubers (sobretudo durienses) entre os 13 e os 30 anos, com a coordenação de Rita Ferro Rodrigues. A iniciativa teve o apoio do Turismo de Portugal, da Câmara de Foz Côa e da Glymt.

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Os vencedores foram conhecidos em Setembro, no festival de cinema do Côa. E foi assim...

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A Rita Regalo, a Ana Sofia Novo Oliveira, a Mónica Francisco e o Pedro Almeida foram os vencedores. O prémio para estes jovens, que nos mandaram micro-filmes do seu Douro, é uma viagem a Paris e aos escritórios da Youtube em Paris. Com eles vai a coordenadora do concurso, Rita Ferro Rodrigues. Parabéns a todos! Dos quatro vencedores, apenas a Rita (18 anos) festejou connosco, no Côa. Mas todos os outros mandaram mensagens calorosas. Houve 186 submissões, uau!

 

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A elegância do traço. O movimento ("estão a ver estas três cabeças?"). O espanto de ver qualquer coisa que, como um rumor fundo e persistente, vem de um tempo que nem conseguimos imaginar quando foi, mas que se manifesta num código que é também o nosso. O escritor João Pinto Coelho, arquitecto de formação, último vencedor do prémio Leya, partiu para a visita ao parque arqueológico do Côa com mais perguntas que respostas, e com a ideia de que todos faríamos ainda mais perguntas no fim da visita. Por exemplo, porque é que se faziam desenhos em sobreposição quando havia, ao lado, uma superfície limpa, intocada? Que coisas diriam aqueles nómadas do Paleolítico a outros nómadas do Paleolítico através daquelas gravuras? Temos hipóteses interpretativas, claro, mas, pessoalmente, como o João, gosto sobretudo das perguntas que ficam no ar e nos acompanham pelos dias. 

Junto às gravuras, um calor imenso (mais cinco graus lá no fundo do xisto, apesar do rio ao alcance da mão). Só de pensar que uma semana antes estávamos de botas e debaixo de chuva... Éramos mais de 60, na visita.

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Puro encantamento: António Jorge Gonçalves, Filipe Raposo e Ana Brandão. Desenho efémero na fachada do museu, piano e voz. 

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Dia 17

No Pinhão, chegámos ao fim do Somos Douro, com bandas de música da região. Uma delas tem 150 anos, outra 110. Os elementos vão dos 80 aos (talvez) quatro anos. As bandas têm um lugar tão importante na vida da comunidade... Obrigada a todos os que foram e nos ajudaram a fazer a festa. Estavam 35 graus, fizemos um piquenique junto ao rio e aos vinhedos, paisagem de beleza irreal. E quatro harpistas galegas sintonizaram-nos com um sonho lindo no fim-fim. 

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Senti-me entre político em campanha eleitoral e vocalista de banda rock. Percorri um território vasto, belo, com pertenças e realidades distintas, distinguido pela UNESCO há 16 anos como património mundial. A convite do presidente da CCDR-N, desenhei um festival, o Somos Douro, que decorreu entre 1 e 17 de Junho em 19 municípios, e que me permitiu reviver a minha geografia (cresci em Vila Real), conhecer pessoas, viver intensamente, aprender tanto. Houve dias em que acordei em Vila Real, acompanhei uma conversa sobre Sophia em São João da Pesqueira, segui para Moimenta da Beira com Aquilino e Irene Flunser Pimentel. Foi muito intenso, fisicamente desgastante, mala às costas, frio e calor, as minhas orquídeas para que olho agora e as rotinas de casa como uma lembrança longínqua, uma compreensão do tempo elástica, alterada. O fôlego era retomado com a alegria e a gratificação de perceber que o festival era acolhido; talvez pela primeira vez, acontecia qualquer coisa que dava uma unidade àquele extenso mapa, que não deixava ninguém de fora. A inclusão foi uma ideia capital: em todos os municípios havia, pelo menos, um evento. Agora escrevo de casa, ainda atoada, exausta, com a certeza de que preciso de tempo para integrar o que ali vivi. Sou profundamente grata às dezenas de pessoas que nos últimos meses se envolveram para que o festival acontecesse, cada pessoa de cada câmara e cada equipamento local, àqueles que assistiram e nos dirigiram palavras tão encorajadoras, à equipa da CCDR-N, à produtora executiva Julita Santos, ao prof. Freire de Sousa pela contínua confiança em mim e pela total liberdade para desenhar um projecto como este. Fui a comissária, mas claro está que, sem estes todos, nada teria acontecido. 

Muito obrigada aos participantes (pela ordem de entrada no festival): Camané, Orquestra de Câmara do Conservatório Regional de Música de Vila Real, Bárbara Reis, Capicua, Pedro Santos Guerreiro, Rita Ferro Rodrigues, Pedro Mexia, Leonor Baldaque, Bernardo Pinto de Almeida, Ana Margarida De Carvalho, Tatiana Salem Levy, Alberto Correia, Aquilino Machado, Serafina Martins, Maria Manuel Mota, María Salgado, António Feijó, Cláudia Da Costa Santos, António Belém Lima, Ana Vaz Milheiro, Eduardo Souto Moura, Graça Correia Ragazzi, Richard Zimler, António Sá, Manuela Correia, Joel Cleto, Carlos Mendes de Sousa, Carlos Pazos, Ana Luísa Amaral, Irene Flunser Pimentel, António Carvalho, Maria de Jesus Sanches, Fernando Rosas, António Jorge Gonçalves, Sofia Marques Da Silva, José Luís Peixoto, Álvaro Fernandes Andrade, Camilo Rebelo, Tiago Pimentel, Ângela Nunes, João Pinto Coelho, Filipe Raposo, Ana Brandão, Bandas Filarmónicas da Região, Patrício Costa. 
Obrigada às populações e câmaras de (e por ordem alfabética): Alijó, Armamar, Carrazeda de Ansiães, Freixo de Espada à Cinta, Lamego, Mesão Frio, Moimenta da Beira, Murça, Penedono, Peso da Régua, Sabrosa, Santa Marta de Penaguião, São João da Pesqueira, Sernancelhe, Tabuaço, Tarouca, Torre de Moncorvo, Vila Nova de Foz Côa, Vila Real. 
Que bom foi viver convosco este Somos Douro. 
A fotografia é do Egídio Santos, que registou estes dias, com profissionalismo e talento, e me apanhou em 10 minutos de recolhimento, no Pocinho.

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