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Anabela Mota Ribeiro

Um Filme Falado, ou o Cinema e as outras Artes

13.11.22

UM FILME FALADO: ou o Cinema e as outras Artes

Ciclo de oito sessões sobre as relações do cinema com as outras artes. Cada sessão começa com uma apresentação de 15 minutos por cada uma das duas pessoas presentes, que é um modo de dar a ver e sublinhar sequências, planos, linguagem simbólica, seguido de exibição do filme, e por fim discussão entre os dois de 30 / 45 minutos. Concebi o projecto e faço a moderação. No segundo sábado de cada mês, às 17h. Na Casa do Cinema Manoel de Oliveira, em Serralves, no Porto.

08 OUT
CINEMA E ARQUITECTURA
VISITA OU MEMÓRIAS E CONFISSÕES
Manoel de Oliveira
Com Catarina Mourão (cineasta) e Nuno Grande (arquitecto)

12 NOV
CINEMA E TEATRO
LE CARROSSE D’OR
Jean Renoir
Com Marco Martins (cineasta) e Sara Carinhas (atriz)

10 DEZ
CINEMA E MÚSICA
SENSO
Luchino Visconti
Com Joana Matos Frias (prof. de Literatura) e Paulo Pires do Vale (prof. e curador)

14 JAN
CINEMA E FOTOGRAFIA
LA JETÉE
Chris Marker
Com Filipa Ramos (curadora) e Sérgio Mah (curador)

11 FEV
CINEMA E DANÇA
MODERN TIMES
Charlie Chaplin
Com Cláudia Varejão (cineasta) e Maria José Fazenda (teórica da dança)

11 MAR
CINEMA E ESCRITA
LETTER FROM AN UNKNOWN WOMAN
Max Ophüls
Com Djaimilia Pereira de Almeida (escritora) e Rosa Maria Martelo (prof. de Literatura)

15 ABR
CINEMA E PINTURA
UTAMARO E AS SUAS CINCO MULHERES
Kenji Mizoguchi
Com Marta Mestre (curadora) e Nuno Crespo (crítico de arte e prof. de Filosofia)

13 MAI
CINEMA E TRANSCENDÊNCIA
A PALAVRA
Carl Theodor Dreyer
Com Daniel Jonas (poeta) e João Constâncio (prof. de Filosofia)

 

“A casa tem um certo mistério. O meu espírito habitou nela cerca de 40 anos. Viu criar e crescer duas gerações. Amareleceu e enrugou como as folhas das árvores no Outono.” A apresentação da casa é de Manoel de Oliveira e nela cabe uma ideia de tempo cronológico, tempo biológico, tempo imaterial, de “um tempo que foi e um futuro que vai ser passado”. Uma casa é um corpo, um corpo é uma casa, é um mapa onde se desenham órgãos, músculos, tecidos, veias, e mesas, quadros, fotografias de família, escadas, as rosas e as máquinas. Manoel aponta para o lugar onde escreve a planificação dos seus filmes. Os filmes apontam — e revelam — o espírito, a inquietude, o desejo, convocam outras artes, os fantasmas, o enigma, uma noção de transcendência e de pertença — infinitesimal — a um certo contínuo. Naquele espaço conflui um tempo, daquele instante brota uma folha, uma pétala. A ramificação é extensa.

A literatura, o teatro, o pensamento, a música são elementos centrais no cinema de Oliveira. Este ciclo é composto de uma série de sessões nas quais se exploram as relações do cinema com algumas dessas artes (compartimentos, galhos..., para prosseguimos a metáfora) e se potencia um diálogo de Oliveira com (e a partir de) grandes clássicos da cinematografia mundial.

O desenho é simples: oito sessões, subordinadas a temas diversos (arquitectura, teatro, música, fotografia, dança, literatura, pintura, filosofia), discutidos por um grupo de pessoas de diferentes áreas e de diferentes gerações. Na escolha dos nomes, a paridade de género e o cruzamento de perspectivas foram uma preocupação; e procurámos vozes originais, estimulantes, fecundas.

Para cinéfilos mais jovens, o programa permite, além do mais, a descoberta e o encontro em grande ecrã com filmes clássicos e com uma genealogia de autores como Jean Renoir, Visconti ou Mizoguchi na qual Manoel se insere.

Na elaboração desta lista de clássicos, tivemos em atenção a sua relação com o cinema de Oliveira, mas, sobretudo, pensámos no modo como neles aparece enfatizada uma determinada disciplina artística, aquela que vai ser discutida pelos participantes. Assim, não é obrigatório que a relação com Oliveira apareça reflectida nos comentários. Excepto, é claro, no filme escolhido para abrir o ciclo: Visita, ou memórias e confissões.